quarta-feira, 30 de abril de 2008

Caçando encrenca

Está todo mundo escandalizado com o envolvimento do jogador Ronaldo com travestis. Pois eu acho que seria muito pior se ele estivesse se metendo com religião. Esse negócio além de também acabar na delegacia (e nos Estados Unidos, o que é pior) acaba ficando ainda mais caro.
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POR José Pires

terça-feira, 29 de abril de 2008

Mais uma invasão, agora das teles

Ainda sobre a compra da Brasil Telecom pela Oi, hoje a Folha de S. Paulo publica um ótimo editorial em que mostra a semelhança de métodos do negocião feito pela duas empresas com as invasões feitas pelo MST em evidente acordo com o governo Lula.

Veja aqui uma parte do editorial: "AS "OCUPAÇÕES", eufemismo para invasões, estimuladas pela administração Lula não se restringem ao setor agrário. Com financiamento estatal bilionário e apoio dos fundos de pensão controlados pelo governismo, duas companhias telefônicas acabam de "ocupar" um terreno irregular. A aquisição da Brasil Telecom pela Oi dá-se a contrapelo das normas anticoncentração responsáveis pelo sucesso da privatização da telefonia no país".

Não dá para não concordar com a Folha. Mas tenho uma ressalva, sobre uma diferença entre os dois casos, ou dois tipos de invasões. A indignação com a jogada da Oi e Brasil Telecom é bem menor, muitíssimo mesmo, do que com as invasões do MST. Além disso, o prejuízo social da invasão das telecomunicações será bem maior que o do MST. Para ler o editorial na íntegra, clique aqui.
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POR José Pires

É isso aí, bicho



Esta é uma imagem que vem surpreendendo cientistas do mundo todo e que deve sair publicada em um livro previsto para ser lançado em maio. Uma equipe de naturalistas e um fotógrafo flagraram em Bornéo orangotangos nadando e pescando. Até agora o que se pensava é que eles não sabiam fazer nada disso.

Bem, para não dizerem que a gente só critica, acho que o presidente Lula deveria mandar o ministro da pesca − que ninguém sabe o nome, mas o ministério da Pesca parece que ainda existe − até Bornéo para estudar o assunto.

A questão é que os macacos brasileiros com certeza não sabem pescar. E o Lula não vive falando que mais importante que dar o peixe é ensinar a macacada pescar?
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POR José Pires


PS: Vocês duvidam de mim, seus incrédulos? Peguei a matéria aqui.

O importante é prevenir

Há cerca de dois meses o deputado Paulinho Pereira da Silva, o Paulinho da Força, andou espalhando sua intenção de copiar a Igreja Universal do Reino de Deus e passar a processar veículos de imprensa e jornalistas pelo país todo. Na época o deputado anunciava que seriam de mil a duas mil aões para complicar a vida dos jornalistas. “A Igreja Universal cai ser fichinha”, ele disse como uma comparação com a tática da igreja de Edir Macedo.

E agora aparece a investigação da Polícia Federal sobre a quadrilha que atuava prometendo liberar empréstimos do BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A investigação chegou em assessores da Força Sindical e até no vice-presidente do PDT em São Paulo. O presidente é Paulinho Pereira da Silva, o Paulinho da Força. O relatório da Polícia Federal aponta o deputado, que também é presidente da Força Sindical, como chefe da chamada “quadrilha do BNDES”.

A pergunta lógica que não pode ser calada é a seguinte: será que as ameaças do deputado Paulinho da Força eram uma medida preventiva?
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POR José Pires

Fusão Oi/ Brasil Telecom: o Brasil na vanguarda do atraso

A compra da Telemar/Oi da Brasil Telecom é um dos maiores equívocos no qual o Brasil pode entrar, exatamente em uma época que exige expansão tecnológica e competição na área de telecomunicações. E neste negócio que vai contra os interesses do país e que beneficia apenas os dois grupos empresariais, o governo Lula pretende enfiar 2,6 bilhões de reais do BNDES. Parece piada: o contribuinte é que paga para a criação de um vasto monopólio privado.

