terça-feira, 8 de junho de 2010

Uma coisa leva à outra

A imprensa tem feito uma má cobertura dessa eleição, que começou antecipadamente e de forma ilegal, por força de ações políticas do próprio PT e do presidente Lula, com um uso da máquina pública como nunca se viu neste país. Os jornalistas deviam ir atrás de outras pistas, além das que o PT solta para desviar a atenção de problemas reais.

Deviam ser seguidas também as pegadas de políticos emergentes, como o deputado Vargas e tantos outros. A ascenção abrupta de um André Vargas, do baixo clero à escala mais alta do poder partidário e eleitoral, explica o destino do PT na mesma medida da queda de outros políticos de seu partido.

Alguns, como Fernando Gabeira, saíram faz tempo pelo fato de não gostarem de ciscar no lixo. Outros foram ao pó abatidos pelas rasteiras internas e desacertos com os rumos impostos no partido e no governo pelo poder central. É o caso de Patrus Ananias, que foi durante sete anos responsável por um dos ministérios mais importantes de Lula, o do Desenvolvimento Social, a pasta do Bolsa Família.

Patrus Ananias vem sendo aplastrado desde sua saída de um ministério da mais alta importância política e a imprensa parece nem tomar conhecimento. Seu trabalho político de tantos anos foi para lixo na política de Minas Gerais.Este tipo de lixo também faz a alegria de certos pintinhos petistas. Na política mineira, o PT local virou moeda de troca no amplo comércio eleitoral para eleger Dilma.

Que a imprensa não aprofunde a cobertura dessas eleições, indo atrás desse e de outros casos, explica não só o sucesso do lulo-petismo (em eleitores) como também o insucesso da imprensa (em queda de leitores).
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POR José Pires

Nas origens

No caso do deputado Vargas, dá para resumir suas pegadas. O deputado é do Paraná, onde sempre foi baixo clero na política.

A última eleição disputada por ele foi a de prefeito, em 2008, quando foi derrotado fragorosamente, ficando em quinto lugar, com 5,3% da votação, ou 14.506 votos de uma colégio eleitoral de 270.580 eleitores. O deputado só não ficou em último, porque esse papel coube a um candidato de partido nanico. O sexto lugar ficou com PV, com 3.371 votos.

Anteriormente o PT havia ficado oito anos na prefeitura, finalizando os mandatos com tal taxa de rejeição que o apoio do então prefeito Nedson Micheletti, sindicalista bancário, era usado pelos adversários na TV contra o candidato oficial.

Vargas elegeu-se deputado federal escorado pelo grupo do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que manda no partido no Paraná. O PT no Paraná sempre manteve uma aliança histórica com o ex-deputado José Janene, chefe do PP no estado e um dos réus do inquérito do mensalão no STF. Esta relação íntima de Vargas com Bernardo, além dos laços com o ex-ministro e deputado cassado, José Dirceu, é uma das explicações do seu atual sucesso.

Em seu passado recente, o deputado também andou envolvido com problemas de corrupção que levaram à cassação pela Câmara Municipal do prefeito Antonio Belinati em junho de 2000. O prefeito, que hoje é deputado estadual pelo PT e também é ligado a Janene, foi também preso duas vezes.

Na época da cassação de Belinati, o então deputado federal Paulo Bernardo e André Vargas, que era vereador do PT, foram objeto de ação do Ministério público.

O mais escandaloso, no entanto, foi o surgimento do nome dos dois políticos petistas na caderneta do tesoureiro do prefeito cassado, um caderno manuscrito aprendido pela polícia onde eram anotados pagamentos feitos em dinheiro. Paulo Bernardo estaria identificado na sigla P.B. e André Vargas estava identificado pelo nome por extenso.

Vargas confirmou os recebimentos, mas alegou que eram para campanha eleitoral, buscando encaminhar as denúncias para o terreno do Caixa 2, uma situação mais fácil de administrar, tanto politicamente quanto no aspecto jurídico. Com se vê, essa história vem de longe.
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POR José Pires

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Objeto muito democrático



Maravilhosa invenção para o aprimoramento da nossa democracia. Muito útil para o uso em convenções, debates, alianças eleitorais e até mesmo para depois da eleição, para a convivência no pleno exercício do poder.

É uma idéia muito simples, como todo ovo depois de colocado em pé. Além da ampla utilidade na atividade política, pode também ser usado na fraterna convivência social de nossos dias. Sendo um objeto de fácil manejo e de mobilidade facilitada, pode ser levado à bares, festas, casamentos, enfim a todo lugar onde o convívio social exija regras de amabilidade e cortesia.

Já encomendei um com reforço especial, só para cumprimentar petistas.




Tirei daqui

Semelhanças com Belíndia

Sei que o Brasil anda numa Bélgica danada, embalado pelo gogó do Lula, mas sempre é bom lembrar daquele lado que pesa um bocado na nossa identidade, a Índia, sem a qual não seríamos a Belíndia que somos.

Esse negócio de resolver problema nuclear do Irã, dar de dedo nos Estados Unidos, além de outras façanhas, pode deixar o brasileiro nos ares. Então puxemos uma notícia para descermos ao nível da realidade.

Saiu o veredito do julgamento dos acusados da tragédia de Bhopal, o vazamento de gás tóxico que matou milhares de pessoas — 3,5 mil conforme dados oficiais, mais de 7 mil, segundo outras fontes. O vazamento aconteceu em dezembro de 1984 e, desde então, o caso vem rolando de corte para corte.

Organizações que se dedicaram ao caso afirmam que desde o incidente, cerca de 20 mil pessoas teriam morrido até hoje em razão da ação do veneno. Outras 600 mil teriam tido a saúde afetada.

O veneno que vazou da norte-americana Union Carbide teve efeito rápido. As mortes ocorreram em três dias. Até hoje Bhopal tem uma alta taxa de enfermidades e de crianças portadoras de deformidades de nascença.

Foram 25 anos de espera para que os alguns culpados fossem punidos. Parece um país conhecido nosso, não? Pois é, mas as penas recebidas por eles na Índia também fazem a gente se sentir em casa.

A justiça da Índia condenou oito pessoas a dois anos de prisão cada uma. E os condenados, entre os quais estão executivos da Union Carbide, ainda podem apelar da decisão.

