O ministro Alexandre de Moraes determinou neste domingo a retirada do ar da reportagem “Exclusivo: em interceptação da PF, Marcola declara voto em Lula”, publicada ontem no site O Antagonista. A exclusão do material jornalístico foi feita a pedido da campanha de Lula. Escrevi ontem sobre esta reportagem. O Antagonista define como censura a ordem do ministro do STF e presidente do TSE. Concordo com a interpretação do site — foi mesmo censura. A justificativa de Moraes não tem fundamento e, além disso, abre espaço para exploração política da decisão. Para o presidente do TSE, trata-se de “divulgação de fato conteúdo sabidamente inverídico”. O Antagonista refuta o argumento, explicando que “a matéria reproduz áudios obtidos pela Polícia Federal, no âmbito da operação Anjos da Guarda, com autorização judicial”. Portanto, embora a decisão de Moraes induza ao entendimento de que o site faz a publicação de “conteúdo sabidamente inverídico”, o que implica em grave prejuízo para um veículo jornalístico em sua credibilidade, sua argumentação baseia-se numa justificativa totalmente subjetiva dos advogados da campanha de Lula no pedido de exclusão da matéria jornalística. Segundo O Antagonista, Moraes acolheu “sem direito ao contraditório, argumentos dos advogados da campanha do petista”. A alegação dos advogados de Lula é de que “na condição de condenado por decisão transitada em julgado, Marcola está com seus direitos políticos suspensos (artigo 15 da Constituição Federal) e, enquanto persistir essa situação jurídica, está impedido de votar”. A matéria, cabe apontar, fala em declaração de voto em Lula, feita por Marcola, líder do PCC. A decisão de Moraes seria de espantar, mas isso em outra condição política, com um país menos bagunçado moralmente, com um equilíbrio ao menos razoável na aplicação da Justiça. A justificativa para censurar a matéria se sustenta em um argumento que em outras situações inviabilizaria a publicação de um vasto volume de material jornalístico. E evidentemente torna uma acusação sem sentido a sentença de “divulgação de fato conteúdo sabidamente inverídico”. Este caso lembra bastante as inumeráveis argumentações alegadamente jurídicas em torno dos processos contra Lula, muitas vezes defendidas por advogados em pleno tribunal, mas que eram evidentemente a produção de material de propaganda e exaltação pública da figura do candidato do PT, de uso inclusive posterior para reescrever história política. É mais ou menos o que ocorre quando conquistam por meio de lobbies políticos alguma declaração favorável a Lula em certos “comitês” de instituições internacionais, como fizeram na ONU. O ministro do STF acolheu a argumentação de que a falta do direito de votar não permite dizer que alguém faz uma declaração de voto. Como eu disse, essa manobra de linguagem inviabiliza escrever sobre muita coisa. E como ficaria, do mesmo modo, a produção de pesquisas? Só vale se o entrevistado provar que é eleitor. É uma forma de julgamento até engraçada — no sentido tragicômico —, pois transporta para o exercício do Direito a forma de acabar com um debate que se usa nas redes sociais, por meio de artimanhas, com ataques subjetivos, sem levar em conta o que o outro está realmente dizendo. A decisão pode ser derrubada, porém, o simples fato dessa censura ser cogitada com este argumento, mostra que a coisa vai mesmo muito mal neste nosso Brasil. Alerto para o que se abre de brecha para a imposição do medo de escrever qualquer coisa. Nem vou dizer que o país está se encaminhando para uma situação extremamente perigosa, pois já estamos envolvidos por um ambiente de ruína política e moral, que vez por outra descamba para a insensatez. E tem seu lado cômico também, ainda que o riso aconteça com certo temor. Neste rumo, mais um pouco e teremos gente condenada e presa sob a acusação de produzir metáforas. ___________________ Lula saiu da cadeia, mas a cadeia não esquece dele. O site O Antagonista publicou na noite deste sábado uma matéria explosiva sobre a declaração de voto em Lula feita por Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. A preferência do líder do PCC pelo candidato do PT está em diálogos obtidos pela Polícia Federal na operação Anjo da Guarda, investigação que desmontou um esquema que pretendia libertar da prisão pela força líderes do crime organizado, entre eles o próprio Marcola, que foi pego em gravações de diálogos com parceiros do crime e advogadas. A polícia monitorou as conversas entre Marcola, sua mulher Cynthia Giglioli da Silva Camacho e advogadas, além de comparsas que estão presos com o líder do PCC. Nos áudios, eles falam da esperança de que a mudança de governo os favoreça, inclusive com a transferência para um presídio em Brasília, desejo de Marcola, que se queixa do regime de isolamento na prisão em que está atualmente, em Porto Velho.. Numa conversa, a PF captou Cláudio Barbará da Silva, comparsa de Marcola, dizendo que espera que, se eleito, Lula faça um “trabalho excepcional”. Ele recebia a visita na prisão da advogada Vanessa Jeniffer Cabral. A advogada concorda, reforçando o elogio ao petista: “Ele é bom. Acredito que ele fica 4 anos, pela idade dele, para limpar, fazer um trabalho excepcional”. Um interesse na troca de governo, com o retorno de Lula, está na amenização do regime carcerário enfrentado pelo chefe do PCC. Em outra gravação, Marcola reclama das condições duras impostas na carceragem de Porto Velho, ao que é tranquilizado pela sua mulher, Cynthia Giglioli da Silva Camacho: “Então, você vai ficar aqui provavelmente até a eleição, trocou o governo cê volta (sic) passando as eleições, você deve voltar para Brasília porque o muro que fizeram lá era por causa de você”. Os políticos costumam dizer que voto não se recusa, não sei se é o caso de voto com esta origem. No entanto, a simpatia política do PCC por Lula faz sentido, afinal uma pauta histórica da esquerda é a do fim do rigor carcerário. A questão que interfere nesta discutível boa vontade com criminosos é que o relaxamento