Além do privilégio evidente às duas empresas, o negócio também lança suspeitas sobre o próprio presidente Lula que, de tão interessado no negócio, parece até disposto a correr o risco do desgaste político que pode trazer a mudança do Plano Geral de Outorgas. Para acontecer a fusão é preciso fazer a mudança, permitindo que um mesmo grupo controle duas concessionárias. O presidente Lula pode fazer isso por decreto.

A fusão joga o Brasil no atraso, exatamente quando entramos num tempo em que essa tecnologia, se não é tudo, é quase tudo. Caso a compra se efetive 78% do mercado de internet por linha discada e 59% da banda larga na chamada Região 1 (Minas, Rio e outros 16 Estados) ficam para apenas uma empresa. Ora, mas a argumentação dos defensores da privatização não era exatamente que o monopólio estatal estava condenando o Brasil ao atraso tecnológico? E o monopólio privado vai nos conduzir para onde?

Uma das melhores análises sobre o assunto que li na internet foi publicado como editorial no site Teletime. É um texto assinado por Rubens Glasberg que destrincha a trama da fusão das duas empresas em forma de perguntas muito esclarecedoras. Para ler e ficar por dentro de mais essa, clique aqui.
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POR José Pires

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Chuchu e Aécio, os preferidos de Ciro Gomes

A pesquisa CNT/Sensus pesquisou em quatro cenários a eleição presidencial de 2010. A novidade é que no cenário em que figuram como candidatos do PSDB Aécio Neves e Geraldo Alckmin, os dois tucanos que estão torrando a paciência da opinião pública, entregam o ouro para Ciro Gomes.

Aécio Neves consegue ficar em terceiro lugar, com 16,4%, atrás de Heloísa Helena, com 17,5%, e de Ciro Gomes que fica em primeiro lugar com 23,5%.

No outro cenário, com Alckmin, este fica em segundo lugar com 17,2%, mas bem próximo de Heloisa Helena, com 16,3% em terceiro. Em primeiro está Ciro Gomes com 23,2%.

Mas Geraldo Alckmin pode provocar uma surpresa. Indo para o segundo turno pode até ter menos votos do que no primeiro. Na urna eleitoral o Chuchu não é nada zen.
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POR José Pires

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O míssil virando alvo

Chega a ser engraçado ver os papéis sendo invertidos na pauleira política entre blogs na internet. É também muito instrutivo, pois esta pauleira virtual nada mais é do que a face visível de tormentos da vida real em razão das novas divisões políticas criadas pela ambição por grana, status e melhor colocação no poder.

Falo do debate em que se engalfinham Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Luís Nassif, Paulo Henrique Amorim e um bom punhado de blogueiros, neste caso bastante estimulados pela corrente chapa-branca que vê em qualquer crítica ao governo Lula uma conspiração com todos seus pontos e articulações muito bem costurados por uma organização do mal.

O problema é que entrou no meio muita grana, com a anunciada compra da Brasil Telecom pela Telemar/Oi. É um negocião que divide o governo e, por extensão, sua base política na internet. Sim, pois além da base construída na área política, também na WEB o governo tem sua sustentação. É uma rede de blogs da militância petista que cobre todo o país. Muitos deles, a maioria talvez, são blogs pessoais, sem ligação direta com organismos partidários ou do governo, mas em sua maior parte municiados por sites, revistas e blogs que de um modo ou outro recebem favorecimento do governo Lula.

Porém, a venda da Brasil Telecom está sendo um problemão para a necessária unidade desses comunicadores favoráveis ao governo. Na oposição tudo está como antes. Reinaldo Azevedo, que foi um dos primeiros a apontar um dedo acusador, não mudou de lado. Muito menos Mainardi, jornalista com ótimas fontes também sobre este assunto. Mas a coisa mexeu com a cabeça dos chapa-brancas.

