A imprensa tem feito uma má cobertura dessa eleição, que começou antecipadamente e de forma ilegal, por força de ações políticas do próprio PT e do presidente Lula, com um uso da máquina pública como nunca se viu neste país. Os jornalistas deviam ir atrás de outras pistas, além das que o PT solta para desviar a atenção de problemas reais.
Deviam ser seguidas também as pegadas de políticos emergentes, como o deputado Vargas e tantos outros. A ascenção abrupta de um André Vargas, do baixo clero à escala mais alta do poder partidário e eleitoral, explica o destino do PT na mesma medida da queda de outros políticos de seu partido.
Alguns, como Fernando Gabeira, saíram faz tempo pelo fato de não gostarem de ciscar no lixo. Outros foram ao pó abatidos pelas rasteiras internas e desacertos com os rumos impostos no partido e no governo pelo poder central. É o caso de Patrus Ananias, que foi durante sete anos responsável por um dos ministérios mais importantes de Lula, o do Desenvolvimento Social, a pasta do Bolsa Família.
Patrus Ananias vem sendo aplastrado desde sua saída de um ministério da mais alta importância política e a imprensa parece nem tomar conhecimento. Seu trabalho político de tantos anos foi para lixo na política de Minas Gerais.Este tipo de lixo também faz a alegria de certos pintinhos petistas. Na política mineira, o PT local virou moeda de troca no amplo comércio eleitoral para eleger Dilma.
Que a imprensa não aprofunde a cobertura dessas eleições, indo atrás desse e de outros casos, explica não só o sucesso do lulo-petismo (em eleitores) como também o insucesso da imprensa (em queda de leitores).
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POR José Pires
terça-feira, 8 de junho de 2010
Uma coisa leva à outra
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José Pires
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Nas origens
No caso do deputado Vargas, dá para resumir suas pegadas. O deputado é do Paraná, onde sempre foi baixo clero na política.
A última eleição disputada por ele foi a de prefeito, em 2008, quando foi derrotado fragorosamente, ficando em quinto lugar, com 5,3% da votação, ou 14.506 votos de uma colégio eleitoral de 270.580 eleitores. O deputado só não ficou em último, porque esse papel coube a um candidato de partido nanico. O sexto lugar ficou com PV, com 3.371 votos.
Anteriormente o PT havia ficado oito anos na prefeitura, finalizando os mandatos com tal taxa de rejeição que o apoio do então prefeito Nedson Micheletti, sindicalista bancário, era usado pelos adversários na TV contra o candidato oficial.
Vargas elegeu-se deputado federal escorado pelo grupo do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que manda no partido no Paraná. O PT no Paraná sempre manteve uma aliança histórica com o ex-deputado José Janene, chefe do PP no estado e um dos réus do inquérito do mensalão no STF. Esta relação íntima de Vargas com Bernardo, além dos laços com o ex-ministro e deputado cassado, José Dirceu, é uma das explicações do seu atual sucesso.
Em seu passado recente, o deputado também andou envolvido com problemas de corrupção que levaram à cassação pela Câmara Municipal do prefeito Antonio Belinati em junho de 2000. O prefeito, que hoje é deputado estadual pelo PT e também é ligado a Janene, foi também preso duas vezes.
Na época da cassação de Belinati, o então deputado federal Paulo Bernardo e André Vargas, que era vereador do PT, foram objeto de ação do Ministério público.
O mais escandaloso, no entanto, foi o surgimento do nome dos dois políticos petistas na caderneta do tesoureiro do prefeito cassado, um caderno manuscrito aprendido pela polícia onde eram anotados pagamentos feitos em dinheiro. Paulo Bernardo estaria identificado na sigla P.B. e André Vargas estava identificado pelo nome por extenso.
Vargas confirmou os recebimentos, mas alegou que eram para campanha eleitoral, buscando encaminhar as denúncias para o terreno do Caixa 2, uma situação mais fácil de administrar, tanto politicamente quanto no aspecto jurídico. Com se vê, essa história vem de longe.
