O assunto acabou sendo tomado como coisa pitoresca, mas na época até estranhei porque Michel Temer parece ser de uma objetividade que não dá a impressão de se abalar com o barulho de correntes arrastadas por fantasmas naquelas rampas perigosas criadas pelo Niemeyer. Pois agora, com as gravações feitas pelo empresário Joesley Batista, me parece que surge a real explicação do apego de Temer o Jaburu. O problema é realmente relativo a obscuridades, no entanto sua implicação com o Palácio do Alvorada tem mais a ver com a relativa transparência daquele edifício em comparação com a maior facilidade que o Palácio do Jaburu oferece para encontros clandestinos.
Joesley entrou no Jaburu tomando o cuidado de não ser visto. Chegou pela garagem, sem passar pela identificação. Já se sabe que ele estava com um gravador especialmente comprado para captar a conversa com Temer. Era um aparelho especial, que poderia passar despercebido por detectores de metais. Joesley temia ser flagrado antes do encontro com Temer. Uma revista protocolar feita por um segurança poderia ter acabado com seu plano. O curioso dessa história é que a clandestinidade favoreceu sua intenção de gravar a conversa. Com essa lição, creio que Temer deve ter perdido o medo de fantasmas. E o aprendizado vem tarde. Pela sua idade, ele já devia conhecer há muito tempo o sábio alerta dos antigos, de que o perigo não é com os mortos e sim com os vivos.
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POR José Pires
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