A reviravolta foi entre os blogueiros da internet que atuam na defesa do governo Lula. Para essa turma está sendo bem pesado o trauma da mudança de papéis forçada pelo escandaloso favorecimento da Telemar/Oi armado pelo governo Lula.

Foi um golpe nos hábitos cultivados na patrulha ideológica e no fanatismo. Para esta corrente de blogueiros informais do oficialismo teve ocasião em que até a menção ao mensalão praticado por dirigentes petistas já era tida como um favorecimento dos tucanos.

Mas agora a coisa mudou. Paulo Henrique Amorim é uma figura que simboliza bem como a mudança dos ventos forçou a um redirecionamento das porretadas dessa gente. Amorim era ídolo da turma. Tinha um blog no IG, provedor acertadamente definido por Diogo Mainardi como o centro dos blogs chapa-branca. O IG é propriedade da Brasil Telecom, um dos lados do negócio em vista. O estilo de Amorim era na base do preto ou branco, o bem e o mal. O bem, é claro, estava do lado dele.

Já que estamos falando de chapa-branca, façamos como o chefe deles. Vamos de imagem futebolística. Amorim atuava como zagueiro e também no ataque. Corria para defender o gol de Lula e também tentava balançar a rede tucana. E era um Serginho Chulapa nas duas posições. Batia firme em todos os que para ele faziam parte do que chamava "imprensa golpista". Golpe no Lula, é claro. Quando sentava no computador, ele dizia, era como se estivesse disparando mísseis.

Até recentemente o estilo do jornalista e blogueiro foi útil. Ele conta que foi contratado pelo IG exatamente pela sua história na internet de combate a Daniel Dantas. Acontece que agora Dantas não é mais adversário. Virou aliado e é parte interessada e influente na venda.

E por isso Amorim acabou sendo demitido do IG. Seu blog foi tirado abruptamente do ar tendo o provedor inclusive fechado qualquer acesso ao seu trabalho de dois anos. Só na justiça conseguiu de volta o material publicado no blog.

A venda da Brasil Telecom é muito suspeita. Para que ela ocorra é preciso que o presidente Lula altere a lei das telecomunicações, o que ele parece disposto a fazer isso. A fusão entre as duas empresas criaria um monopólio no setor. A monstruosidade econômica pode englolir 70% do potencial de consumo do setor de telecomunicações no Brasil e reduziria ainda mais a possibilidade de concorrência na telefonia fixa.

O negócio é apetitoso para os dois lados, menos para o contribuinte. O BNDES estaria no meio da compra servindo como financiador. O que se diz é que o único dinheiro que entraria é o do banco estatal. Ou seja: nós é que pagaríamos a conta.

Mas o problema de Amorim é outro. Na sua cabeça o maior beneficiado com a transação seria o empresário Daniel Dantas, vendeta antiga dele. Aí ele começou a escrever contra o negócio e por isso levou o bilhete azul. Ou um pé-na-bunda, expressão melhor, já que foi uma coisa violenta.

Com a refrega, Amorim acabou sendo abandonado pela corrente de defesa do governo Lula. Desavisados blogueiros chapa-branca inicialmente até esboçaram uma corrente de solidariedade, mas o impulso foi logo detido. Veio rápido o aviso de que Amorim não era mais da turma.

E essa mudança brusca também causou efeito em Amorim. Ele começou a ver defeitos no governo Lula. Retomou seu blog em página própria na internet e passou a, como ele diz, despachar mísseis também contra o governo. Na revista Fórum desse mês ele avança mais: disse que o governo Lula tem também seus “esqueletos no armário”. Não especificou a qualidade e quantidade da ossada, mas espera-se por mais revelações em "mísseis" posteriores.

Virada espetacular como essa não é novidade na carreira do jornalista. Ele já foi da TV Globo e depois passou a falar mal da emissora. E era severo crítico de Lula e do PT para depois tornar-se fã incondicional do governo Lula, até o rompimento de agora.

