terça-feira, 23 de abril de 2013

Educação lucrativa

A rede de ensino privado Kroton Educacional anunciou um acordo para incorporar a Anhanguera Educacional. A fusão das duas maiores companhias de ensino privado do país é avaliada em R$ 5 bilhões e vai criar um gigante com valor de mercado de R$ 12 bilhões. É claro que isso é mais uma jogada no lance dos negócios na Bolsa de Valores e maior lucratividade. Ou alguém acredita que o gigantismo comercial é capaz de promover uma boa educação? Obviamente isto não virá, no entanto as ações já disparam.


A fusão formará o maior grupo privado de educação do mundo e as duas empresas anunciam isso como uma grande vantagem para um país que tem um sistema educacional que permite uma coisa dessas. Em teleconferência, o presidente da Kroton, Rodrigo Galindo, disse com orgulho que o peso financeiro da empresa que terá ele como presidente-executivo será “o dobro do valor da segunda maior companhia do mundo, a New Oriental”. Este é o momento em que o brasileiro sensato deveria perguntar por que em vários países muito melhores em educação não existe este interesse em ter a “primeira” companhia de educação privada do mundo. O negócio ainda precisa ser aprovado pelo CADE, mas quando colocam algo assim em andamento é sinal de que tem malhas abertas naquele órgão.


O foco de uma associação dessas é a rentabilidade e não o aprimoramento da educação. O mercado de ações é um excelente balcão de negócios. Hoje o site da revista Exame publica um gráfico interessante das duas empresas. Vejam na imagem. Antes do acordo, as ações da Anhanguera vinham numa queda impressionante e no dia 1º de abril, no que até parece até uma ironia, começou uma notável recuperação. Até que em 8 de abril as ações deram um vigoroso e llucrativo salto.


Por este gráfico a gente vê como é importante aprender algumas lições no lugar certo. Se no final de março eu tivesse a informação sobre esta fusão eu poderia ter ganhado um dinheirinho ao menos para comprar em sebos uns livros usados para aprimorar a minha educação.
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POR José Pires

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