Não sei como é na Índia, mas na nossa Belíndia ninguém iria dar trabalho para o sistema penintenciário. Aqui seria bem grande a possibilidade dessa condenação cair para zero.
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POR José Pires

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Equipe de Dilma aumenta currículo de Oliver Stone

Falei ontem aqui sobre o trabalho de assessoria de imprensa feito pela campanha de Dilma Roussef para o cineasta Oliver Stone. Finalmente ele encontrou uma assessoria à sua altura.

Agora vejo mais uma trapalhada de destaque da turma de Dilma. No vídeo postado no site da candidata, Stone aparece como "ganhador de três Oscars", sendo um deles pelo filme ‘O Expresso da Meia-Noite”.

Mas seria bom deixar claro que “O Expresso da Meia-Noite” não é de Oliver Stone. Este filme foi dirigido por Alan Parker. Stone fez apenas o roteiro, adaptado do livro de outro autor. Mas sempre é bom valorizar os apoiadores.

São coisas da assessoria de Dilma. Mas este descuido com a biografia do cineasta paparicador é até compreensível. Deve ser vício. Dilma também gosta de aumentar currículo, tanto que passou anos identificando-se como doutora sem nunca ter feito doutorado algum.

Mas, como já disse, assessorias correspondem sempre à qualidade da chefia. Nada mal que Dilma e Stone tenham a mesma turma trabalhando para os dois.
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POR José Pires

Os teóricos da chatice e do autoritarismo

Stone esteve no Brasil para divulgar o documentário "Ao Sul da Fronteira", um apanhado de entrevistas com alguns presidentes latinoamericanos. São ouvidos, em conversas informais com com o cineasta, os presidentes Lula (Brasil), Cristina Kirchner e seu marido ex-presidente Nestor Kirchner (Argentina), Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai), Rafael Correa (Equador) e Raul Castro (Cuba).

É marcante a ausência de alguns nomes importantes nesta lista, como Michelle Bachelet, que foi presidente do Chile até março passado, e Alan Garcia, do Peru. Mas é que esses presidentes destruiriam a teoria perseguida pelo cineasta norte-americano, de que a América Latina vive um processo revolucionário encarnado pelos nomes que estão em seu filme.

Falta também Fernando Lugo, mas o presidente do Paraguai teve um brilho fugaz nesta constelação eleita por Stone. A princípio foi tratado como um dos revolucionários da hora, mas foi rapidamente proscrito.

Dificilmente verei um filme desses, apesar de que tenho feito esforços consideráveis para informar bem os leitores deste blog. Mas já dá para ter um idéia do conteúdo da obra pelas atitudes de Stone no Brasil e também pelos elogios de um de seus entrevistados e seu ídolo máximo, o presidente venezuelano Hugo Chávez.

“Oliver compreendeu muito bem que na América Latina se está forjando uma revolução.
Seu documentário é um tributo à América Latina, que está lutando para unir-se e forjar seu próprio destino”, disse Chávez.

É interessante a intimidade de Chávez, tratando o autor como “Oliver”. É um tom que caracteriza ainda mais esta fala como uma boa definição da qualidade da do trabalho de Stone.

O filme deve ser uma porcaria. E nem falo isso pelo que penso das personalidades que dão base ao documentário. É uma questão técnica. É impossível fazer algo de qualidade com esta falta de senso crítico demonstrada por Stone. Mesmo na ficção exige-se algum distanciamento para que saia algo bom. Num documentário é preciso ainda mais capacidade de avaliar com relativa imparcialidade o tema escolhido. No jornalismo é preciso até ser cético para obter alguma coisa de qualidade.

E como Stone parte sempre de um ponto de vista propagandístico, duvido que tenha produzido um bom documentário. Com sua visão de militante, tudo o que realmente importa terá passado desapercebido.

Nisso ele é parecido com Michael Moore, um diretor que exige que a realidade se acomode ao que ele pretende políticamente. Não à tôa, é com a mesma leviandade que os dois dão apoio à causas políticas e grupos de paíse estrangeiros metidos em complexas situações políticas. São dois tiranos. Até o que já aconteceu tem que ser como eles querem.

Stone age como a militância que conhecemos bem por aqui. Eles tem uma visão que deve ser combatida, pelo dirigismo autoritário que prejudica todo trabalho intelectual ou de arte e que tenta determinar até mesmo o cotidiano das pessoas.

Esse pessoal é perigoso. São também muito chatos. Sua meta é abolir qualquer coisa que venha a descompor a teoria pré-montada do enredo que eles pretendem impor, seja em um filme ou na política.

Em filmes, a obra acaba ficando chata demais. Com a bajulação política, perdem até bons temas, como foi o caso da biografia de Lula, um político com uma história de vida sem dúvida muito interessante, mas que foi transformada numa porcaria de filme propagandístico. No final, a obra foi um fiasco até como propaganda.

E no caso da vida, esta mesma atitude transforma o cotidiano numa coisa chata, isso quando a destruição não avança para o pior, como já se viu em vários países onde essa mentalidade tomou o poder.
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POR José Pires

O cineasta marqueteiro

O estilo marqueteiro exibido por Stone em sua passagem pela Venezuela e pelo Brasil também é revelador da sua leviandade como autor. Após a visita ao comitê de campanha de Dilma, ele deu entrevista para a equipe da candidata. Foi na “exclusiva”, como eles dizem, em que eles erraram o currículo do entrevistado.

O cineasta fala igual a um político do baixo clero de olho em algum carguinho futuro. Stone intromete-se em uma realidade política que desconhece, falando com determinação sobre assuntos que exigiriam de um estrangeiro pelo menos um pouco mais de respeito.

Mas quem é que pode exigir que um norte-americano convertido ao “bolivarianismo” chavista não seja leviano?

O estilo é parecido com o que vemos aqui, no Brasil, nas intromissões da nossa esquerda em assuntos de outros países. De um dia para o outro, porque é desse modo que surgem certos assuntos internacionais, esta esquerda passa a apoiar malucos como, por exemplo, Manuel Zelaya, e a fazer a divisão do país estrangeiro entre bons e maus.

Mas, além da má-fé, existe também algo de maluco nesta gente. Parece coisa de seita. Só falta aquele colar de folhas que o Evo Morales joga no pescoço dos visitantes.

Stone disse que Dilma tem “uma mente brilhante”, um elogio que deve ter surpreendido até Lula, o iluminador da sala da Marilena Chauí. Que a Santinha não é tudo isso até seu assessor mais puxa-saco sabe muito bem.

Mas Stone age como um profissional da bajulação. Tem gente que faz isso como marqueteiro e aí dá para entender. Mas num cineasta isso rebaixa bastante.