Mas o interessante nessa história é ver as mudanças de sentido que a política traz para a vida. Amorim saiu da dicotomia do Lula cá e os inimigos lá, o que não ocorre com a corrente blogueira chapa-branca. Por isso, Amorim saiu da galeria de ídolos − onde estava ao lado de gente como José Dirceu, Emir Sader, Franklin Martins, Luís Nassif e também Mino Carta, editor da Carta Capital, revista pró-Lula, e que também tinha um blog no IG. Carta, no entanto, está em grande risco de passar para a galeria de inimigos; no momento está na geladeira, até porque saiu do IG contrariado com a demissão de Amorim.

Viver requer paciência. O bom de ver o tempo passar é que a gente assiste com freqüência a realidade torcer o pescoço de teorias mal embasadas, usadas por má-fé ou ingenuidade. Esperemos um pouco mais, pois outras mudanças vêm por aí. Com a cristalização no governo Lula da política de usufruto das benesses do Estado ou proporcionadas por ele via negócios privados muita gente vai sendo expelida do bloco que usufrui dos privilégios. Neste tipo de política isso é destino: não tem teta para todo mundo.
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POR José Pires

Fase ruim

Parece perseguição com o Lula. Como se não bastasse o fogo cerrado internacional contra o etanol, a crise dos alimentos e ainda a pesquisa que o colocou em sexto lugar na América Latina, atrás até do boliviano Evo Morales, pois bem, como se não bastasse tudo isso ainda vem a revista britânica Prospect e coloca o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso numa lista de 100 maiores intelectuais do mundo.

Esse cara ainda acorda invocado um dia e liga para o Noam Chomski pra saber como é que se faz pra ser um intelectual.
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POR José Pires

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Busines is busines

Nada como chamar as coisas pelo nome.

“Comuniquei hoje ao PT que fechei com o Kassab”, disse o ex-governador Orestes Quércia, um dos caciques do PMDB.

É isso mesmo. Negociava com os dois lados e fechou com quem deu mais.
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POR José Pires

Incompetência fantástica

Todo mundo se defende neste caso da morte da menina Isabella, mas algumas justificativas acabam pegando mal. O repórter Valmir Salaro negou que tenha feito acordo para conseguir a entrevista exclusiva com Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, que foi exibida no último domingo no Fantástico.

Então fica chato. Se não houve acordo, pelo que deixou de perguntar na entrevista o repórter e editores do Fantástico são incompetentes.
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POR José Pires

Lula e o lado bom da ditadura

Só faltava o presidente Lula elogiar o general Emílio Garrastazu Médici, presidente-ditador no período mais duro da ditadura militar, de 1979 a 1974. E não falta mais. Leiam o que ele disse ontem em cerimônia do 35º aniversário da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). E o interessante é que, para elogiar o ditador, Lula foi escolher como companhia logo o governador Roberto Requião, que gosta de transparecer ares mais esquerdistas.

“Por isso, é com muito orgulho que, de vez em quando as pessoas falam: “O Lula defende, elogia o governo Geisel, o Lula elogia não sei das quantas e tal”. Pois eu agora, veja a contradição, [Roberto] Requião: um dos presidentes que permitiu que a gente vivesse o momento político mais crítico da história do País, o presidente Médici, foi o homem que assinou a Embrapa e foi o homem que assinou Itaipu. Em uma demonstração de que cada um de nós tem uma coisa boa para oferecer, tem coisas ruins dentro da gente, e que nós não poderemos ficar julgando eternamente as pessoas por um gesto, ou dois gestos, sem compreender os outros gestos que as pessoas fizeram, que permitiram que o Brasil encontrasse o seu rumo. Cada um de nós será julgado um dia. Cada um de nós será julgado por aquilo que fez, por aquilo que deixar de fazer, pelos nossos erros e pelos nossos acertos.”

