
O Departamento de Operações Estruturadas, setor criado na Odebrecht para propinas, funcionava regularmente, muito bem azeitado com verdinhas. Milhões estavam em disponibilidade tanto para caprichos pessoais, como um sítio de surpresa para Lula no final do segundo mandato, como também para negociatas intercontinentais na África. Sobrava dinheiro também para falcatruas eleitorais, como a compra de dossiês. E dava-se um jeito de atender agrados ao time do coração de Lula, como foi a construção do Itaquerão. Nesse ritmo, mesadas eram como se fossem trocados, dinheiro de pinga. O chamado Frei Chico, irmão de Lula que foi seu mestre político no início da vida sindical, tinha a dele, inclusive com direito a aumento. Até o ex-deputado e mensaleiro condenado, José Genoino, teve a mesada dele, além de tudo voluntária da parte da empresa, conforme contou em depoimento como delator o diretor Alexandrino Alencar. Ou seja, na Odebrecht a grana saía sem nem precisar pedir.
É claro que tamanho numerário, disponível em tal clima de facilidades, havia de despertar cobiças internas, com o risco de desvios dos próprios administradores da propina. E isso aconteceu de fato. Era até pra ser engraçado, se no fundo, como acontece com qualquer corrupção, tudo não ficasse na nossa conta. A Odebrecht foi vítima de gatunos na própria fonte da ladroagem contra o país. Marcelo Odebrecht revelou que perderam o controle do esquema e que houve roubo interno no departamento da propina. O valor desviado internamente não foi revelado. Mas é claro que essa corrupção dentro da corrupção só ocorreu por uma inacreditável falta de percepção dos chefões da Odebrecht. Ora, eles tinham a obrigação de saber que hoje em dia não dá para confiar em ninguém.
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POR José Pires
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