do rigor com o crime organizado facilita o controle dos chefes a partir da cadeia. Também é por este meio que são emitidas ordens de assassinato de adversários e até mesmo de autoridades públicas. Um dos parceiros de cadeia que aparece nos áudios captados pela PF é Reinaldo Teixeira dos Santos, o Funchal. Ele foi condenado em 2003 pelo assassinato do juiz corregedor Antônio José Machado Dias. Na conversa com a advogada Vanessa Jennifer Cabral, Funchal fica satisfeito ao saber do fim dos processos da Lava Jato contra Lula no STF. Ele chega a fazer piada com a advogada: “Então tá bom, legal, vota nele em doutora, não vai votar de novo no Bolsonaro”. Noutro diálogo em que aparece Marcola, o líder do PCC dá uma opinião que mostra que até mesmo os bandidos se sentem obrigados à optar pelo menos pior nesta eleição, ficando com Lula mesmo sem ter dúvida da desonestidade do candidato do PT. Ele acha que apesar de ser um “pilantra”, Lula é melhor que Bolsonaro. “Ah, mas… para nós o Bolsonaro é pior (…) O Lula é ladrão mesmo, pilantra entendeu… só que é o seguinte, irmão. Essa fita do Covid mesmo, o Bolsonaro deu uma mancada. Bolsonaro é parceiro da política, da milícia. Cara é sem futuro. O Lula também é sem futuro, só que entre os dois, não dá nem para comparar um com o outro”, diz Marcola. Em véspera de eleição, a matéria cai como uma bomba, por isso evidentemente os petistas vão tentar colocá-la sob suspeição, no entanto O Antagonista tem credibilidade. E a simpatia política de chefes do crime organizado por Lula faz todo sentido. A maquinação política para tirar o candidato do PT da cadeia, entre outras facilitações para escapar de punições, levou ao fim da prisão em primeira instância, por exemplo. Claro que este benefício se estende ao crime comum. Só por isso já valeria o agradecimento eterno dos criminosos, pelos processos se estendendo infinitamente. Mas outras amaciadas nas leis vêm sendo criadas pelas chamadas "políticas garantistas” da esquerda, que receberam apoio unânime entre o que há de pior entre os políticos brasileiros. Dependendo do resultado da eleição, essa impunidade pode avançar bastante a partir do ano que vem. ___________________
domingo, 2 de outubro de 2022
Antagonista sofre censura de Alexandre Moraes
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sábado, 1 de outubro de 2022
Casagrande, Neymar e a consciência social do nós contra eles
O pessoal da adesão incondicional ao Lula pegou o jogador Neymar como alvo de ataques neste final de campanha, por causa da sua declaração de voto em Jair Bolsonaro, com direito a “dancinha” no TikTok. Nesta indignação ensaiada destaca-se Walter Casagrande, figura que atua como um mentor intelectual desse tipo de manipulação política. O ex-jogador e ex-comentarista da Rede Globo está em todas e é o mais animado da torcida quando — por interesse partidário, em armações na obscuridade — coloca-se em campo algum plano de destruição de reputação, o chamado “cancelamento” que atormenta a vida de uma pessoa. Por ideologia tosca e mal aprendida em seus próprios termos, Casagrande é um aplicado quebrador de canelas.
Ora, seria ridículo acreditar que Neymar precisa fazer dancinha para Bolsonaro para que se fique sabendo que suas decisões não se guiam por princípios éticos ou em razão de interesses que não sejam absolutamente de lucro pessoal. Ninguém que tenha sensatez precisa disso, Casagrande muito menos, mesmo porque ele tem como estilo ficar futucando na vida dos outros em vez de se ater ao aspecto técnico do que está comentando. Faz isso também na política, quando acaba por desmerecer mesmo pautas razoáveis, por causa do tom pessoal das suas críticas sempre mal fundamentadas, com falta de respeito à opiniões discordantes, baixando o nível em desqualificações com base apenas no fato dele não gostar do posicionamento político do outro.
Indignado com a dancinha de Neymar favorável a Bolsonaro, ele produziu uma sintética avaliação do caráter social do jogador, além de fazer uma promessa que mesmo o torcedor mais neófito em política verá como uma tolice: “Neymar mostrou sua incoerência, alienação e falta de consciência social. Não torço contra a Seleção, mas de hoje em diante, não torcerei mais quando Neymar estiver em campo. Sabem por quê? Porque eu amo o meu país”.
Nada como tratar de um gênio político como Casagrande. Ele reformulou aquele velho argumento lógico que dizia o seguinte: “Todo homem é mortal. Sócrates é homem. Logo, Sócrates é mortal”. A nova premissa usaria outro Sócrates, o grande jogador do Corinthians. Então ficaria assim: “Sócrates tem consciência social. Logo, Sócrates é um craque”. Até hoje Casagrande deve pensar que era para ver a faixa de “Diretas Já!” na cabeça do Sócrates que os torcedores lotavam os estádios.
Seria engraçado saber do próprio Casagrande como é que um técnico poderia formar um time baseado na qualificação política que, conforme o que escreveu, parece estar acima de outras necessidades técnicas em campo. Neste entendimento, ele com sua “consciência social” faria bonito numa Copa do Mundo. O alienado Messi teria que encarar o barrigão do craque em ciência política. Outra coisa: a vida dos torcedores se complicaria muito, caso fosse aplicada sua visão de mundo, além de que os jornalistas esportivos seriam obrigados a falar do preparo físico dos nossos craques sem deixar de lado as referências quanto ao comportamento político de cada um.
Casagrande se enquadra no padrão básico de atitudes que faz tempo que a esquerda vem tendo neste país. A azucrinação se acirrou durante esta eleição. Do mesmo modo que a sua radical interpretação, digamos, social, a partir de uma dancinha de TikTok, esse comportamento é contraproducente também na política. Esse “nós contra eles” entra até na vida familiar, dividindo as pessoas, acabando com as amizades. A vida fica insuportável, e pode ter efeito reverso, como constatamos pela eleição de Jair Bolsonaro, que teve origem exatamente na brigaiada vazia que o PT colocou em prática quando esteve no poder.