Não é de uma ignorância espantosa, até mesmo vindo dele? O Lula é surpreendente. Qualquer dia desses ele acorda invocado e elogia o lado bom de Adolf Hitler.
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POR José Pires

Até Nero tinha um lado bom

Mas o estadista que deve encantar mais Lula se ele resolver um dia ler alguma coisa é Nero, imperador de Roma entre 54 e 68. Nero tinha seu lado bom, apesar de tentar matar a mãe, Agripina, algumas vezes. Acabou conseguindo, mas isso é outra história.

O governo de Nero tinha algo que Lula vai achar um, digamos assim, lado bom. Ele não se preocupava com Congresso, Câmara, Justiça, esses negócios que "atrapalham" governar. Oposição então, nem pensar. Se achasse que estavam lhe fazendo oposição Nero simplesmente mandava a pessoa se suicidar. E ninguém se virava para o lado e fazia comentários desrespeitosos como "o cara andou bebendo cedo" ou "bem que o Larry Rohter tinha razão". Tinha que se suicidar.

Quer mais lado bom? Nero também era apaixonado pela arte dramática e pelos espetáculos, por isso era poeta e músico O Lula vai amar esse cara. Foi o período mais quente do grande circo romano, só não teve megacampo de petróleo porque isso não era um assunto de época. Os primeiros anos de seu governo foram considerados os mais felizes do império romano. E fez um governo demagógico e populista. Nossa, quanto lado bom!

Na imagem, a efígie de Nero com cara de invocado. Esse não era seu lado bom. Quando ele acordava invocado não tinha Bush que segurasse.
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POR José Pires

terça-feira, 22 de abril de 2008

Um político verde

O desconfiômetro de Ciro Gomes é bem lerdo. Só agora que ele está agradecendo a Deus por não ter sido eleito presidente em 2002. O deputado cearense disse hoje que não estava maduro na época.

O problema é que ele acha que já está pronto, mas a verdade é que não estará maduro nem em 2010. Mas com um semancol atrasado desses, só vai perceber sua falta de preparo lá por 2014. E vai disputar a eleição, é claro, o que é um risco brutal, e põe brutal nisso, para o país.

Tomara que o eleitor − ou, vá lá, Deus − nos livre do Ciro Gomes até que ele fique bem madurinho. E não precisa ter pressa, não.
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POR José Pires

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Justiça afinal

Vai acontecer o que todo mundo temia: o ex-banqueiro Salvatore Cacciola será extraditado para o Brasil. Agora não tem escapatória: o cara vai acabar sendo inocentado!
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POR José Pires

Compensação

Mas o Roberto Cabrini levou uma grande vantagem nessa sua prisão. Com ele preso tinha um jornalista a menos para espezinhá-lo.
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POR José Pires

Acordando invocado

Lula pediu explicações ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, sobre as declarações do general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, comandante militar da Amazônia, que afirmou ser um erro a demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol.

Durante palestra no Rio o general Pereira partiu para a galhofa: falou sobre uma tal de “esquerda escocesa” que atrás de um uísque escocês resolve os problemas do Brasil inteiro.

Não se via o Lula tão fulo desde quando o Larry Rohter escreveu no New York Times que ele bebia demais.
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POR José Pires

Põe no cartão do Gushiken

Esse negócio dos gastos com cartões corporativos é um poço sem fundo. Quanto mais se cavuca, mais sujeira sai. Agora descobriram que até o ex-ministro Luiz Gushiken, aquele que saiu corrido do governo... está bem, um das dezenas que saíram desse modo.

Pois até o Gushiken gastava por fora. Apareceram notas fiscais de restaurantes e hotéis em nome do ex-homem forte do Lula para a compra de bebidas alcoólicas e pagar refeições a terceiros, o que é considerado desvio de verbas pela Controladoria Geral da União (CGU).

Gushiken pagava com o cartão de crédito pessoal e depois pedia ressarcimento aos cofres da União.

