Porém, o crítico destaca uma diferença de visão artística, que torna a figura fantástica e onírica e que dá ao desenho o caráter de um ser nascido da imaginação, que não pode ser visto em absoluto como Deus. Este é um ser nascido de sua criação ao qual ele deu o nome de Urizen. E como Blake não considerava o mundo lá essas coisas o criador está numa atmosfera sombria e tempestuosa.
A palavra gênio deve ser bastante economizada em toda a história da literatura e da arte, mas para Blake ela cabe nos dois ramos. A lembrança de seu nome por E. H. Gombrich, que o cita em destaque no livro "A história da arte", já é uma demonstração da sua importância. O crítico ensina que o poeta foi o primeiro artista, depois da Renascença, que fez uma obra fora dos padrões aceitos da tradição. E seus contemporâneos não gostaram nem um pouco disso. Na própria Inglaterra sua arte demorou quase um século para ser reconhecida.
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Por José Pires
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Imagem- William Blake: O ancião dos dias; Calcogravura com aquarela, 1794.
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