E pelo que estamos vendo até agora, na véspera da votação, a infernização retornará caso haja a volta do PT ao poder. O próprio Lula não demonstrou a compreensão da importância de não estimular a confusão entre o papel dos que votam em Bolsonaro e de seus seguidores mais fiéis. Essa falta de estratégia vai acabar criando um ambiente para a criação pela direita de uma força política de massas a partir do ano que vem, independente do resultado da eleição.
Os brasileiros, no geral, sempre tiveram o hábito de depositar o voto na urna sem levar para casa as paixões da política. Qual é o sentido do eleitor passar a seguir, depois, com fanatismo, o candidato eleito? O país ganha mais se todos se juntarem como cidadãos na cobrança. O governo do PT já havia acabado com isso. E voltaram com tudo na campanha deste ano, com um vale-tudo que favorece a direita, pois traz exatamente o que eles precisam para manter o caldo de cultura que deve inclusive fortalecer uma sobrevida vigorosa a partir do ano que vem, mesmo com a derrota de Bolsonaro.
O Brasil é o país do futuro atormentado, mas o ano ainda está correndo. O PT criou ainda mais ressentimentos com sua estratégia de plantar na mídia uma vitória de Lula no primeiro turno, o que na minha opinião não acontecerá. Ciro Gomes já tinha visto que o cancelamento por falta de “consciência social” não é só com o Neymar. Simone Tebet também. Ou Felipe D’Ávila e Soraya Thronicke. Se nenhum deles passar para o segundo turno, o interessante seria ver como é que seus eleitores serão convencidos a esquecer os tapas na cara. É capaz do Lula ser obrigado até a esclarecer o que pretende fazer como presidente.
Vamos ver o pau comer neste país. Se o enfrentamento final for entre Lula e Bolsonaro, por consequência haverá muita dificuldade do PT convencer quem votou na chamada terceira via que Lula é uma opção menos pior para o Brasil. Acredito que eleitores com votos que definiriam facilmente a eleição vão apenas assistir ao espetáculo de troca de porradas, sem nenhuma preocupação sobre a “consciência social” de qualquer um dos lados.
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sexta-feira, 30 de setembro de 2022
Lula e o plano do retorno do Brasil do vale-tudo
Existe uma definição muito boa sobre o personalismo na política, nesta crença tola em salvadores da pátria, que é a frase “pobre do país que precisa de heróis”. O ponto preciso é de que só uma sociedade arruinada em quase tudo pode acreditar que pode haver salvação por este caminho, daí o lamento. E o que dizer então de um país que precisa do Lula como herói? Ora, talvez seja o cara certo, porque pelo menos não teremos que encarar o esforço de trabalhar para repor valores morais, que é a maior complicação numa sociedade em destruição, como a nossa. Calma, eu sei que a honestidade é a base de qualquer trabalho de valor efetivo, ainda mais quando o objetivo é do interesse de todo o país. Mas esta a única razão que vejo como justificativa dessa corrida para apoiar a eleição de Lula, ainda mais com a alegação de “luta contra o fascismo”, que chega a ser insultuosa para verdadeiros heróis que no século passado combateram realmente fascistas, em tempos que duvido que esses bravos guerreiros da atualidade teriam coragem de sair nas ruas com essa conversa fiada. Dá até tristeza pela condição terrivelmente antiética em que é jogado o Brasil, com esta incondicional adesão a um político que já demonstrou do que é capaz em matéria de imoralidade e noutras tretas em proveito próprio. A justificativa da luta pela democracia, ou contra o fascismo, só serve para passar menos vergonha por estarem colocando em prática aquele jargão de outros tempos difíceis dessa pátria desmantelada, na canção daquele sujeito que é ao mesmo tempo menestrel e guru na corte de Lula, que cantava “Chame o ladrão, chame o ladrão!”. Mas, espera aí: a música era de crítica, companheiros. Lula na presidência será um sério problema prático, uma complicação que ele próprio garante que vai criar para nós, quando garante que está pronto para usar a experiência que adquiriu nos últimos anos. Ele diz que aprendeu muito, o que é assustador. Ainda mais? Eu diria que soa como ameaça, ao contrário dos que o aclamam como libertador do Brasil, todos agitando toalhas com a cara do larápio, marchando contra o fascismo. Lula já teve dois mandatos e mandou nos quatro que completam o período de governos petistas. Seu legado é de uma brutal queda moral que contaminou toda a sociedade brasileira, além de ter causado a destruição da economia do país. Os números provam isso: o legado petista foi de 12 milhões de desempregados. Isso no oficial, é claro, pois os dados não pegam os trabalhadores que desistiram de procurar o que não existe. No final do governo Dilma, o Brasil estava com um déficit de 4,5%. O diagnóstico do desastre administrativo foi apresentado ao próprio Lula pelo jornalista William Waack, na CNN, durante a melhor entrevista feita com o chefão do PT neste período de campanha. Como é de seu costume, Lula negou tudo e ficou apavorado procurando em seus papéis um meio de contestar a verdade. Nada encontrou. O jornalista concluiu então a exposição dos números com a definição exata da consequência para o Brasil da visão econômica do PT: “Nenhum país que não esteve em guerra perdeu tanta renda como o Brasil perdeu ali entre 2014, 15 e 16”. Waack foi claro, mostrando ao chefe político esquerdista o desastroso cenário que surgiu da “ideia de que o Estado seria um grande indutor do crescimento através de volumosos investimentos e papel dos bancos públicos”. Não se pode deixar de acusar a responsabilidade de Jair Bolsonaro e seu ministro Paulo Guedes na vida infernal que os brasileiros estão levando, no entanto — e sempre ressaltando a incompetência e má-fé do atual governo — deram prosseguimento do legado petista. Bolsonaro e Guedes vão entregar o país desgraçadamente parecido ao que foi feito pelas magias petistas da cervejinha e da picanha. Lula resiste a apresentar um plano de governo, mas com este currículo, nem precisa. Que empresa contrataria um administrador como este? Muitas delas, como se vê pela correria de elites de todo tipo — inclusive as novas elites da nossa cultura, como Anitta e Pabllo Vittar — em apoio a um