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segunda-feira, 7 de junho de 2010
Objeto muito democrático

Maravilhosa invenção para o aprimoramento da nossa democracia. Muito útil para o uso em convenções, debates, alianças eleitorais e até mesmo para depois da eleição, para a convivência no pleno exercício do poder.
É uma idéia muito simples, como todo ovo depois de colocado em pé. Além da ampla utilidade na atividade política, pode também ser usado na fraterna convivência social de nossos dias. Sendo um objeto de fácil manejo e de mobilidade facilitada, pode ser levado à bares, festas, casamentos, enfim a todo lugar onde o convívio social exija regras de amabilidade e cortesia.
Já encomendei um com reforço especial, só para cumprimentar petistas.
Tirei daqui
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José Pires
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Semelhanças com Belíndia
Esse negócio de resolver problema nuclear do Irã, dar de dedo nos Estados Unidos, além de outras façanhas, pode deixar o brasileiro nos ares. Então puxemos uma notícia para descermos ao nível da realidade.
Saiu o veredito do julgamento dos acusados da tragédia de Bhopal, o vazamento de gás tóxico que matou milhares de pessoas — 3,5 mil conforme dados oficiais, mais de 7 mil, segundo outras fontes. O vazamento aconteceu em dezembro de 1984 e, desde então, o caso vem rolando de corte para corte.
Organizações que se dedicaram ao caso afirmam que desde o incidente, cerca de 20 mil pessoas teriam morrido até hoje em razão da ação do veneno. Outras 600 mil teriam tido a saúde afetada.
O veneno que vazou da norte-americana Union Carbide teve efeito rápido. As mortes ocorreram em três dias. Até hoje Bhopal tem uma alta taxa de enfermidades e de crianças portadoras de deformidades de nascença.
Foram 25 anos de espera para que os alguns culpados fossem punidos. Parece um país conhecido nosso, não? Pois é, mas as penas recebidas por eles na Índia também fazem a gente se sentir em casa.
A justiça da Índia condenou oito pessoas a dois anos de prisão cada uma. E os condenados, entre os quais estão executivos da Union Carbide, ainda podem apelar da decisão.
Não sei como é na Índia, mas na nossa Belíndia ninguém iria dar trabalho para o sistema penintenciário. Aqui seria bem grande a possibilidade dessa condenação cair para zero.
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quarta-feira, 2 de junho de 2010
Equipe de Dilma aumenta currículo de Oliver Stone
Agora vejo mais uma trapalhada de destaque da turma de Dilma. No vídeo postado no site da candidata, Stone aparece como "ganhador de três Oscars", sendo um deles pelo filme ‘O Expresso da Meia-Noite”.
Mas seria bom deixar claro que “O Expresso da Meia-Noite” não é de Oliver Stone. Este filme foi dirigido por Alan Parker. Stone fez apenas o roteiro, adaptado do livro de outro autor. Mas sempre é bom valorizar os apoiadores.
São coisas da assessoria de Dilma. Mas este descuido com a biografia do cineasta paparicador é até compreensível. Deve ser vício. Dilma também gosta de aumentar currículo, tanto que passou anos identificando-se como doutora sem nunca ter feito doutorado algum.
Mas, como já disse, assessorias correspondem sempre à qualidade da chefia. Nada mal que Dilma e Stone tenham a mesma turma trabalhando para os dois.
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Os teóricos da chatice e do autoritarismo
É marcante a ausência de alguns nomes importantes nesta lista, como Michelle Bachelet, que foi presidente do Chile até março passado, e Alan Garcia, do Peru. Mas é que esses presidentes destruiriam a teoria perseguida pelo cineasta norte-americano, de que a América Latina vive um processo revolucionário encarnado pelos nomes que estão em seu filme.
Falta também Fernando Lugo, mas o presidente do Paraguai teve um brilho fugaz nesta constelação eleita por Stone. A princípio foi tratado como um dos revolucionários da hora, mas foi rapidamente proscrito.