Até o Gushiken... Não dá mesmo para confiar em ninguém neste governo.
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POR José Pires

Intocada

Certo estava mesmo o grande Joel Silveira que dizia que tinha a impressão de que no governo Lula só existia uma virgem no Palácio do Alvorada, aliás, a única virgem do Planalto: a biblioteca.
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POR José Pires

De carona

Eu já ia dizer que só falta o padre Marcelo pegar uma caroninha nesse drama da morte da menina Isabella, mas ele já entrou no caso. Ontem rezou uma missa pela criança.

Essas coisas o Papa Bento XVI não vê... Onde anda o alemão que não puxa os orelhões desse cara?
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POR José Pires

Alimentando feridas

Seja o que for que tenha acontecido na trágica noite em que a pequena Isabella foi assassinada em São Paulo, a cobertura da mídia sobre o crime está causando um mal social maior do que o assassinato em si, que apesar do indiscutível horror é apenas mais um entre os tantos crimes cotidianos desse país bárbaro que o Brasil se tornou.
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POR José Pires

Dantesco

Na Divina Comédia Dante Alighieri foi ao inferno acompanhado pelo poeta Virgílio. Seu inferno tem nove círculos, com uma condenação em cada um.

Se em vez de fazer a viagem pelo inferno ele descesse ao Brasil, o inferno de Dante teria mais um círculo: o da mídia.

Na imagem, a bela tela de Eugène Delacroix, com Dante e Virgílio no inferno. Clique nela, e você poderá vê-la maior. Dentro do rio penam as almas possuídas pelo pecado da ira. Portanto, fiquemos calmos.
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POR José Pires

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Nota baixa

A qualidade da educação nas universidades brasileiras está mesmo muito baixa: os reitores nem sequer sabem usar o cartão corporativo.
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POR José Pires

Os comícios do PAC

E os comícios eleitorais do governo Lula têm a sua continuidade. E já estão chamando os eventos pelo nome certo. Nesta quinta-feira em Belo Horizonte, em evento de visto ria de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Belo Horizonte, a ministra-chefe da Casa Civil, animada com a claque feminina, disse o seguinte: "Eu queria desejar e dirigir um especial cumprimento às mulheres aqui da frente que hoje animam, sem dúvida, esse comício".

Estão chamando a fala da ministra de "gafe". Eu já acho que é outra coisa: é um ato falho.
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POR José Pires

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Lula é o que é há muito tempo

O jornal O Globo publicou ontem um texto do sociólogoFrancisco Weffort que passou despercebido, o que é uma infelicidade, pois nele está um dos depoimentos mais esclarecedores sobre o caráter irresponsável do presidente Lula, especialmente na sua falta de controle sobre gastos de dinheiro que não é seu, mesmo que sejam gastos indevidos, o que ficou ainda mais claro neste caso dos gastos com cartões corporativos..

No texto, Weffort, que é um acadêmico que se dedicou à política, tendo convivido de perto, bem de perto, tanto com petistas quanto com tucanos, conta um episódio que revela o quanto é antigo em Lula a dissimulação e o engodo em situações em que está em xeque sua responsabilidade pelo que o cerca. O já conhecido “eu não sabia de nada” é coisa velha, dos tempos em que ele era metalúrgico.

Desencavar fatos desabonadores no passado do líder máximo do PT, além de não ser algo muito dificultoso nada tem de inédito. São muitas as histórias que comprovam seu desapego ao estudo e ao trabalho, ou mesmo a facilidade que ele tem de se cercar de amigos que lhe dão casa e outras coisas de graça e pagam suas contas. Lula é o militante de esquerda que ia à Cuba com o pretexto de participar de seminários de estudo e lá não saía da praia.

O caráter do presidente da República é tão discutível que nem a máquina do PT e a mistificação muito bem trabalhada em torno de sua figura política conseguiram apagar as feias nódoas de seu passado.