retorno, que o vice Geraldo Alckmin já definiu muito bem como “volta à cena do crime”. Ocorre que, embora não esteja devidamente exposto em um ideário do partido, já está mais que entendido a possibilidade de lucro com os valores morais, digamos, que se estabelecerão com uma volta ao poder como esta. Já existem até estudos sobre o conceito de que o país ganha muito mais fechando os olhos para a corrupção e à incapacidade administrativa. É uma visão tão fora de propósito que não seria acreditável nem numa comédia grotesca sobre o Coringa elegendo-se prefeito de Gotham City com uma plataforma política de combate ao fascismo. No enredo proposto pela esquerda por aqui, na realidade, não se pune empresários ladrões e muito menos políticos idem porque — oh, dó! — senão eles perdem seus negócios. E não há motivo para espanto, afinal já foi avisado faz tempo que eles não têm medo de ser feliz. E tem até o gesto com a primeira letra da palavra “ladrão”. Uma pergunta que faço aos que aclamam um sujeito tão trapaceiro é como faremos mais adiante com a educação dos mais jovens e mesmo nas relações entre todos os brasileiros. Como ficará a ética como conceito de vida depois da volta ao poder de um político que já aceitou a existência do mensalão e que também teve a roubalheira do petrolão na Petrobras? Como Lula mandava nos quatro governos petistas, ele não pode fugir de se enquadrar num dos dois casos. É com esse sujeito que o Brasil será salvo? Então a mensagem clara é de que valerá pouco, quase nada, ter respeito aos princípios morais de qualidade. Aos brasileiros vai ficar a lição de que a aplicação honesta ao trabalho não abre portas para a realização pessoal, talvez nem mesmo para a subsistência — isso não dá futuro, será o conselho ao incauto que estiver agindo corretamente. Viveremos em um país onde quem passou a vida fazendo tudo com dedicação, de forma honesta, poderá achar que errou em defender princípios de dignidade e ética, sentindo que no decorrer da existência deveria ter se aproveitado dos outros? Isso é um tapa na cara dos mais velhos. E sinto dizer que servirá como um mau ensinamento aos mais jovens. É um novo tempo que se anuncia. Uma revolução de costumes, que pode virar até jurisprudência jurídica, com certeza colaborando muito com o projeto de governo petista. Claro que de início será complicado explicar para os filhos e netos esse novo modelo de civilização, mas não há porque se preocupar: em pouco tempo a safadeza será tão normal que nem as crianças terão dúvida de que receberão aprovação ao bater no coleguinha e tomar seu brinquedo. E quem ainda tiver apego a métodos arcaicos de vida, como a honestidade e o respeito ao próximo, que arrume um jeito de se reinventar.
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quinta-feira, 29 de setembro de 2022
terça-feira, 27 de setembro de 2022
Jair Bolsonaro e Lula: para onde vão as massas na campanha e no pós-eleição
Será uma surpresa para mim se Jair Bolsonaro não tiver uma votação expressiva neste primeiro turno. Especialmente nas últimas semanas, apareceram comprovações materiais de um apoio popular à sua candidatura, em manifestações com toda a aparência de espontaneidade, mesmo porque as forças partidárias que apoiam a reeleição do presidente nunca tiveram a capacidade estrutural de levar as massas para as ruas. São partidos com experiência comprovada em arranjos de bastidores e na armação de esquemas de sustentação do governo, seja de que lado for, sem no entanto contar com o antigo aparato do PT, que garante participação com suas linhas de ligação com sindicatos, universidades, organizações civis e até no serviço público.
Entre agosto e setembro quebraram-se também alegações de fragilidade de Bolsonaro para o enfrentamento de entrevistas fora do circuito jornalístico que lhe dá apoio praticamente incondicional. Ele também desmontou com atitudes práticas a afirmação de adversários de que seria um desqualificado para discussão pública com adversários e que por isso fugiria de enfrentá-los em debates.
Ele se saiu bem no Jornal Nacional, a entrevista de maior visibilidade com candidatos neste fim de campanha, ainda mais levando em consideração a desigualdade no tratamento dos entrevistados. O rigor dos apresentadores do noticiário da Rede Globo não mereceria ressalva do ponto de vista jornalístico, se não tivesse ficado muito abaixo em comparação ao que William Bonner e Renata Vasconcelos tiveram com Lula, seu mais importante adversário.
O início da entrevista com Lula vai ficar na carreira de William Bonner como uma mancha complicada de explicar, com uma afirmação que soou como se tivesse sido soprada pelo marqueteiro da campanha petista. Falando sobre corrupção, Bonner disse que o ex-presidente envolvido em dois grandes esquemas de corrupção, o mensalão e o petrolão, “não deve nada à Justiça".
Nem de longe, mas longíssimo mesmo, Bolsonaro recebeu durante a entrevista algo parecido para seu uso político e eleitoral. Ciro Gomes tampouco saiu do programa levando para sua campanha uma conceituação tão favorável em relação a um sério problema de imagem, como aconteceu com Lula. A acolhida favorável tocou numa fragilidade política do petista. Cabe registrar a fala do jornalista da Rede Globo.
“O Supremo Tribunal Federal deu razão, considerou o então juiz Sergio Moro parcial, anulou a condenação do caso do tríplex e anulou também outras ações por ter considerado a vara de Curitiba incompetente. Portanto, o senhor não deve nada à Justiça”, disse Bonner. O marqueteiro João Santana não faria melhor, nem mesmo o criador original de Lula, o falecido Duda Mendonça. É quase uma sentença de absolvição. Foi a mais fantástica fake news desta eleição, feita ao vivo para milhões de telespectadores pela rede de televisão mais poderosa do país.
Claro que teve um aproveitamento total depois, por Lula e seu marketing de campanha. O petista até agradeceu com cinismo: “Adorei o comportamento do Bonner, quando ele teve a coragem de dizer: ‘Hoje, o senhor não deve nada’”. Depois, a mensagem foi sendo repassada infinitamente nas redes sociais. Equivalente a este mimo político, seria Bonner falar a Bolsonaro que o presidente nada deve em relação ao enfrentamento da pandemia. Ou dizer que Ciro Gomes é uma flor de pessoa.
