quinta-feira, 29 de maio de 2014

O visionário da imagem e do texto

"O ancião dos dias" é uma das obras mais conhecidas do poeta inglês William Blake. Ele também desenhava e ilustrava não só seus poemas como também os textos de outros escritores. Fazia isso mais para ganhar a vida, mas acabou deixando uma obra gráfica de alta qualidade também como ilustrador. Dizem que ele fez esta estranha figura com um compasso depois de ter uma visão dela pairando no topo de uma escada. Ele viu o ser medindo do alto o universo. Escrevendo sobre Blake, o grande crítico E. H Gombrich nota que existe algo de Miguel Ângelo nesta figura, influência que de fato percebe-se em todos seus trabalhos.

Porém, o crítico destaca uma diferença de visão artística, que torna a figura fantástica e onírica e que dá ao desenho o caráter de um ser nascido da imaginação, que não pode ser visto em absoluto como Deus. Este é um ser nascido de sua criação ao qual ele deu o nome de Urizen. E como Blake não considerava o mundo lá essas coisas o criador está numa atmosfera sombria e tempestuosa.

A palavra gênio deve ser bastante economizada em toda a história da literatura e da arte, mas para Blake ela cabe nos dois ramos. A lembrança de seu nome por E. H. Gombrich, que o cita em destaque no livro "A história da arte", já é uma demonstração da sua importância. O crítico ensina que o poeta foi o primeiro artista, depois da Renascença, que fez uma obra fora dos padrões aceitos da tradição. E seus contemporâneos não gostaram nem um pouco disso. Na própria Inglaterra sua arte demorou quase um século para ser reconhecida.
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Por José Pires

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Imagem- William Blake: O ancião dos dias; Calcogravura com aquarela, 1974.

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