Dificilmente verei um filme desses, apesar de que tenho feito esforços consideráveis para informar bem os leitores deste blog. Mas já dá para ter um idéia do conteúdo da obra pelas atitudes de Stone no Brasil e também pelos elogios de um de seus entrevistados e seu ídolo máximo, o presidente venezuelano Hugo Chávez.
“Oliver compreendeu muito bem que na América Latina se está forjando uma revolução.
Seu documentário é um tributo à América Latina, que está lutando para unir-se e forjar seu próprio destino”, disse Chávez.
É interessante a intimidade de Chávez, tratando o autor como “Oliver”. É um tom que caracteriza ainda mais esta fala como uma boa definição da qualidade da do trabalho de Stone.
O filme deve ser uma porcaria. E nem falo isso pelo que penso das personalidades que dão base ao documentário. É uma questão técnica. É impossível fazer algo de qualidade com esta falta de senso crítico demonstrada por Stone. Mesmo na ficção exige-se algum distanciamento para que saia algo bom. Num documentário é preciso ainda mais capacidade de avaliar com relativa imparcialidade o tema escolhido. No jornalismo é preciso até ser cético para obter alguma coisa de qualidade.
E como Stone parte sempre de um ponto de vista propagandístico, duvido que tenha produzido um bom documentário. Com sua visão de militante, tudo o que realmente importa terá passado desapercebido.
Nisso ele é parecido com Michael Moore, um diretor que exige que a realidade se acomode ao que ele pretende políticamente. Não à tôa, é com a mesma leviandade que os dois dão apoio à causas políticas e grupos de paíse estrangeiros metidos em complexas situações políticas. São dois tiranos. Até o que já aconteceu tem que ser como eles querem.
Stone age como a militância que conhecemos bem por aqui. Eles tem uma visão que deve ser combatida, pelo dirigismo autoritário que prejudica todo trabalho intelectual ou de arte e que tenta determinar até mesmo o cotidiano das pessoas.
Esse pessoal é perigoso. São também muito chatos. Sua meta é abolir qualquer coisa que venha a descompor a teoria pré-montada do enredo que eles pretendem impor, seja em um filme ou na política.
Em filmes, a obra acaba ficando chata demais. Com a bajulação política, perdem até bons temas, como foi o caso da biografia de Lula, um político com uma história de vida sem dúvida muito interessante, mas que foi transformada numa porcaria de filme propagandístico. No final, a obra foi um fiasco até como propaganda.
E no caso da vida, esta mesma atitude transforma o cotidiano numa coisa chata, isso quando a destruição não avança para o pior, como já se viu em vários países onde essa mentalidade tomou o poder.
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O cineasta marqueteiro
O cineasta fala igual a um político do baixo clero de olho em algum carguinho futuro. Stone intromete-se em uma realidade política que desconhece, falando com determinação sobre assuntos que exigiriam de um estrangeiro pelo menos um pouco mais de respeito.
Mas quem é que pode exigir que um norte-americano convertido ao “bolivarianismo” chavista não seja leviano?
O estilo é parecido com o que vemos aqui, no Brasil, nas intromissões da nossa esquerda em assuntos de outros países. De um dia para o outro, porque é desse modo que surgem certos assuntos internacionais, esta esquerda passa a apoiar malucos como, por exemplo, Manuel Zelaya, e a fazer a divisão do país estrangeiro entre bons e maus.
Mas, além da má-fé, existe também algo de maluco nesta gente. Parece coisa de seita. Só falta aquele colar de folhas que o Evo Morales joga no pescoço dos visitantes.
Stone disse que Dilma tem “uma mente brilhante”, um elogio que deve ter surpreendido até Lula, o iluminador da sala da Marilena Chauí. Que a Santinha não é tudo isso até seu assessor mais puxa-saco sabe muito bem.
