
Bolsonaro se meteu pessoalmente na briga pelo cargo e foi bem do jeitão atabalhoado que costuma usar para fazer política. Ontem foram revelados diálogos, com ele cabalando votos para o filho. Hoje apareceu outro áudio, desta vez de uma reunião na noite de ontem do deputado Delegado Valdir com outros deputados do PSL. O deputado chama o presidente de vagabundo e afirma que tem uma gravação que pode implodir o governo.
Vejam o que ele disse: “Eu vou implodir o presidente. Aí eu mostro a gravação dele. Eu tenho a gravação. Não tem conversa, não tem conversa. Eu implodo o presidente. Acabou o cara. Eu sou o cara mais fiel a esse vagabundo. Eu votei nessa porra. Eu andei, no sol, 246 cidades gritando o nome desse vagabundo”. A existência do áudio foi revelada nesta tarde pelo site O Antagonista, que depois teve a confirmação do deputado Delegado Valdir sobre o conteúdo das gravações. Ele só não disse ainda o que exatamente tem para implodir Bolsonaro.
Como consequência da briga com o partido, Bolsonaro rompeu com a deputada Joice Hasselmann, figura emblemática de seu governo e uma das primeiras pessoas a ficar do seu lado na disputa pela presidência da República. Nesta quinta-feira a deputada foi destituída por Bolsonaro da liderança do governo no Congresso e soube pela imprensa da perda do cargo.
Depois de ser tirada da liderança, Joice andou falando a colegas deputados que mandou uma mensagem ao ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo. Ela fez uma lista dos aliados que Bolsonaro demitiu até agora e disse que o próximo será ele. Ramos é general da ativa e tem amizade de muitos anos de Bolsonaro. Nem assim ele conseguiu convencer parlamentares do PSL a apoiarem Eduardo Bolsonaro para a liderança do partido na Câmara.
Esta é a condição política dramática de Bolsonaro, resultado de seu espírito de deputado de baixo clero. Mesmo com o poder da caneta ele não consegue ter articulação política nem internamente em seu partido. E os filhos que ele colocou na política herdaram sua incapacidade de convencimento. Eduardo Bolsonaro ocupa a presidência estadual do PSL em São Paulo e foi o deputado mais votado do estado. Mas mesmo assim é fraquíssima sua influência entre os correligionários. Da mesma dificuldade de liderança padece Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro e presidente do partido no estado. No mês passado, Flávio determinou a saída do PSL da base do governador, mas ninguém obedeceu.
Bolsonaro conseguiu a façanha inédita na política brasileira de ser o primeiro presidente da República que não tem o respeito nem do seu próprio partido, que dirá dos outros. Os poucos projetos relevantes de seu governo, como a reforma da Previdência, foram também tomados por lideranças de outros partidos na Câmara e no Senado, sofrendo mudanças e sendo encaminhados sem a sua interferência. O governo só se movimenta quando se manifestam forças externas a seu comando.
A coisa está feia para o homem que a ministra Damares Alves profetizou que comandará o Brasil nos próximos 16 anos. Parece que a ministra pirou de novo na goiabeira. Se Bolsonaro completar os quatro deste mandato já vai ser um milagre.
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POR José Pires
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