Segundo ele, a candidata “tem muita informação, sabe tudo de energia, de economia, tem determinação e energia.” E mais: “Ela é muito focada e fiquei muito impressionado com isso. Dedicada ao desenvolvimento e a continuidade do projeto de Lula e avançar.”

O marqueteiro da Dilma que se cuide. O Oliver Stone está querendo tomar o lugar dele.
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POR José Pires

terça-feira, 1 de junho de 2010

Oliver Stone e o efeito Norma Bengell

O cineasta Oliver Stone teve uma reunião nesta terça-feira com Dilma Rousseff. Os dois ficaram juntos cerca de uma hora e no final a assessoria da candidata do Lula passou algumas informações à imprensa sobre o encontro. A intenção óbviamente era a de levantar a bola de Dilma, mas acabou parecendo que Stone não pode ser levado a sério.

Essa assessoria da Dilma não toma jeito. Bateu novamente o efeito Norma Bengell, agora com alguém do cinema dos Estados Unidos.

Segundo a assessoria, Stone disse que Dilma é "carismática" e que, caso seja eleita, a América do Sul terá duas mulheres presidentes. A outra é Cristina Kirchner, da Argentina.

Ainda de acordo com a assessoria da petista, o cineasta ficou "impressionado" com o conhecimento de Dilma sobre o Brasil, principalmente sobre energia.

Bem, a primeira afirmação é totalmente errada e a que mais prejudica o cineasta, já que é da sua área. Se achou realmente que Dilma é carismática, ele é uma porcaria de profissional. Se existe uma unanimidade entre os analistas sobre esta eleição é a de que Dilma não é carismática. Nem o Lula acha o contrário.

A segunda opinião mostra que Stone é de uma perspicácia impressionante. Esta aí uma verdade política inquestionável: se já tem uma mulher na presidência da Argentina, com a Dilma aqui serão duas na América do Sul.

Sabe tudo de América Latina esse cara. E com esse tipo de raciocínio abre a possibilidade de extrairmos lições muito úteis também de outros cenários. Se for o Serra o eleito, teremos uma situação mais original: ele será o único presidente careca da América do Sul. O presidente da Guiana perdeu bastante cabelo nos últimos tempos, mas genuinamente careca seria só o nosso Serra. Ninguém segura mesmo este país.

Sobre a terceira bobagem, a de que Stone ficou impressionado com o conhecimento de Dilma sobre o Brasil, das duas, uma: ou é mentira da assessoria de Dilma ou o cineasta mentiu para favorecer a petista.

Para avaliar o conhecimento de alguém sobre algo, o avaliador precisa conhecer muito bem o assunto em discussão. E é óbvio que Stone nada sabe sobre o Brasil. Além do mais, em uma hora não dá tempo para tanta conversa assim sobre país algum. Se juntar o assunto da geração de energia, então, aí então é que o tempo fica escasso. E se levarmos em conta a deficiente capacidade de expressão da carismática (sic, sic e sic!) Dilma, uma hora não é tempo suficiente nem para ela explicar onde é Copacabana.

Já é evidente há algum tempo que politicamente o cineasta norte-americano é um estouvado. Não fosse assim, ele não seria fã de carteirinha de Hugo Chávez. Mas esta visita a um candidato à presidência de um país estrangeiro deixa ainda mais claro sua leviandade.

E as informações passadas pelos assessores de Dilma, que o transformam num idiota político, mostram que, enfim, Oliver Stone encontrou uma assessoria à altura da sua capacidade política.
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POR José Pires

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Agora vai

O mundo estava preocupado com o vazamento de petróleo no golfo do México, mas toda a aflição acabou nesta segunda-feira pela manhã, quando o presidente Lula deu a receita para conter o vazamento.

Foi em um evento ecológico no Rio de Janeiro, o 10º Challenge Bibendum. Vejam o que ele falou: "Você sabe, tem que chegar uma nova sonda. Tem que fazer um novo poço para poder implodir aquele. E tem que ser tamponado para parar de sair petróleo".

Agora é só alguém traduzir isso para o inglês e passar para os técnicos, que estavam com a maior dificuldade para chegar numa solução que, vê-se agora, até que é bem simples.

O cara está impossível. Para problemas menores, como este do golfo do México, está dispensando até o olho no olho.
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POR José Pires

Campanha de Dilma tem vaga

Está pintando vaga de tesoureiro na campanha de Dilma Roussef. No começo dessa tarde a candidata do Lula disse que a coordenação da campanha está "avaliando” a permanência do tesoureiro José Filippi Júnior.

Essa conversa de “avaliação” é lorota da Dilma. Filippi já está fora. A menos que os petistas queiram carregar até a eleição um tesoureiro de campanha condenado pela Justiça a devolver mais de R$ 2 milhões aos cofres públicos.

Esta é a quantia que Filippi, que também é ex-prefeito de Diadema, foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a devolver aos cofres da prefeitura da sua cidade.

O dinheiro foi pago ao escritório de Luiz Eduardo Greenhalgh, conhecido ex-deputado do PT que já teve seu nome ligado a casos suspeitos do partido, a começar pelo famoso Caso Lubeca, de 1989, escandaloso esquema de corrupção na prefeitura de São Paulo.

Greenhalgh era o vice da prefeita Luiz Erundina, eleita pelo PT, e também secretário de Negócios Jurídicos da prefeitura. Com o escândalo de corrupção, acabou sendo demitido por Erundina da secretaria.

No caso que deve derrubar o tesoureiro de Dilma, o escritório de Greenhalgh foi contratado pela prefeitura de Diadema sem licitação e ganhou R$ 2,1 milhões para defender apenas duas causas. Segundo a Promotoria, a prefeitura tinha 51 procuradores para fazer o mesmo tipo de serviço.

O cargo de tesoureiro da campanha de Dilma está num rodízio danado. Primeiro caiu João Vaccari Neto, suspeito de desvio milionário na Banccop, a Cooperativa de Habitação dos Bancários de São Paulo. Agora é Fillippi que despenca exatamente do lugar que Vaccari perdeu com a descoberta do escândalo da Bancoop.

Vaccari continua sendo tesoureiro do PT. O rigor moral no partido pode ser bem menor do que numa campanha, afinal tudo não passa de um jogo de aparências.
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POR José Pires

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Um peso, duas medidas


Já que não se importa de servir para plantação de notícia, a imprensa podia pelo menos organizar melhor esta agricultura política que usa demais o adubo da má-fé.