Mas Stone age como um profissional da bajulação. Tem gente que faz isso como marqueteiro e aí dá para entender. Mas num cineasta isso rebaixa bastante.
Segundo ele, a candidata “tem muita informação, sabe tudo de energia, de economia, tem determinação e energia.” E mais: “Ela é muito focada e fiquei muito impressionado com isso. Dedicada ao desenvolvimento e a continuidade do projeto de Lula e avançar.”
O marqueteiro da Dilma que se cuide. O Oliver Stone está querendo tomar o lugar dele.
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terça-feira, 1 de junho de 2010
Oliver Stone e o efeito Norma Bengell
Essa assessoria da Dilma não toma jeito. Bateu novamente o efeito Norma Bengell, agora com alguém do cinema dos Estados Unidos.
Segundo a assessoria, Stone disse que Dilma é "carismática" e que, caso seja eleita, a América do Sul terá duas mulheres presidentes. A outra é Cristina Kirchner, da Argentina.
Ainda de acordo com a assessoria da petista, o cineasta ficou "impressionado" com o conhecimento de Dilma sobre o Brasil, principalmente sobre energia.
Bem, a primeira afirmação é totalmente errada e a que mais prejudica o cineasta, já que é da sua área. Se achou realmente que Dilma é carismática, ele é uma porcaria de profissional. Se existe uma unanimidade entre os analistas sobre esta eleição é a de que Dilma não é carismática. Nem o Lula acha o contrário.
A segunda opinião mostra que Stone é de uma perspicácia impressionante. Esta aí uma verdade política inquestionável: se já tem uma mulher na presidência da Argentina, com a Dilma aqui serão duas na América do Sul.
Sabe tudo de América Latina esse cara. E com esse tipo de raciocínio abre a possibilidade de extrairmos lições muito úteis também de outros cenários. Se for o Serra o eleito, teremos uma situação mais original: ele será o único presidente careca da América do Sul. O presidente da Guiana perdeu bastante cabelo nos últimos tempos, mas genuinamente careca seria só o nosso Serra. Ninguém segura mesmo este país.
Sobre a terceira bobagem, a de que Stone ficou impressionado com o conhecimento de Dilma sobre o Brasil, das duas, uma: ou é mentira da assessoria de Dilma ou o cineasta mentiu para favorecer a petista.
Para avaliar o conhecimento de alguém sobre algo, o avaliador precisa conhecer muito bem o assunto em discussão. E é óbvio que Stone nada sabe sobre o Brasil. Além do mais, em uma hora não dá tempo para tanta conversa assim sobre país algum. Se juntar o assunto da geração de energia, então, aí então é que o tempo fica escasso. E se levarmos em conta a deficiente capacidade de expressão da carismática (sic, sic e sic!) Dilma, uma hora não é tempo suficiente nem para ela explicar onde é Copacabana.
Já é evidente há algum tempo que politicamente o cineasta norte-americano é um estouvado. Não fosse assim, ele não seria fã de carteirinha de Hugo Chávez. Mas esta visita a um candidato à presidência de um país estrangeiro deixa ainda mais claro sua leviandade.
E as informações passadas pelos assessores de Dilma, que o transformam num idiota político, mostram que, enfim, Oliver Stone encontrou uma assessoria à altura da sua capacidade política.
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segunda-feira, 31 de maio de 2010
Agora vai
O cara está impossível. Para problemas menores, como este do golfo do México, está dispensando até o olho no olho.
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Campanha de Dilma tem vaga
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sexta-feira, 28 de maio de 2010
Um peso, duas medidas
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De olho na retaguarda
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África e Nordeste
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Fonte transbordante
Para que tem servido isso, além de aumentar a pilha de papel velho no quartinho dos fundos? Para nada. É o caso de pitacos do José Dirceu. Ora, todo mundo sabe que sua atuação é de lobbysta (falando nisso, o bom lobbysta é igual agente secreto: sua capacidade se mede também pela discrição, não?). Então, quando um jornalista vai buscar sua opinião forçadamente sobre tantos assuntos, não dá pra gente deixar de suspeitar que o jornalista traz algo mais que a opinião. Mas isso ele não mostra pra ninguém.
