
Ficamos sabendo agora dessa anistia porque a Comissão de Direitos Humanos do Senado rejeitou a proposta, apresentada com o apoio de 20 mil pessoas. É muito estranho que um parlamentar que se diz tão destemido faça um pedido desses, procurando fugir de um processo que veio de uma fala sua em plenário, dita com toda a convicção, como pode ser visto até hoje em vídeos na internet. Ele devia assumir com coragem sua palavra, não é mesmo?
Aliás, a anistia foi um pedido dos mesmos seguidores que aplaudiram a fala de Bolsonaro e vinham compartilhando com orgulho não só essa afronta a uma colega durante os trabalhos da Câmara, como também vivem fazendo um alarde danado em apoio às agressivas manifestações do deputado, que no geral está sempre aprontando alguma encrenca. E no pedido, eles ainda classificam processo no STF como “perseguição”. Ora, quando é o adversário que vem com essa, de imediato é acusado de fazer mimimi. Agora temos então o mimimito.
É claro que um acusado tem o direito de fazer uso de tudo que legalmente possa ajudá-lo a comprovar sua inocência. Mas no caso de Bolsonaro é uma contradição séria este pedido. Até agora ele faz questão de manter sua fala, sem nenhum arrependimento. Ao contrário, ele reforça o que disse, inclusive com piadas de duvidoso gosto. Fica até chato ver agora um cabra tão grosso afinando desse jeito.
A tentativa de arreglo traz também dúvidas, muitas delas, sobre sua capacidade de enfrentar as reações que devem surgir caso seja eleito presidente da República. Bolsonaro é um político com um ideário forte. Se um dia for implantar o que pensa, evidentemente terá que enfrentar consequências mais pesadas do que o resultado deste bate-boca com a deputada petista. Depois dessa tentativa de fugir do pau, fica a dúvida se o deputado terá peito para enfrentar brigas muito maiores que virão depois de 2018.
.........................
POR José Pires
Nenhum comentário:
Postar um comentário