Quem lê estes textos com olhos profissionais sabe muito bem medir as intenções e avaliar que são os ganhadores de notas plantadas e, muitas vezes até reportagens com manchetes de capa, como a curiosa matéria da Folha de S. Paulo do último domingo, que prevê como destino de Lula a possibilidade dele escolher entre mandar na ONU ou no Banco Mundial.

Que chato, hein? Minha mãe que nasceu analfabeta me mandou bater nessa daqui, mas como sou teimoso vou bater nessa daqui!

É um jornalismo com interesses evidentes. Só que é despropositado para o leitor que busca informação consistente. É perda de tempo. E volto a dizer que é esse tipo de atitude, esse quase método, que faz a imprensa perder leitores. Não é a internet, não senhores.

Esta forma de jornalismo, que infelizmente das publicações impressas saltou para os
sites, atinge os três candidatos, mas ninguém pode negar que Serra sofre um bocado mais que os outros.

Peguem jornais antigos. Ou façam uma busca entre a poeira do Google. Todas as previsões, pitacos, entrevistas, estatísticas, praticamente tudo que foi escrito sobre a candidatura de Serra estava errado.

O rigor sobre sua candidatura chega a ser cômico. Só não é engraçado pelo fato da candidatura oficial transgredir limites morais e até legais e não receber tratamento igual ao do tucano.

Ao contrário, bem diverso mesmo. Lula usa a máquina pública de uma forma que nunca se viu. Até o Itamaraty foi forçado a tentar obter uma visita de Barack Obama ao Brasil antes da eleição. O cara tem programa de rádio em todo o interior, colunas em jornais, propaganda do governo e de estatais relacionadas com conceitos que reforçam sua imagem. Tem até a TV Brasil, "a minha TV", como ele diz.

E o que é Lula para a imprensa? Ah, ele é muito carismático. É um puxador de votos como nunca se viu.

Lorota. Tanto que o próprio Lula não confia tanto neste suposto magnetismo pessoal. Tanto que usa todo seu poder de mando para catar tudo quanto é partido para os lados de sua candidata. E até fez pressão para que Ciro Gomes fosse esmagado do jeito que vimos.

Mas a imprensa bate na mesma ladainha do líder carismático.

Já com o Serra não. O tucano tem defeitos, é claro, qual é o político que não tem? Mas o rigor com ele é excessivamente acima do que é usado com Lula, o manipulador dos cordões da candidata Dilma. Com Lula, na verdade, não há rigor algum. Hoje o petista é como se fosse um Paiakã da política. Parece inimputável.

Querem que eu dê um exemplo? Então imaginem o que sairia na imprensa se o Serra, em vez de denunciar a conivência do governo boliviano com o tráfico de drogas, botasse um colar de folhas de coca no pescoço.

Agora, com o empate diagnosticado pela pesquisa do Data Folha, coitado do Serra, ele já pode ter perdido a disputa, apesar de faltar ainda quase cinco meses para a eleição e de seu nome nem ter sido ainda oficializado na convenção de seu partido.

E é desse jeito que o monte de papel velho vai aumentando no quartinho dos fundos.
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POR José Pires

De olho na retaguarda

Tudo bem, ninguém é ingênuo de achar que a coisa vai parar, que esse pessoal tome vergonha pelo menos em respeito às eleições, mas os cultivadores das plantações podiam ao menos fazer uma edição da boataria, aplicando lógica ao que chega às suas mãos.

Tenho lido que Serra tem um problema agora com seu vice. Tem um jornal que até avisou que a solução precisa ser encontrada até a data da convenção do PSDB. Puxa vida, essa o candidato tucano tem que agradecer.

Com julgam que Aécio Neves já é opção totalmente descartada (o que, conhecendo bem o neto de Tancredo, ninguém deveria fazer até o momento final), já listam uma série de vices. Isso facilita. Serra pode escolher.

Mas creio quem quem redige uma notícia deve usar a lógica, não? Então por que ficar aventando o nome de Itamar Franco, quando todos dizem que o maior problema de Serra seria a defesa do governo FHC? Ah, então defender o governo FHC é dureza, não? E o de Itamar? Apesar disso não ter entrado no estranho raciocínio, parece que seria a maior moleza.

Dando mais uma olhada na lavoura, também dá pra perceber pontos muito interessantes. Daria um bom tema em aula de jornalismo, pois imagino que é diplomado o pessoal que anda escrevendo essas coisas.

Um nome muito forte para ser vice de Serra, dizem os agricultores da notícia, é o do senador Tasso Jereissati. Até pode ser. Não tem problema, a não ser o fato de que, se eleito, Serra teria que aumentar o número de guarda-costas da presidência da República.

Não é por ser vice que Jereissati vai deixar para trás o hábito de dar facadas pelas costas. Aliás, como vice a mania pode até piorar.

Mas vamos à “lógica” das notícias. Jereissati estaria bem cotado por ser nordestino, ter popularidade no Ceará e (se preparem, porque é porretada, tanto que vou aspar) “ajudar Serra a capitalizar os votos dos eleitores do ex-presidenciável Ciro Gomes”.
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POR José Pires

África e Nordeste

Chega a ser engraçado, pelo menos pra mim que não sou nordestino, a forma como a imprensa aqui do lado debaixo do mapa brasileiro analisa o Nordeste. Esta região do país é tratada como se fosse de uma unidade política tremenda, de forma que em Teresina, São Luís, Salvador, Recife, Aracaju, João Pessoa, Natal, Maceió e Fortaleza existisse um pensamento político uniforme e manipulável.

Claro, pois não vivem dizendo pra gente que Lula é forte no Nordeste por causa do Bolsa Família? Temos então uma região onde para ter força basta colocar um cacique na chapa.

O Nordeste é a África das nossas seções de política. Calma, sem ofensa, já explico. Não se vive falando aqui no Brasil em uma tal de (dai-me paciência) cultura africana?

Parece que agora até é obrigatório nas escolas. Opa, com um vice da África a gente conquista todo aquele eleitorado de “cultura africana”. Pois é, mas eu quero ver alguém juntar um argelino, um angolano, um moçambicano e um egípcio e explicar isso para eles.

É parte desta visão torta sobre o Nordeste identificar Luiz Gonzaga como músico nordestino e Caetano Veloso não. Ou, para pegar gente de uma mesma geração, Alceu Valença é tratado como nordestino. E Gilberto Gil e Maria Bethânia não são.