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quinta-feira, 27 de maio de 2010
A Santinha e o Garotinho
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quarta-feira, 26 de maio de 2010
Toc, toc, toc, torcida brasileira!
Ninguém precisa de incentivo para torcer contra a Argentina em Copa do Mundo, mas o técnico Maradona acaba de dar mais um motivo para isso. Ele vai ficar pelado em público se a Argentina ganhar a copa. Puxa vida, o mundo precisa evitar um espetáculo grotesco desses.
Mas o Brasil tem mais problemas que a Argentina, sendo que o mais grave acabou de acontecer em Brasília. Veja em primeira mão na foto que acabei de pegar na Secretaria de Imprensa da Presidência da República: a Seleção cometeu mesmo a imprevidência de ir visitar o pé-frio.
Avisamos sobre o perigo. Até publicamos provas sobre o assunto, na famosa lista de vítimas do seca-pimenteira, mas não teve jeito. A ziquizira está feita. Agora a torcida brasileira vai ter que fazer um esforço extrordinário, bem maior do que já estava sendo exigido pela Seleção do Dunga.
Lá no fundo da foto dá para perceber o ministro dos Esportes, Orlando Silva, e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, conversando animadamente, talvez combinando a divisão da tapioca da Copa de 2014, no Brasil. A tranquilidade do Lula faz a gente crer que a tapioca dele já está garantida.
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O encontro da CNI entre presidenciáveis
Estavam presentes Marina Silva (PV), Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Foi na verdade um encontro com os presidenciáveis. Não teve perguntas entre eles. Mas o caráter de debate acaba se instalando, pois na fala de um ou outro surgem as comparações e até críticas ao adversário.
Surpreendeu positivamente o nível técnico da preparação do encontro, com apresentação ao vivo pelo site. As propostas da CNI foram divulgadas em um documento que também merece uma boa leitura. O download do vídeo poderia talvez ser menos pesado, não sei se é possível, mas, enfim, tenho que fazer este comentário senão os leitores não me reconhecem. E também pode haver um outro mais danado que pode achar que estou levando jabá para falar bem da CNI.
Neste encontro fica evidente de forma muito clara como o pré-candidato José Serra chegou a um nível de qualidade política como poucas vezes se viu neste país, como diria o Lula (Lula diria que nunca se viu, melhorando como sempre a piada).
Eu não precisaria de um evento desses para elogiar o Serra. Tenho uma admiração pelo ex-governador desde antes dele se projetar como agora, ainda quando ele perdia eleições importantes, como da primeira derrota para a prefeitura de São Paulo, mas isso é outra história.
Serra tem qualidades técnicas e intelectuais infelizmente raras na política brasileira. Também escreve bem, o que sempre acaba atraindo minha atenção e respeito, porque a escrita é uma das coisas que me dão razão de viver. O que seria de mim sem a leitura? Não haveria esteira de ginástica capaz de repor tal vazio existencial.
Mas chega do Serra, antes que os petistas me acusem de ser tucano, eu que jamais fui de partido algum. Isso foi só para deixar claro que não precisaria do encontro da CNI para gostar da performance do ex-governador.
Mas eu quero falar mesmo é de outro candidato, a santinha do PT, que sempre pensei que encontro iria fazer eu gostar menos do que sempre gostei. Mas aí é que eu me enganava. Essa candidata se supera dia-a-dia.
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POR José Pires
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Meu nome é Dilma!
Dilma é representativa de vários vícios políticos deste governo e do partido que está no poder. Sua escolha em momento tão expressivo e até crucial na história do PT, mostra bem a eficácia a derrocada de um modelo político, que pode muito bem ser chamado de lulo-petismo. Não acho que exista um “lulismo”. Sem a chave do cofre, Lula deterá o poder que tem agora sobre o petismo? Duvido. E também não terá a expressão que imagina para seu futuro, ele e a Folha de S. Paulo, que até coloca em manchete que basta que ele escolha entre a secretaria-geral da ONU e o Banco Mundial.
