O ministro e presidente do STF, Joaquim Barbosa, experimentou esta ligeira variação de sentimento. Logo que assumiu a vaga no supremo e parecia ser manipulável aos interesses do PT, Barbosa era tratado como ídolo, inclusive com a militância apontando na cor da sua pele uma qualidade da sua presença neste alto cargo da Justiça. Mas a discordância dos maiorais do PT com a condução do mensalão feita por Barbosa levou a uma mudança da militância, que passou ao ataque da forma mais grosseira, trazendo também a questão da cor da sua pele, desta vez em agressões racistas.
Os ataques ao ministro Barbosa são apenas um exemplo do estilo destruidor do PT. Se o partido conquistar a presidência da República novamente, conforme disse no início, vão sobrar poucas personalidades brasileiras dispostas a um diálogo com o partido. É difícil estar aberto a um papo que mesmo começando bem pode acabar em porrada da parte deles. Isso vai minando o diálogo do partido com a sociedade civil. Tirando os governistas empedernidos, não sei falar de nenhum empresário, esportista, artista ou qualquer outro profissional destacado que se arrisque a aproximar-se de um projeto político que exige incondicional apoio, sem nenhum espaço para o pensamento crítico e a liberdade pessoal.
Esta atitude agressiva veio da prática do PT na oposição e virou tática eleitoral, uma arma de ataque em eleições e que vem sendo usada também no poder por mais de dez anos. Depois caiu na rede, como se diz, onde a militância passou a atirar contra qualquer um que fale algo que seja visto como crítica ao governo. E é claro que com esses ataques vai-se ampliando o círculo de mágoas muito além de um Joaquim Barbosa, um Ronaldo ou mesmo um Ney Matogrosso, o alvo mais recente dos companheiros em bandos depois de uma entrevista deste grande artista a uma emissora de televisão de Portugal. Com esta atitude troglodita o PT foi ampliando sua rejeição até aos admiradores e fãs de tantas pessoas atacadas de forma grosseira. Já deve ser uma multidão de insatisfeitos. O PT pode até ganhar esta eleição, mas terá depois que se esforçar muito para arrumar alguém com quem conversar.
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Por José Pires
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Imagem- O ministro Joaquim Barbosa, aqui numa imagem famosa de ataque da militância petista, saiu rápido da qualidade de herói para a de vilão.
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