A desconsideração proposital que era feita a Bolsonaro, de que fugiria de debates em razão de deficiência pessoal, teve também um desmentido cabal com a participação na TV Bandeirantes, no primeiro encontro entre candidatos, com o conhecido peso histórico nas eleições. Neste debate foi também demolido o mito de Lula como um grande debatedor político e obrigou sua retirada de cena, para se expor unicamente para plateias previamente organizadas em ambientes favoráveis.
Não tenho dúvida de que a falta de reação do chefão do PT aos ataques de Bolsonaro acendeu um alarme entre os dirigentes petistas, que até então tinham uma convicção religiosa na inteligência política de Lula e na sua capacidade pessoal em um embate cara a cara com adversários. Para mim, a tática extrema da busca de resolver a eleição no primeiro turno tem mais a ver mesmo com a dificuldade prevista em um encontro frente a frente com Bolsonaro. Na minha opinião, dos candidatos que aí estão, só Ciro Gomes tem garra pessoal para este enfrentamento direto.
O cenário com Lula em um segundo turno, no embate um a um, traz maiores motivos de preocupação. Outra complicação que deve ter causado tremores entre os dirigentes petistas é a dificuldade da campanha em atrair apoio popular visível, mostrando um estímulo eleitoral de massas, para Lula não ser sustentado tanto pelo poder financeiro da campanha – já chegaram no limite de 86 milhões de reais, falando só do oficial. É curioso que não haja uma aclamação nas ruas em torno de um candidato que se diz que vai ganhar no primeiro turno.
Essa ausência das massas populares é mais um acontecimento inesperado para os petistas, igualmente com uma surpresa reversa: é Bolsonaro e não Lula que mostra nas ruas um apoio vibrante de multidões sem uma relação direta com militância partidária ou de classe. São pessoas de idades variadas, muitos jovens e muitas mulheres – é bobagem a gozação esquerdista de que o candidato sustenta-se com seguidores da terceira idade.
O que Bolsonaro e sua equipe vão conquistar em votos com este ambiente favorável à participação popular dependerá da capacidade técnica da sua campanha, que terá sua constatação em poucos dias. Mas o prolongamento dessa força popular é garantido, independente de qualquer resultado eleitoral. E não existe garantia de que com a derrota de Bolsonaro seja bolsonarista este movimento de massas. Já escrevi várias vezes que vejo este amplo posicionamento coletivo contrário à esquerda no Brasil concentrado em Bolsonaro, mas de forma alguma tendo ele como condutor.
É uma massa de brasileiros que vai dar o tom do próximo mandato presidencial, com muita gente pronta para ir às ruas em oposição ao governo de Lula, caso ele seja eleito. Neste caso, cumprindo um papel estabilizador, o que pode ser favorável ao país: na minha visão, um governo petista trará muito risco ao Brasil. E no longo prazo, bem organizada e com boa condução, essa massa de brasileiros poderá dar à política brasileira um clima de maior equilíbrio, em termos de poder em todas as instituições. Como se diz, quando não dá para garantir o que vem pela frente: quem viver, verá.
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segunda-feira, 26 de setembro de 2022
quinta-feira, 22 de setembro de 2022
Vladimir Putin: o vingador do passado
Tempos difíceis, não? Quem diria que no Terceiro Milênio viveríamos aterrorizados por uma figura de antiquário. Putin não só parece um ditador dos anos 1950, talvez um tanto mais atrás. Seu anacronismo é autêntico, inclusive pela base de seu poder, uma potência nuclear sustentada pela exportação de commodities.
O clima político de Guerra Fria fica perfeito nestas cenas que parecem de histórias de vilão do comunismo, em filmes americanos de décadas atrás. Só ficaria mais no tom se fosse Ronald Reagan o presidente dos Estados Unidos, mas aí seria pedir demais em matéria de metalinguagem.
É de dar medo. Poderá ser o fim do mundo se acabar o papel do fax ou um telefone desses não der linha na hora de reverter a ordem do ataque nuclear.
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quarta-feira, 21 de setembro de 2022
Lula e seu pior inimigo: um passado da queda moral e da quebradeira da economia brasileira
Nesta eleição, Lula voltou a fazer seu velho jogo de aliciar muitos partidos por meio de promessas de cargos e sabe-se lá o que mais, montando um quadro eleitoral favorável. O exemplo de São Paulo serve para provar a montagem deste esquema obscuro que sustenta depois o mito de ganhador de eleição por meio do carisma político. Na disputa pelo governo paulista houve também a anulação de candidaturas, sejam aliados ou inimigos, que poderiam complicar para o lado do chefão do PT. Lula parte para o ataque direto ou apela para o aliciamento.
Contra Sergio Moro articularam a demolição da sua própria possibilidade legal de se candidatar para qualquer cargo em São Paulo. Guilherme Boulos foi presenteado com futuras mordidas em fatias do poder. Deram até o cargo de vice na chapa de Fernando Haddad para a esposa de Márcio França, uma mulher que nunca disputou cargo eletivo algum. Com esse mimo familiar, França abandonou o sonho de voltar ao Palácio Bandeirantes e virou candidato ao Senado, sabe-se lá com quais vantagens de campanha garantidas por Lula.
Foi com jogadas parecidas em vários estados, anulando obstáculos e formando artificialmente um ambiente favorável ao seu interesse, que Lula ganhou força, além de sua candidatura dispor de uma dinheirama – quinze dias antes da hora do voto já tinha alcançado o limite legal de 86 milhões (isso, milhões!) de reais, apenas no oficial, sem falar na mansão em que foi morar na capital paulista, alugada não se sabe por quem, que evidentemente não entra na contabilidade obrigatória do TSE.