O caminho do PT tinha mesmo que dar na Dilma. Falei lá em cima da primeira derrota Serra para prefeito. Foi em 1988, ano da Constituinte, e ele perdeu para Luiza Erundina, que saiu do PT lá atrás praticamente excluída do partido. E Dilma? Nessa época era gaúcha (parece que agora é mineira) e do PDT.
A destruição gradativa dos quadros petistas, seja pelo corte implacável feito pelos caciques ou pela queda política causada por escândalos de corrupção, acabou abrindo o espaço que hoje é dela. Um cacique impôs uma que não é relevante nem na história do próprio PT. Isso é auto-explicativo para um partido que pegou todos os velhos defeitos da política brasileira.
Por isso a santinha deve ser vista como um símbolo. Um partido famoso pela qualidade parlamentar e capacidade de sua militância para o debate (para o bem ou para o mal, mais para o mal) acabou em uma candidata que nem sabe falar em público. Dilma não sabe como dizer e quando diz alguma coisa passa a impressão de que não sabe do que está falando. No encontro, não respondeu a nenhuma das questões que foram colocadas. Tratou também cada assunto com a agressividade contida de que já falei.
Perde-se em digressões que não dizem nada, traz números que não se referem ao assunto tratado, e faz isso em todos os assuntos. Não tem uma fala que se aproveite. Imagino o desespero de um marqueteiro que for editar o material produzido pela candidata. Não vai encontrar nada que preste e ainda corre o risco de ser xingado por ela.
Dilma é efeito tostines. Sua candidatura revela a falência do partido ou foi a falência que deu numa candidata tão despreparada? Se Dilma não representasse um partido que está no poder há oito anos e que esteve presente na vida política brasileira de forma atuante nas últimas décadas, além de administrar prefeituras importantes e até estados brasileiros, certamente seria tratada pela opinião pública com o mesmo tom jocoso que merecem candidatos nanicos que entram nas disputas apenas para sofrer vexames.
Não seria um exagero dizer que Dilma é um Enéas. E um Enéas que tem pela frente a dificuldade de não poder dizer apenas o nome (Meu nome é Dilma!), uma candidata que sofre com a exigência de um discurso mais longo e aprofundado.
Sua escolha, feita com um dedaço de Lula, passando por cima do PT e alijando da disputa nomes do partido mais competentes em todos os aspectos e até lançando fora da disputa com a pressão da máquina pública um aliado como Ciro Gomes, é o retrato que finalmente foi revelado de um partido que cresceu na cômoda situação de uma oposição sem responsabilidades e que chafurdou na corrupção sempre que que obteve o poder.
Dilma candidata à presidente da República é duplamente assustador. Primeiro pelo óbvio: ela pode ser a presidente. E depois, porque este despreparo cômico e até constrangedor reforça a apreensão sobre a situação real do nosso país. Nos dois mandatos de Lula ela esteve atuante no círculo mais alto do governo e no segundo mandato era a segunda em poder de mando. Até poucos meses atrás, era ela quem mandava. E mesmo hoje, a máquina de governo caminha sempre em conformidade com os passos da sua campanha eleitoral.
Observar essa tecnocrata de má-qualidade faz temer o que virá no ano que vem, quando a caixa-preta for aberta ou explodir de tantos problemas.
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Não há vaga, santinha
Até por minha idade, convivi algumas vezes com empresários assim e sei que o perfil humano pesa bastante nas suas avaliações. E dá para entender isso muito bem. Imagino quantas vezes eles não tiveram um idiota à sua frente repetindo com exatidão números, estatísticas, projeções e tantas enrolações sem resultado prático e, pior, surgidas apenas do palavrório de tantos livros de gurus da Administração.
