O poeta morreu de cirrose hepática e nos últimos anos de vida estava em condição física lastimável. Cheguei a vê-lo nessa época em São Paulo e realmente sua situação era triste. Estava destruído pelo álcool. A discordância principal da família com este livro foi Pelegrini ter destacado este lado muito sofrido da vida de Leminski.
De fato, a breve biografia escrita por Pelegrini carece bastante de lembranças sobre o vigor de Leminski, com as indicações das fontes (especialmente artísticas) onde ele tirava tanta energia para fazer a obra que, a meu ver, infelizmente ficou pelo meio. Faltou-lhe tempo de vida até para revelar o que realmente era capaz de produzir, o que dificulta qualquer avaliação conclusiva. A morte precoce acabou criando um mito, o que faz muitos o elevarem a uma altura literária que nada tem de real.
Pelegrini teve com Leminski uma amizade de mais de vinte anos e por isso teria possibilidade de dar ao leitor um bom relato pessoal sobre as fontes da qualidade do amigo como criador e também como o vibrante provocador de polêmicas. Daria para fazer isso sem deixar de lado a tragédia pessoal do retratado, que evidentemente tem um peso essencial em sua vida. Talvez seja pelo pouco que o autor dedicou às boas coisas da vida de Leminski que este lado do sofrimento tenha soado muito negativo.
Mas, enfim, o que está agora nas livrarias é a visão de Pelegrini, que ele tem todo o direito de expor. Era intolerante a tentativa de censura feita pela família, que agora a Geração Editorial resolveu enfrentar, sob o risco de sofrer um processo. Isso é possível, enquanto o STF não julgar em favor dos biógrafos uma ação que está no tribunal.
A editora pesou a mão na escolha da imagem da capa do livro. É uma foto dos últimos anos de Leminski, que o mostra já bastante debilitado pelo álcool. A imagem destaca exatamente a falha que comentei sobre o texto. A capa do livro dá ao leitor a sensação de que são nada boas as lembranças de Leminski.
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Por José Pires
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