A eliminação daquele regime odioso não deve ser vista como resultado da força mágica de uma só figura, por mais importante que um indivíduo possa ser numa luta política e na história de um país. A movimentação mundial que ocorreu naquela época foi um dos grande eventos da história dos direitos humanos no mundo, que juntou na luta a comunidade internacional de uma forma muito rara no passado e infelizmente também pouco vista depois. A semelhança política do apartheid com o nazismo (que fora derrotado em 1945, também a partir da associação de várias nações) pode ter contribuído para que se juntassem países de diferentes sistemas políticos para acabar com o horror que era imposto aos negros da África do Sul em sua própria terra.
De início, o apartheid foi favorecido bastante pela dificuldade de comunicação naquela época, um tempo do telex e do telefone que funcionava com dificuldade. Na verdade, durante alguns anos do regime racista pouco se sabia do que acontecia na África do Sul. Porém, isso não impediu o empenho que se viu em todo o mundo quando apareceram as revelações sobre o horror. Jornalistas, intelectuais, cineastas e toda uma variedade de profissionais começaram a produzir materiais condenando o apartheid. Esta ação coletiva acabou criando o clima mundial que pressionou com rigor pela mudança do regime segregacionista.
A derrota do apartheid pode ter sim uma figura como Mandela lá no alto de sua significação, mas o movimento que levou a liberdade à África do Sul foi uma ação da comunidade internacional que mostrou a possibilidade das nações influírem de forma consequente no respeito aos direitos humanos. É sobre esta energia humana coletiva que precisamos meditar mais, porque ela é a prova de que o mundo pode ser melhor quando as pessoas são estimuladas a agir com boa vontade.
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Por José Pires
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