Querem ver como estas análises rasteiras se cercam de preconceito? Quando o nome é o de Aécio Neves, é citado apenas o eleitorado mineiro. Por que não se fala então na estratégia de agregar sua força no Sudeste? Ou então, se fosse cogitado um nome gaúcho, deveria se falar no peso político em todo o Sul.

Ninguém escreve essa besteira por aqui simplesmente pelo fato de que sabemos que... é uma besteira. A maioria sabe que não existe esta bizarra unidade que daria a um nome paranaense ou catarinense a capacidade de sedução do eleitorado de toda a

Este raciocínio parece o de “festa nordestina” feita aqui no sul. Tem sanfoneiro, tem chapéu de cangaceiro, boneco do estilo de Vitalino e ficamos assim: esta é a cultura nordestina. Será que nordestino gosta disso? Cartas para a redação.

Aqui no Sul não é dessa forma que o assunto é tratado. Não temos essa de alguém dando uma unidade regional para o voto, como esperam do Jereissati. Vamos lá, não estou dizendo que seja exclusivamente preconceito. É mais por desconhecimento que se fala essa besteira.

Mas, já fechando, tem também os votos do Ciro Gomes. É isso, Serra precisa do eleitorado do deputado cearense que mudou o título eleitoral para São Paulo. Então nada mais simples que pegar um político do Ceará, não?

Eu não sei o que seria do Serra se não fosse essa gente para passar essas sacadas políticas pala ele.
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POR José Pires

Fonte transbordante

A imprensa brasileira tem um modo curioso de cobrir os assuntos. Por que o deputado cassado José Dirceu tem que ser ouvido sobre as críticas do pré-candidato José Serra à leniência — ou cumplicidade mesmo, como eu posso dizer, já que não sou candidato — do governo da Bolívia com o tráfico de drogas?

Ele não é o coordenador da campanha da Santinha, não é líder de bancada, não é presidente do PT. Então qual é a justificativa que os jornalistas podem dar para ouvir tanto o José Dirceu?

No vocabulário político temos diversos tipos de fonte. Tem a "fonte que não quer se identificar",a "fonte ligada a este ou aquele poderoso", a "fonte oficial", é um aguaceiro danado, muitas "fontes". E quase todas não tem outro significado que facilitar o enchimento das colunas do jornais e agora dos sites.

Na minha visão, isso tem feito os leitores se encherem de ler notícia que não dá em nada. É um tal de deputado fulano falou isso, senador sicrano pensa aquilo, que nada acrescenta à informação. Isso não é jornalismo. É só embrulho de peixe.

É muita armação. Nalgumas vezes os jornais chegam ao ponto de pautar um assunto com uma pergunta capciosa feita a algum político — algo assim como "fulano, o que você acha daquilo que o sicrano fez?" — e depois vão ao sicrano perguntar se ele não vai responder ao outro. Só não avisam que foram eles que inventaram o assunto.

Para que tem servido isso, além de aumentar a pilha de papel velho no quartinho dos fundos? Para nada. É o caso de pitacos do José Dirceu. Ora, todo mundo sabe que sua atuação é de lobbysta (falando nisso, o bom lobbysta é igual agente secreto: sua capacidade se mede também pela discrição, não?). Então, quando um jornalista vai buscar sua opinião forçadamente sobre tantos assuntos, não dá pra gente deixar de suspeitar que o jornalista traz algo mais que a opinião. Mas isso ele não mostra pra ninguém.

José Dirceu é uma fonte transbordante. Não sei como é que sua opinião não invadiu ainda os cadernos de cultura (o que será que Dirceu acha do último disco do Caetano?) Ora, isso é embrulho de peixe podre.

Jornal vive de credibilidade. Blog idem, está bem? Então quando uma fonte é quase permanente num desses veículos, a gente logo fica pensando sobre as motivações do jornalista. Será que o uísque da casa do José Dirceu é tão bom que, além, de sair trocando as pernas o jornalista vai pra casa com uma opinião novinha de Dirceu sobre qualquer assunto? Eu disse uísque? Bem, deixa pra lá.

O ex-titular do governo petista e capitão valoroso que Lula teve que chutar do time teria que ser ouvido quando o assunto é mandracaria, corrupção ativa, formação de quadrilha, suas atividades mais marcantes na política, segundo a Procuradoria-Geral da República, e pelas quais ele ainda tem que responder ao STF.

Aliás, logo adentramos o mês de junho, quando pululam as quadrilhas pelo país afora. Neste caso não seria forçação de barra ouvir José Dirceu, afinal o procurador-geral da República o identificou como um dos maiores chefes de quadrilha do país.
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POR José Pires

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A Santinha e o Garotinho


Anthony Garotinho foi cassado agora à tarde pelo Tribunal Regional do Rio (TRE-RJ). Rosinha Garotinho, sua mulher e prefeita de Campos, também foi cassada. A marotagem é antiga, vem da acusação de abuso de poder econômico na eleição de 2008 em que Rosinha se elegeu prefeita.

Está todo mundo à espera da reação da brava blogosfera petista contra esta decisão do TRE carioca, logo agora que a Santinha e o Garotinho já tinham acertado tudo.

Esta tarde em seu site, Dilma já partiu em defesa do companheiro Evo Morales, presidente da Bolívia, de onde vem quase toda a cocaína que chega ao Brasil. Mas ainda não falou nada sobre este outro companheiro maroto, o Garotinho.

É provável que ela esteja preparando um bom discurso, uma coisa mais elaborada, afinal não se deve fazer algo banal para alguém que, como ela já disse com toda emoção, "é um companheiro histórico".
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POR José Pires

Tá tudo dominado...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Toc, toc, toc, torcida brasileira!


Ninguém precisa de incentivo para torcer contra a Argentina em Copa do Mundo, mas o técnico Maradona acaba de dar mais um motivo para isso. Ele vai ficar pelado em público se a Argentina ganhar a copa. Puxa vida, o mundo precisa evitar um espetáculo grotesco desses.

Mas o Brasil tem mais problemas que a Argentina, sendo que o mais grave acabou de acontecer em Brasília. Veja em primeira mão na foto que acabei de pegar na Secretaria de Imprensa da Presidência da República: a Seleção cometeu mesmo a imprevidência de ir visitar o pé-frio.

Avisamos sobre o perigo. Até publicamos provas sobre o assunto, na famosa lista de vítimas do seca-pimenteira, mas não teve jeito. A ziquizira está feita. Agora a torcida brasileira vai ter que fazer um esforço extrordinário, bem maior do que já estava sendo exigido pela Seleção do Dunga.

