quarta-feira, 27 de março de 2019

Um governo que abala a inteligência

Em um artigo no jornal britânico “Financial Times”, o jornalista Jonathan Wheatley disse que os mercados podem não ter se preparado para a extensão da incompetência do presidente eleito. Nem nós, nem nós. Bolsonaro é de fato um fenômeno. Frustrou expectativas boas e surpreendeu quem não acreditava nele. Danou-se quem esperava o condutor do desaparelhamento político da sociedade brasileira, eliminando o esquerdismo da máquina pública e de instituições.

Até aqui, sua incompetência chegou até a assanhar os inimigos da Lava Jato, que estão em contra-ataque maciço à luta contra a corrupção, em parte porque sentiram na falta de firmeza de Bolsonaro a possibilidade de reconquistar espaço para a impunidade.

Bolsonaro também surpreendeu seus críticos. Pelo que eu conhecia de sua incapacidade como político — a não ser para enricar e dar boa vida aos filhos — já esperava que seu governo fosse fraco. Mas confesso que é espantoso um nível tão baixo, com uma equipe incapaz de encaminhar até o que é corriqueiro na administração pública e na política. Cheguei a fazer um cartum sobre o meu espanto com um objeto de crítica que desnorteia a inteligência. Republico aqui.

É evidente que ao falar do despreparo dos mercados para a extensão da incompetência do presidente brasileiro, o jornalista do Financial Times também está sendo irônico. Mas não duvido que logo mais o esquema subterrâneo de comunicação do bolsonarismo comece a alardear a constatação do jornal britânico como uma grande esperteza de Bolsonaro frente aos mercados, mais uma de suas estratégias brilhantes, conforme os bolsonaristas definem toda besteira que aparece neste governo.

Esta é outra característica desta formidável incompetência. Eles montaram uma máquina que está o tempo todo fazendo o elogio dos erros, da cafajestice, aplaudindo aquilo que na verdade se deve a uma lamentável inabilidade do chefe e de sua equipe. Claro que é uma glorificação estúpida. Dessa forma não consertam o que não está certo e ainda fazem do erro um método.
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POR José Pires

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