No inquérito do mensalão, o então
procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza é muito claro
sobre o que pretendia a cúpula petista, na época composta por José
Dirceu, Delúbio Soares, Sílvio Pereira e José Genoíno. A compra do apoio
dos deputados para o governo tinha como objetivo a perpetuação do PT no
poder.

Os crimes levantados pelo procurador-geral da República
já eram de arrepiar os cabelos, mas o espanto vai aumentando cada vez
mais com o que vem sendo descoberto depois do início do julgamento pelo
Supremo Tribunal Federal.
Além da matéria que mostra a
responsabilidade de Lula no mensalão, a Veja desta semana traz uma
entrevista com Lucas da Silva Roque, que foi superintendente do Banco
Rural em Brasília. E ali temos uma outra informação chocante sobre a
ousadia do bando que pretendia tomar de assalto a República. O
ex-superintendete revela que havia um plano do grupo do mensalão de
montar um banco popular que juntaria o Rural e o BMG com a CUT, a
central sindical petista. O esquema financeiro só não foi adiante porque
aconteceu a denúncia do mensalão. Com o escândalo, abortaram o plano.
A CUT participaria direcionando beneficiários do INSS para tomar
empréstimos consignados na instituição que seria formada. O projeto
teria capital inicial de R$ 1 bilhão. A central sindical governista foi
entusiasta da criação dessa modalidade de crédito pelo presidente Lula. O
empréstimo realizado por aposentados e pensionistas do INSS é uma minha
de ouro da qual participam os sindicatos: no ano passado o volume de
crédito foi quase R$ 30 bilhões.
Dá para imaginar o estrago
para a nossa democracia se o grupo tivesse concretizado o plano do banco
popular. Além do domínio político do Congresso, a canalha contaria com
muito dinheiro para o financiamento.de seus planos. Além, é claro, das
fortunas que teriam certamente separado para o enriquecimento pessoal de
cada um.