Lá no fundo da foto dá para perceber o ministro dos Esportes, Orlando Silva, e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, conversando animadamente, talvez combinando a divisão da tapioca da Copa de 2014, no Brasil. A tranquilidade do Lula faz a gente crer que a tapioca dele já está garantida.
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POR José Pires

O encontro da CNI entre presidenciáveis

Assisti ao debate entre os presidenciáveis, promovido ontem em Brasília pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Está disponibilizado na íntegra no site da CNI e também outros sites e blogs estão divulgando trechos mais interessantes. No site da CNI está disponível inclusive a entrevista coletiva de cada político.

Estavam presentes Marina Silva (PV), Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Foi na verdade um encontro com os presidenciáveis. Não teve perguntas entre eles. Mas o caráter de debate acaba se instalando, pois na fala de um ou outro surgem as comparações e até críticas ao adversário.

Surpreendeu positivamente o nível técnico da preparação do encontro, com apresentação ao vivo pelo site. As propostas da CNI foram divulgadas em um documento que também merece uma boa leitura. O download do vídeo poderia talvez ser menos pesado, não sei se é possível, mas, enfim, tenho que fazer este comentário senão os leitores não me reconhecem. E também pode haver um outro mais danado que pode achar que estou levando jabá para falar bem da CNI.

Neste encontro fica evidente de forma muito clara como o pré-candidato José Serra chegou a um nível de qualidade política como poucas vezes se viu neste país, como diria o Lula (Lula diria que nunca se viu, melhorando como sempre a piada).

Eu não precisaria de um evento desses para elogiar o Serra. Tenho uma admiração pelo ex-governador desde antes dele se projetar como agora, ainda quando ele perdia eleições importantes, como da primeira derrota para a prefeitura de São Paulo, mas isso é outra história.

Serra tem qualidades técnicas e intelectuais infelizmente raras na política brasileira. Também escreve bem, o que sempre acaba atraindo minha atenção e respeito, porque a escrita é uma das coisas que me dão razão de viver. O que seria de mim sem a leitura? Não haveria esteira de ginástica capaz de repor tal vazio existencial.

Mas chega do Serra, antes que os petistas me acusem de ser tucano, eu que jamais fui de partido algum. Isso foi só para deixar claro que não precisaria do encontro da CNI para gostar da performance do ex-governador.

Mas eu quero falar mesmo é de outro candidato, a santinha do PT, que sempre pensei que encontro iria fazer eu gostar menos do que sempre gostei. Mas aí é que eu me enganava. Essa candidata se supera dia-a-dia.
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POR José Pires

Meu nome é Dilma!

O que o encontro de ontem entre os presidenciáveis trouxe de mais chocante e de enorme peso simbólico foi a performance da ex-ministra Dilma Rousseff e candidata do PT.

Dilma é representativa de vários vícios políticos deste governo e do partido que está no poder. Sua escolha em momento tão expressivo e até crucial na história do PT, mostra bem a eficácia a derrocada de um modelo político, que pode muito bem ser chamado de lulo-petismo. Não acho que exista um “lulismo”. Sem a chave do cofre, Lula deterá o poder que tem agora sobre o petismo? Duvido. E também não terá a expressão que imagina para seu futuro, ele e a Folha de S. Paulo, que até coloca em manchete que basta que ele escolha entre a secretaria-geral da ONU e o Banco Mundial.

O caminho do PT tinha mesmo que dar na Dilma. Falei lá em cima da primeira derrota Serra para prefeito. Foi em 1988, ano da Constituinte, e ele perdeu para Luiza Erundina, que saiu do PT lá atrás praticamente excluída do partido. E Dilma? Nessa época era gaúcha (parece que agora é mineira) e do PDT.

A destruição gradativa dos quadros petistas, seja pelo corte implacável feito pelos caciques ou pela queda política causada por escândalos de corrupção, acabou abrindo o espaço que hoje é dela. Um cacique impôs uma que não é relevante nem na história do próprio PT. Isso é auto-explicativo para um partido que pegou todos os velhos defeitos da política brasileira.

Por isso a santinha deve ser vista como um símbolo. Um partido famoso pela qualidade parlamentar e capacidade de sua militância para o debate (para o bem ou para o mal, mais para o mal) acabou em uma candidata que nem sabe falar em público. Dilma não sabe como dizer e quando diz alguma coisa passa a impressão de que não sabe do que está falando. No encontro, não respondeu a nenhuma das questões que foram colocadas. Tratou também cada assunto com a agressividade contida de que já falei.

Perde-se em digressões que não dizem nada, traz números que não se referem ao assunto tratado, e faz isso em todos os assuntos. Não tem uma fala que se aproveite. Imagino o desespero de um marqueteiro que for editar o material produzido pela candidata. Não vai encontrar nada que preste e ainda corre o risco de ser xingado por ela.

Dilma é efeito tostines. Sua candidatura revela a falência do partido ou foi a falência que deu numa candidata tão despreparada? Se Dilma não representasse um partido que está no poder há oito anos e que esteve presente na vida política brasileira de forma atuante nas últimas décadas, além de administrar prefeituras importantes e até estados brasileiros, certamente seria tratada pela opinião pública com o mesmo tom jocoso que merecem candidatos nanicos que entram nas disputas apenas para sofrer vexames.

Não seria um exagero dizer que Dilma é um Enéas. E um Enéas que tem pela frente a dificuldade de não poder dizer apenas o nome (Meu nome é Dilma!), uma candidata que sofre com a exigência de um discurso mais longo e aprofundado.

Sua escolha, feita com um dedaço de Lula, passando por cima do PT e alijando da disputa nomes do partido mais competentes em todos os aspectos e até lançando fora da disputa com a pressão da máquina pública um aliado como Ciro Gomes, é o retrato que finalmente foi revelado de um partido que cresceu na cômoda situação de uma oposição sem responsabilidades e que chafurdou na corrupção sempre que que obteve o poder.

Dilma candidata à presidente da República é duplamente assustador. Primeiro pelo óbvio: ela pode ser a presidente. E depois, porque este despreparo cômico e até constrangedor reforça a apreensão sobre a situação real do nosso país. Nos dois mandatos de Lula ela esteve atuante no círculo mais alto do governo e no segundo mandato era a segunda em poder de mando. Até poucos meses atrás, era ela quem mandava. E mesmo hoje, a máquina de governo caminha sempre em conformidade com os passos da sua campanha eleitoral.