Sejamos francos: com esses arranjos, até o “carisma” do eterno candidato Eymael faria diferença nesta eleição. E aqui cabe expor uma questão. Já se vão 40 anos com ele mandando em um partido e tendo o apoio, ano após ano, das mais variadas instituições civis, como sindicatos, movimentos organizados do meio rural e das cidades, além da relação estreita com a imprensa e as universidades. Lula ainda precisa desse esquema todo para confrontar um candidato desprezível, do feitio de Jair Bolsonaro?
Primeiro, o óbvio, o ex-trabalhador há muitas décadas sabe muito bem que não é pelo carisma que ele se mantém por tantos anos em destaque na política brasileira. E depois, Lula com certeza tem o conhecimento, com dados e avaliações de especialistas e cercado de conselhos de políticos experientes, de que não é contra Bolsonaro a disputa deste ano, do mesmo modo que não foi Bolsonaro o adversário da eleição passada.
Lula e seu partido se movimentam contra forças sociais que nasceram dos erros e das más intenções dos governos em que ele mandou. As políticas que arrasaram o país moralmente e na economia trouxeram o risco de gerar um monstro, que poderia ser qualquer político com o senso de oportunidade de aproveitar-se da desgraça. Foi por acaso que este oportunista se chamava Bolsonaro.
Pesam também contra Lula e o PT as atitudes políticas no governo ou na oposição, criando divergências destrutivas entre a população, intrometendo-se nos valores religiosos e morais das pessoas, estabelecendo um discurso de desrespeito à opiniões contrárias que trouxe ao Brasil um clima de divisão até entre familiares, de irmão contra irmão, amigos que não mais se falam. E teve também a impressionante roubalheira, no revolucionário método do rouba e não faz.
O ódio passou a prevalecer sobre o sentimento de amor e amizade, do respeito ao que o outro fala. E claro que vou concordar se disserem que isso é o que faz Bolsonaro, no entanto com a observação de que o caldo de cultura dessa cizânia nacional e de tanta maldade veio da pioneira prática petista – primeiro para ganhar eleições e depois dividindo a opinião pública e atiçando ódios para manter-se no poder e tocar um projeto político que não tem em vista a alternância no poder.
Que Bolsonaro é um coisa ruim, não se questiona. Cabe, no entanto, juntar aos seus malefícios a compreensão de que ele alcançou o poder alavancado pelo ambiente criado pelo PT no país.
A medida do significado do ressentimento popular pelo período petista está neste esforço extraordinário exigido de Lula para se contrapor ao presidente mais asqueroso que este país já teve que suportar. Usando a linguagem do próprio, Bolsonaro é o torturador que não faz questão de parecer bonzinho. Isso é com o Lula. O legado que se volta contra o PT é tão pesado que, mesmo depois de Bolsonaro ter feito até gozação com a terrível mortandade que abalou o Brasil, sua popularidade se mantém com uma extensão capaz de juntar multidões em todo o país, como se viu neste Sete de Setembro.
E que não se acredite que milhões de pessoas saíram às ruas nesse dia movidas por uma liderança carismática de direita. A motivação é muito mais poderosa e terá continuidade a partir do ano que vem. O PT sabe disso, mas suas lideranças não estão em condição de se ocupar agora do pós-eleição. A complicação mais urgente é a de encarar um segundo turno neste clima. Daí o esforço de resolver tudo no primeiro turno.
Vem disso tudo a preocupação em criar um oponente com uma imagem diabólica, o “genocida”, “fascista” e outras definições que não se encaixam de verdade nos crimes de Bolsonaro, que foram terríveis, mas não podem ser caracterizados dessa forma, a não ser que se reescreva a História. Como farsa, é claro. A estratégia é antiga: valoriza-se ao extremo o perigo do oponente, estimulando o orgulho da participação na sua derrota. O sujeito é um ogro, não tenho dúvida. Mas os petistas não ficam com vergonha de ter que piorar a imagem até de um ogro para obter vitória?
A questão é se desta construção eleitoral nascerá energia maior do que o peso da rejeição ao estado de coisas terrivelmente negativo, que veio do período petista de poder. Lula criou uma herança maldita para ele mesmo e junto com isso pode ter estabelecido a impossibilidade de convencer os brasileiros de que não é pior do que um adversário terrivelmente insuportável.
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sábado, 16 de janeiro de 2021
Bolsonaro pego na mentira pelo Twitter
Já que o Ministério da Saúde não avisa, o Twitter fez o serviço: o presidente Jair Bolsonaro é um mentiroso. Nesta sexta-feira, o Twitter sinalizou uma publicação em que Bolsonaro novamente recomenda tratamento e remédios sem comprovação científica contra a Covid-19.
Como se sabe, Bolsonaro usa este recurso mentiroso desde que começou a pandemia do coronavírus, que na sua opinião não iria passar de mil mortes — já causou mais de 200 mil, isso em registros oficiais, que são números defasados. O pior presidente da nossa história já chegou a oferecer hidroxicloroquina até para as emas do gramado da residência oficial da Presidência da República.
Nesta mensagem sinalizada pelo Twitter, o presidente usa um vídeo de Alexandre Garcia, profissional antigo, que neste governo vem reprisando a época em que foi assessor de imprensa de João Batista Figueiredo, o último presidente da ditadura militar. Garcia foi demitido pelo general em 1980, depois de posar pelado em uma banheira, para uma foto publicada na revista Ele e Ela.
Bolsonaro, seu ministro da Saúde e um punhado de jornalistas chapas-brancas não tomam vergonha nem com os acontecimentos dramáticos da contaminação progressiva pelo país afora e de pelo menos um milhar de mortes todos os dias, causadas por um vírus que não para de causar surpresas, em transformações que aumentam o perigo.
É um vírus mortal que ainda exige estudo e pesquisa para sua melhor compreensão, mas sobre o qual já se sabe com certeza que não pode ser combatido com as mentiras perigosas desse governo incompetente e de uma crueldade que nunca se viu em nossa história, incapaz de respeitar e até de se compadecer com o sofrimento dos brasileiros.