Mas a participação de Weffort na história do PT e na vida de Lula é muito marcante e isso dá uma qualidade especial ao texto. Ele é um dos mais antigos companheiros de Lula, foi um dos fundadores do PT junto com os companheiros históricos do presidente da República, gente que hoje está nas barras do STF, mas que na época encarnavam a esperança de que ao menos a ética seria um elemento básico na pauta de um provável governo de esquerda. Weffort saiu do partido antes de escândalos recentes de corrupção como os do mensalão ou mesmo corrupções mais antigas, como o Caso Lubeca, de 1989, na prefeitura petista de São Paulo.

Em 1995 havia mudado de barco, tendo pulado para o governo de Fernando Henrique Cardoso, onde foi ministro da Cultura nos dois mandatos, de 1995 a 2002. Antes de se bandear para o lado dos tucanos, porém, Weffort foi personalidade importante no PT, fazendo parte do círculo íntimo de Lula. Daí a importância do que ele relata em seu texto publicado em O Globo.

Weffort parte de uma pertinente questão − “Que coisas tão graves em seus gastos na Presidência estará Lula procurando esconder da opinião pública?” − para então buscar na memória uma história que viveu com Lula quando ele ainda estava na presidência do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, no ano de 1980.

Lula estava para ser julgado pela Lei de Segurança Nacional, do governo Figueiredo, e em função disso fizeram uma viagem à Europa e aos Estados Unidos em busca de apoio político. Partiram Lula, Weffort e mais um pequeno grupo de amigos.

Em dois lugares, Alemanha e Estados Unidos, foram recebidos com severas cobranças das lideranças sindicais locais. Nada a ver com questões políticas, explica o cientista político, mas em função de algo de caráter bem mais prático: havia uma indignação com a falta de prestação de contas do sindicato de São Bernardo sobre quantias em dinheiro repassadas por estes sindicatos estrangeiros. Os sindicalistas queriam de Lula uma prestação de contas. Cobrança pesada. Na Alemanha foram bem agressivos e nos Estados Unidos, em encontro com representantes da AFL-CIO, mesmo que sem o peso dos alemães, repetiu-se o constrangimento da cobrança.

Nas duas situações, conta Weffort, o então sindicalista Lula fez-se de desentendido, dizendo que não sabia de nada. Lula, escreve o sociólogo, "não sabia responder à indagação referente às contas. Ou não queria responder. Não era com ele".

É uma reação típica dele, que conhecemos bem. Há quase trinta anos Lula fazia o mesmo que vimos nas crises de seu governo: mensalão, aloprados, dossiês, gastos com cartões e o que mais aparecer, seja de que magnitude for, de nada ele sabe, nada ele viu. O testemunho de seu ex-amigo Francisco Weffort comprova que tem sido assim desde que ele era sindicalista. E um caráter assim, desta qualidade e com este longo tempo de uso, não há de mudar depois de velho.

Para ler o texto de Weffort na íntegra, clique aqui.
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POR José Pires

Mega-especulação camarada

Sei que a gente morre e não vê tudo, mas quem esperaria ver um dia o Partido Comunista do Brasil agitando as bolsas de valores do mundo?
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POR José Pires

terça-feira, 15 de abril de 2008

Tapioca, essa vai ficar na história

O ministro do Esporte, Orlando Silva, aquele da tapioca que acabou virando símbolo dos gastos indevidos com os cartões corporativos, agora tem dinheiro em haver com o governo.

A Controladoria Geral da União (CGU) concluiu que entre 2006 e 2008 ele gastou irregularmente R$ 8.405,35 com cartão corporativo. Acontece que logo que foi pego com a mão na tapioca Orlando Silva já tinha corrido para devolver tudo o que tinha gastado com o cartão no período, que dava exatamente R$ 34.378.

Ele vai receber de volta R$ 26,3 mil. Entre os pagamentos irregulares estão os R$ 8,30 da tapioca. No total, tudo ficou nos R$ 8.405,35.

Ficou barato. Com esse caso da tapioca o ministro Orlando Silva vai acabar ficando na história do Brasil. De forma pitoresca, mas vai. E ficou no lucro, pois de que outro modo o ministro entraria pra história brasileira?
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POR José Pires