Observar essa tecnocrata de má-qualidade faz temer o que virá no ano que vem, quando a caixa-preta for aberta ou explodir de tantos problemas.
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POR José Pires

Não há vaga, santinha

Não vou correr agora atrás do perfil dos empresários, mas dá para notar pelo vídeo que alguns dos que fizeram perguntas têm um perfil parece raro hoje em dia no setor, o daquele empresário que não recebeu do céu, ou melhor, do papai aqui da terra, as coisas que têm. É o empresário que construiu a carreira com esforço e dedicação, não raro começando bem de baixo.

Até por minha idade, convivi algumas vezes com empresários assim e sei que o perfil humano pesa bastante nas suas avaliações. E dá para entender isso muito bem. Imagino quantas vezes eles não tiveram um idiota à sua frente repetindo com exatidão números, estatísticas, projeções e tantas enrolações sem resultado prático e, pior, surgidas apenas do palavrório de tantos livros de gurus da Administração.
Com todo o respeito, Dilma é um desses idiotas. Ela parece aqueles picaretas que faziam conferências pelo país afora discursando sobre as maravilhas da reengenharia. Dava para seguir o rastro desses cretinos pela má-qualidade dos serviços e as empresas destruídas espalhadas pelo caminho.
Bem, Dilma não é parecida com esses idiotas ao menos por uma coisa: não consegue recitar com habilidade o lero-lero.

Com os três presidenciáveis ali sendo avaliados pelos empresários, fiquei imaginando qual deles seria contratado se estivessem disputando uma vaga de trabalho.

Eu acho que a Dilma ia ter pegar o currículo (será que já eliminou o doutorado que nunca fez?) e caçar vaga em outro canto. 
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POR José Pires

Apoio insalubre

Se dependesse apenas do mérito pessoal, sem o escoramento das indicações políticas e do poder de grupos, como tem sido sua carreira a candidata do PT teria dificuldade de colocação mercado. Essa é uma verdade dura que os companheiros têm de encarar e que para alguns deve ser uma vergonha danada.

Puxa vida, apoiar uma figura como a Dilma é de uma insalubridade política até desumana. No aspecto intelectual, então, deve ser tão abalador quando fazer campanha para o Berlusconi. Eu não escreveria a favor de uma incapaz como essa nem que fosse por um bom empréstimo a fundo perdido do BNDES. Mas nem que o Franklin Martins ou a Teresa Cruvinel aceitasse um projeto meu muito bacana e bem pago para a TV Brasil.

Seguir a liderança de Lula também não deve ser fácil. Puxa vida, cada vez que a gente encarasse um Karl Popper ou um Isaiah Berlin na biblioteca iria ser um vexame. Mas com Lula e sua proverbial ignorância, sempre é possível justificar com sua suposta história esse rebaixamento intelectual e até mesmo moral e político.

Como candidata, Dilma é um estouro. Ou quase. Ela está sempre à beira da explosão. E a granada só mantém o o pino porque o momento exige. Não é como um ataque de nervos. Não, isso até seria justificável, ainda que fosse recomendável a camisa de força. Na realidade ela vive de forma permanente na situação de toda pessoa autoritária que, por força das circunstâncias, não pode mandar o próximo às favas.

Em qualquer situação, mesmo que seja em um clima sem nenhuma agressividade política, como foi este encontro, Dilma tem uma dificuldade danada em ouvir o outro. Dá a impressão de que é capaz de responder com agressão até a um elogio. Bem, ainda bem que disso estou livre.
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POR José Pires

No encontro da CNI as perguntas foram bem educadas, tanto no tom quanto no conteúdo, sem a extrapolação grosseira dos limites do bom senso e a falta de cortesia que costuma acontecer em eventos do tipo promovidos por sindicatos de trabalhadores. Isso pelo menos os sindicalistas deveriam aprender com os patrões.

Porém, mesmo com este clima, eu já estava esperando Dilma dar um pito em algum empresário. Toda questão era recebida por ela de forma tensa. Quando o jornalista responsável pela mesa chamou sua atenção para que parasse de exceder o tempo, ele se arriscou a ser chamado de “santinho”.

Ela fica extremamente desconfortável com qualquer questionamento, mesmo com uma indagação técnica. Mas como tem uma eleição aí na frente, a candidata busca usar de forma habilidosa as palavras para não transparecer a impaciência. E aí arruma outro problema, pois a palavra é uma das ferramentas que ela não sabe usar.

Então se enrola em um palavreado que no final não tem significado algum. E o corpo também não atende seu comando para não parecer que está doida para dar uma patada no intrometido perguntador. A expressão corporal, o tom de voz, tudo que ainda foi domado por especialistas em marketing fica contido, mas sempre no limite da explosão.

Essas exposições públicas estão pelo menos ajudando a entender as histórias de grosserias, gente chorando pelo corredor, ministros ofendidos em público, as tantas histórias que contam o inferno que era com Dilma quando ela era ministra-chefe da Casa Civil.

O PT tem uma candidata que não tem competência nem para exercer papéis básicos de um político em campanha, como falar com certa habilidade, dominar números e estatísticas e saber utilizá-los em seu devido contexto, enfim fazer bem feito uma campanha política.

E ela pode vencer. Até um poste teria essa chance, com o poder político e econômico que cerca sua candidatura, com um partido influente em sindicatos fortes e na maior central sindical do país e a posse da máquina do governo federal, que vem sendo usada além do limite da legalidade.
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POR José Pires

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Zerando

Hoje foi lançado o canal internacional da TV Brasil. A TV do Lula está ficando importante: agora é Lula News. O canal transmitirá sua programação para 49 países da África. Numa segunda etapa, a programação será estendida para os Estados Unidos, América Latina e Europa.

Segundo a presidente da emissora, Tereza Cruvinel, o custo será "praticamente zero". Ela não falou, mas convém informar que a audiência também será praticamente zero.
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POR José Pires

Não dá pra não deixar de não gostar


Certas notícias forçam a gente a voltar ao texto para verificar se não houve algum erro de leitura do que acabamos de ver. Hoje com a facilidade da pesquisa na internet, não é raro que eu corra para outros sites para ver se o fato está mesmo sendo colocado corretamente.

Textos sobre o meio ambiente sempre obrigam a esta verificação, não só porque é um assunto que lida muito com números, mas também pelo susto que levamos em cada notícia. Infelizmente em cada verificação vemos que a coisa é mesmo de assustar.