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POR José Pires
Veja aqui a publicação de Bolsonaro sinalizada pelo Twitter
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O negacionismo e a incapacidade de Bolsonaro vai fechando portas para o Brasil
O Reino Unido proibiu voos do Brasil por causa da “variante brasileira” do coronavírus. A decisão foi divulgada na tarde desta quinta-feira. A restrição atinge até Portugal, por causa de “suas fortes ligações com o Brasil”, conforme explicou o ministro britânico dos Transportes, Grant Shapps.
Ou seja, em tempos de pandemia, com a irresponsabilidade criminosa do governo brasileiro é prejudicial ser uma nação amiga do nosso país. Imaginem como ficam as relações externas do Brasil.
E como a prevenção contra o contágio virou uma confusão nacional, em meio às sabotagens do próprio presidente, que está criando dificuldades enormes até para a imunização, provavelmente 2021 será mais um ano perdido. É o terceiro ano fracassado do mandato do pior presidente da história brasileira.
O desastre que assola uma nação inteira vai tendo continuidade, sem que sejam tomadas medidas para tirar democraticamente este incompetente do poder.
A suspensão de viagens entre Brasil e o Reino Unido atinge também as relações comerciais, que agora terá a exigência de “permissão especial”. É provável que outros países também imponham restrições parecidas ao Brasil.
E por que não fariam o mesmo que o Reino Unido? Coloque-se no lugar deles, tendo que se relacionar com um país que tem no comando um negacionista como Jair Bolsonaro, que não tem empatia nem com o sofrimento de seu povo. Haja medidas sanitárias e restrições para lidar com um lugar como este.
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021
O Brasil de Jair Bolsonaro em confinamento global
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que o governo vai procurar impedir que uma variante do novo coronavírus encontrada no Brasil penetre no Reino Unido. A variante apontada por Johnson foi encontrada no estado do Amazonas e identificada no Japão em viajantes que passaram pela região brasileira. A nova cepa foi confirmada pelo escritório da Fiocruz na Amazônia.
As palavras do primeiro-ministro britânico: “Estamos preocupados com a nova variante brasileira e estamos tomando providências. Acho que é justo dizer que ainda temos muitas dúvidas sobre essa variante”.
Boris Johnson é um pioneiro na chamada pós-verdade, que de verdade não tem nada. É um amontoado de mentiras, com um impulso forte no espalhamento da ideia do uso de fake news como instrumento eficiente para ganhar debates e alcançar o poder. Foi desse modo que Johnson e seu grupo levaram a melhor no plebiscito do Brexit, decisão política desastrosa que eliminou o Reino Unido da União Européia.
Johnson é de direita, mas pelo menos quanto à sua posição no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus pode-se dizer que o líder britânico não está completamente ensandecido, como aconteceu com a direita brasileira e seu chefe Jair Bolsonaro. Além disso, também ao contrário de Bolsonaro, o primeiro-ministro está procurando defender seu povo de um vírus mortal. Ele também não aparenta sofrer o grave distúrbio de Bolsonaro, da falta total de empatia com o sofrimento alheio.
A direita brasileira é capaz de assumir como crença inabalável conspirações das mais estúpidas, mas se nega a aceitar a existência de um vírus que assola todo o mundo e em registros oficiais já matou no Brasil mais de 200 mil pessoas.
Nesta quinta-feira, a Folha de S. Paulo informou com dados do Info Tracker que as festas de final de ano praticamente dobraram as taxas de contágio da Covid-19. O Rt paulistano subiu de 0,78 para 1,4. Segundo o jornal, o Rt de hoje leva em conta o que houve há dez dias. A taxa de contágio bate com o período das festas de Natal e Ano Novo.
E esses são dados apenas da capital paulista, quando sabemos que as festas de final de ano bombaram em todo o país. E o descuido com medidas de prevenção continuam, com tendência de que a irresponsabilidade continue mesmo com a vacina. O comportamento geral indica que pode haver um relaxamento, com as pessoas deixando de cumprir regras simples de proteção, a partir da ilusão de que encontrou-se a solução do problema.
O país parece caminhar para um grave aumento da falta de medidas, como o uso de máscaras e o distanciamento, quando começar finalmente a vacinação. Para não variar, o Brasil já está atrasadíssimo no planejamento da ação, com previsão de muita confusão quando isso realmente começar a acontecer.
A preocupação do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, com a tal da “variante brasileira” e o anúncio de que em seu país estudam medidas para barrar essa nova cepa do vírus, é apenas o desenrolar do agravamento do posicionamento mundial do Brasil em relação à pandemia. É claro que a falta de um planejamento nacional de enfrentamento da Covid-19 abre naturalmente o território nacional para a entrada e proliferação de novas cepas. Com essa má-fama internacional a tendência é de um isolamento do nosso país em relação aos outros países.
Um sabotador como Jair Bolsonaro como presidente — o pior da nossa história, além dele ser o último governante negacionista no mundo — impõe ao Brasil a condição de território suspeito e perigoso nesta pandemia. A peste é favorecida pelo bolsonarismo. Já é uma realidade o tal estado pária, de que se falou tanto, condição de nação isolada da qual este governo tem até orgulho.
Está mais que claro que Bolsonaro não vai mudar de comportamento, até porque é marcante na sua personalidade este caráter psicológico de auto-exclusão. O que os brasileiros precisam decidir é se vamos deixar que o desajustado incompetente carregue com ele todo o país para um isolamento global.