Com os três presidenciáveis ali sendo avaliados pelos empresários, fiquei imaginando qual deles seria contratado se estivessem disputando uma vaga de trabalho.
Eu acho que a Dilma ia ter pegar o currículo (será que já eliminou o doutorado que nunca fez?) e caçar vaga em outro canto.
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POR José Pires
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Apoio insalubre
Se dependesse apenas do mérito pessoal, sem o escoramento das indicações políticas e do poder de grupos, como tem sido sua carreira a candidata do PT teria dificuldade de colocação mercado. Essa é uma verdade dura que os companheiros têm de encarar e que para alguns deve ser uma vergonha danada.
Puxa vida, apoiar uma figura como a Dilma é de uma insalubridade política até desumana. No aspecto intelectual, então, deve ser tão abalador quando fazer campanha para o Berlusconi. Eu não escreveria a favor de uma incapaz como essa nem que fosse por um bom empréstimo a fundo perdido do BNDES. Mas nem que o Franklin Martins ou a Teresa Cruvinel aceitasse um projeto meu muito bacana e bem pago para a TV Brasil.
Como candidata, Dilma é um estouro. Ou quase. Ela está sempre à beira da explosão. E a granada só mantém o o pino porque o momento exige. Não é como um ataque de nervos. Não, isso até seria justificável, ainda que fosse recomendável a camisa de força. Na realidade ela vive de forma permanente na situação de toda pessoa autoritária que, por força das circunstâncias, não pode mandar o próximo às favas.
Em qualquer situação, mesmo que seja em um clima sem nenhuma agressividade política, como foi este encontro, Dilma tem uma dificuldade danada em ouvir o outro. Dá a impressão de que é capaz de responder com agressão até a um elogio. Bem, ainda bem que disso estou livre.
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No encontro da CNI as perguntas foram bem educadas, tanto no tom quanto no conteúdo, sem a extrapolação grosseira dos limites do bom senso e a falta de cortesia que costuma acontecer em eventos do tipo promovidos por sindicatos de trabalhadores. Isso pelo menos os sindicalistas deveriam aprender com os patrões.
Porém, mesmo com este clima, eu já estava esperando Dilma dar um pito em algum empresário. Toda questão era recebida por ela de forma tensa. Quando o jornalista responsável pela mesa chamou sua atenção para que parasse de exceder o tempo, ele se arriscou a ser chamado de “santinho”.
Ela fica extremamente desconfortável com qualquer questionamento, mesmo com uma indagação técnica. Mas como tem uma eleição aí na frente, a candidata busca usar de forma habilidosa as palavras para não transparecer a impaciência. E aí arruma outro problema, pois a palavra é uma das ferramentas que ela não sabe usar.
Então se enrola em um palavreado que no final não tem significado algum. E o corpo também não atende seu comando para não parecer que está doida para dar uma patada no intrometido perguntador. A expressão corporal, o tom de voz, tudo que ainda foi domado por especialistas em marketing fica contido, mas sempre no limite da explosão.
Essas exposições públicas estão pelo menos ajudando a entender as histórias de grosserias, gente chorando pelo corredor, ministros ofendidos em público, as tantas histórias que contam o inferno que era com Dilma quando ela era ministra-chefe da Casa Civil.
O PT tem uma candidata que não tem competência nem para exercer papéis básicos de um político em campanha, como falar com certa habilidade, dominar números e estatísticas e saber utilizá-los em seu devido contexto, enfim fazer bem feito uma campanha política.
E ela pode vencer. Até um poste teria essa chance, com o poder político e econômico que cerca sua candidatura, com um partido influente em sindicatos fortes e na maior central sindical do país e a posse da máquina do governo federal, que vem sendo usada além do limite da legalidade.
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POR José Pires
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segunda-feira, 24 de maio de 2010
Zerando
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Não dá pra não deixar de não gostar
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Novidadeira e ansiosa para botar catraca na internet
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