Essa reforma da Folha de S. Paulo, que começou no jornal de ontem, deu um estranhamento que me fez voltar a olhar com atenção o modelo anterior. A edição de domingo veio com um caderno inteiro para convencer o leitor de como está corretíssima a reformulação. É um caderno falando bem deles. Puxa vida, isso é algo que o jornalismo devia evitar. A Folha gosta bastante desse negócio de "ouvir o outro lado", não? Pois deviam ter pedido para a redação do Estadão editar este caderno que avalia a reforma que fizeram.

É claro que toda reforma é projetada para melhorar o produto, mas vejam os dois jornais acima. O da esquerda é a Folha antes da reforma e a da direita é como fica a partir de agora. Será que sou o único louco por aqui? Eu acho a melhor a Folha de antes.
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POR José Pires

Novidadeira e ansiosa para botar catraca na internet

Os outros jornais devem estar mesmo morrendo de inveja. A redação da Folha é um celeiro de gênios segundo... a própria redação da Folha.

Leio, por exemplo, no caderno que fizeram para exaltar a reforma que a renovação gráfica “facilita a leitura, reforça a organização das páginas e aumenta a identidade entre os cadernos do jornal”. Uau! Como é que O Globo, o Estadão, ou qualquer outro concorrente não pensou nisso antes.

É o que dá jornalista começar a escrever feito publicitário. Acaba sempre ficando pior que a própria publicidade porque o critério de avaliação de um texto supostamente jornalístico é sempre acima, mas bem mais alto mesmo, do que a leitura de um anúncio.

O texto sobre a reforma faz uma relação entre o impresso e a internet. E aí deve ter alguma sacada genial que não peguei. Aliás, não pegamos, pois se existe hoje uma unidade de pensamento sobre a relação entre o impresso e a internet é a de que cabe ao impresso dar ao leitor mais conteúdo, não só na qualidade quanto na quantidade.

E a Folha passa a partir desse domingo a ter menos conteúdo, já que aumentou bastante a fonte do jornal. Nem vou falar da qualidade, mas por aí este foi um domingo também difícil com a manchete de primeira página que coloca o futuro de Lula entre a ONU e o Banco Mundial.

Mas, voltemos à reforma. Os jornais brasileiros já tinham perdido bastante espaço com o corte de papel feito em 1992. Por medida de de economia os jornais brasileiros, quem tinham até então 35 centímetros de largura, sofreram um corte que os deixou com 32 centímetros. Quem trabalha em jornal sabe como estes três centímetros de corte alteram bastante a quantidade de texto.

E é curioso que no gráfico (hoje chamam de "infográfico", mas é a mesma coisa) publicado neste caderno explicativo tenham lembrado que houve um "corte de papel", mas não disseram exatamente como. Eu acho que tem malandragem, aí. É óbvio que só quem é do ramo é que vai lembrar como foi. Mas, enfim, é isso que dá colocar jornalista para fazer publicidade dos feitos da empresa.

Este projeto sacrifica ainda mais o texto. Ou seja, vão a contramão da opinião da maioria dos analistas deste assunto. O jornal passa a utilizar uma letra maior, o que significa menos espaço para os textos. Vou dar um exemplo: com a fonte nova a cada 35 linhas de uma coluna o jornal (e o leitor) perde duas linhas.

A fonte foi desenhada por uma dupla de norte-americanos especialmente para o jornal, o que é, novamente, só recurso de publicidade. A Folha adora essas superficialidades que nada trazem de qualidade ao jornalismo e nem às artes gráficas. Já existem dezenas de fontes apropriadas para para fazer uma publicação bonita e eficiente para a leitura e quase todas essas letras tem até mais de um século.

A letra que o jornal usava anteriormente, de nome Folha Serif, também era feita exclusivamente para eles. O que aconteceu? É mais uma novidade da Folha. Uma fonte muito usada, como a Garamond, é de 1530, mas temos outras muito populares e bem mais novas, como a Times New Roman, que é de 1931. A fonte exclusiva, que era uma novidade anterior da Folha, mal completou 15 anos.

Não sei o que os donos da Folha pretendem com um jornal com menos conteúdo, mas tenho
certeza de que nesta linha a estratégia de conquista de leitores desta era pós-internet fica ainda mais capenga. Não sou dos que acham que as dificuldades dos jornais impressos surgiram com a internet. Sou até bem mais discordante nesta questão. Para mim, a internet nem sequer agrava problemas que já vinham se acumulando muito tempo antes da WEB.

Na verdade, a internet pode até ser uma ferramenta para ajudar na solução da queda do número de eleitores dos impressos. Ninguém tem a fórmula de como isso deve ser feito, mas várias publicações vêm tentando agregar esta força extra e algumas vem fazendo isso com acerto. Não existe ainda receita alguma para isso. Todos ainda lutam para descobrir até como tirar dinheiro da internet nesta área. Porém, este é um processo em andamento, o que todos sabem é que é preciso marcar lugar na WEB.

A Folha é um jornal que tem errado bastante neste aspecto. E o curioso é que é a primeira empresa a ter um site jornalístico na internet. Para se ver que pioneirismo não é tudo, muito menos na internet.

Desde que Otávio Frias Filho pegou o jornal das mãos de Cláudio Abramo, a Folha virou um jornal novidadeiro. A remexida que Abramo deu no jornal na década de 1970 transformou a Folha em um jornal de fato, o que ela nunca foi antes. Era um jornaleco de província.

A história da "fonte exclusiva" é só um ponto dessa busca incessante (e talvez excitante) pelo novo. Neste domingo trazem mais esta novidade, mas é só isso. Na realidade, não há nenhuma transformação de qualidade e ainda vieram com uma reforma visual que implica em cortes substanciais no conteúdo, o que acaba sendo um erro numa época em que todos dizem que os jornais só sobrevivem se derem mais do que a internet oferece.

Eles sempre insistem no fato de que Folha é “o primeiro jornal em tempo real na língua portuguesa”. É a propaganda mais anacrônica que existe: são pioneiros em um processo que se renova a todo instante e no qual todo interesse está no que se faz agora. E em vez de caprichar no espetáculo ou trazer argumentação de peso para este debate, só sabem a ladainha da cobrança de entrada. Só pensam na danada da catraca. Os pioneiros ficaram para trás. E neste momento quem está fazendo a coisa certa internet são outros jornais e não a Folha.
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POR José Pires