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POR José Pires
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terça-feira, 12 de janeiro de 2021
A fama inglória das estátuas de cera de Rolândia
A cidade de Rolândia, no norte do Paraná, andou ficando famosa recentemente por causa de uma exposição de estátuas de cera em que o autor além de não alcançar semelhança alguma com as personalidades que pretendeu retratar, na maioria delas ainda chegou a um efeito grotesco. As obras são inspiradas no Museu Madame Tussauds, mas ao contrário do famoso museu de Londres, em Rolândia fica difícil saber quem é quem entre os homenageados. O autor é o empresário do ramo imobiliário Arlindo Armacollo, que confecciona as peças há pelo menos 20 anos, mantidas em exposição em um museu de sua propriedade na cidade paranaense. É uma grande quantidade de estátuas de personalidades como Gandhi, Charles Chaplin, Ayrton Senna, Einstein, Hebe Camargo, Princesa Diana, Rainha Elizabeth II, Zilda Arns e muitas outras figuras conhecidas, todas com o problema de que já falei e que muitos já devem saber, porque o assunto é bastante comentado na internet: o resultado é tão amadorístico que as imagens caíram na infernal zoação das redes sociais, transformadas em memes destruidores. Ninguém sabe onde começou o compartilhamento recente das imagens nas redes sociais, que vem de uma matéria antiga no Youtube, de 2015, publicada por um jornal do norte do Paraná. A matéria do jornal Folha de Londrina não aponta as incongruências entre as estátuas e os homenageados. A bizarra exposição é tratada a sério. O amadorismo das estátuas virou objeto de gozação há alguns dias, tendo viralizado nas redes sociais. Alcançado pela duvidosa fama, Arlindo Armacollo ainda tenta amenizar o constrangimento, afirmando que não se importa com os memes. "Não estou nem aí, serviu de divulgação", ele disse nesta semana a um site. Pois o autor das agora famosas estátuas de cera de Rolândia que se prepare, pois sua fama já está ficando internacional. Hoje o jornal britânico The Guardian tratou do assunto, claro que abrindo a matéria com uma foto da estátua da Rainha Elizabeth II e trazendo também a Princesa Diana, as duas, por sinal, exemplos do que há de pior em matéria de semelhanças no museu. O jornal britânico identifica o material como "Brazilian horror story", que evidentemente nem é preciso traduzir. ......................... POR José Pires ______________________
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Donald Trump às voltas com os resultados futuros de suas encrencas
Dando continuidade aos percalços de Donald Trump, depois de seu banimento do Twitter e o bloqueio no Facebook, o Deutsche Bank desistiu de fazer negócios com o ainda mas por pouco tempo presidente americano e suas empresas.
A questão é por que o banco alemão só desistiu dos negócios depois da desastrosa incitação por Trump da invasão do Capitólio. Claro que acreditavam nele.
Trump está devendo ao banco 300 milhões de dólares, em empréstimos que vencem em 2023 e em 2024. Isso significa que no Deutsche Bank projetavam um futuro promissor para Trump, talvez até com uma reeleição vitoriosa.
Pois pela realidade atual pode-se prever dias muito duros para o golpista fracassado, com problemas difíceis de serem enfrentados inclusive com Justiça, depois dele finalmente desocupar a Casa Branca.
Haja saldo para Trump se safar de tanta complicação. Dentro do Deutsche Bank deve ter muito futurólogo preocupado com o próprio futuro.
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sábado, 9 de janeiro de 2021
Donald Trump e a invasão do Capitólio
Um a um, vão sendo presos os invasores do Capitólio, na última quarta-feira nos Estados Unidos, que terminou em cinco mortes. Certamente todos que forem identificados por fotografias, vídeos e testemunhas serão pegos pela polícia e arcarão com a responsabilidade pelo que fizeram.
Neste sábado, prenderam aquele estúpido que estava fantasiado com uma vestimenta de pele e capacete com chifres.
Jacob Anthony Chansley, conhecido como Jake Angeli, participa do grupo QAnon, bando de malucos perigosos que espalham mentiras e teorias da conspiração nas redes sociais.
Os terroristas que atacaram a democracia americana vão pagar por seus crimes, mas é importante que o mentor dos invasores também responda pela liderança da tentativa criminosa de desmoralização do processo eleitoral.
Todo mundo sabe que o instigador da violência é um tal de Donald Trump. Espera-se que sua punição não fique apenas na perda da conta do Twitter e no banimento do Facebook. Além de muita cadeia, o sórdido plano criminoso exige que ele seja também condenado ao lixo da História.
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POR José Pires
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Arthur Lira; candidato à altura do padrinho
O deputado Arthur Lira, candidato de Jair Bolsonaro a presidente da Câmara, é um veterano em complicações com a Justiça. Envolvimento em escândalos faz parte da sua carreira política. Ele já teve seu nome envolvido em denúncia de peculato, as chamadas “rachadinhas”, quando foi deputado estadual em Alagoas.
O figurão do Partido Progressista — o notório PP, que atualmente detém o comando das articulações do governo Bolsonaro — se valeu de parte da verba de seu gabinete na Assembleia Legislativa de Alagoas, para quitar empréstimos bancários entre os anos de 2005 e 2008. As informações fazem parte de um processo da Receita Federal.
O deputado foi também denunciado ao STF pela Procuradoria-Geral da República. Lira responde pelo recebimento de R$ 1,6 milhão em propina da empreiteira Queiroz Galvão. A denúncia é do MPF.
Em outro inquérito no STF, que ficou com o nome famoso de “Quadrilhão do PP”, ele é apontado pelo crime de organização criminosa, junto com os deputados Eduardo da Fonte e Aguinaldo Ribeiro e o senador Ciro Nogueira. O grupo é acusado de desviar dinheiro da Petrobras.
O candidato de Bolsonaro tem uma ficha impressionante até para os atuais níveis de sujeira da política. Pois nesta sexta-feira apareceu mais um caso de arrasar. A notícia é da Folha de S. Paulo.
A ex-mulher do deputado que Bolsonaro quer na presidência da Câmara o acusa de violência doméstica. O processo corre na Vara de Violência Doméstica do Distrito Federal.
A Folha conta que Jullyene Cristine Santos Lins, mãe dos dois filhos do candidato, disse que “o medo a segue 24 horas por dia, pois sabe bem o que o querelado é capaz de fazer por dinheiro”.
A ex-mulher também acusa Lira de ocultar bens de seu patrimônio de 11 milhões de reais.
Bem, isso vem acumular mais sujeira numa ficha já bastante encardida, algo que pelos seus propósitos não deixa de ser um mérito. Não faltou nem “rachadinha”. O conjunto de obra realmente o qualifica como candidato de Jair Bolsonaro.
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POR José Pires
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José Pires
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