
O senador José Sarney é um apoiador do projeto de cotas e não é difícil entender sua entusiasmada adesão ao projeto. As cotas acabam dando um fecho perfeito ao projeto desenvolvido em uma carreira política de mais de meio século.
O presidente do Senado é o chefe de uma oligarquia política que há pelo menos 50 anos domina o Maranhão, atualmente governado por sua filha. O estado tem um alto percentual de negros entre sua população, estimados em cerca de 70% no último censo. Em qualquer índice social o Maranhão aparece sempre nos níveis mais baixos. Em pobreza só é suplantado pelo Piauí. Saúde e educação no estado são péssimas.
E não existe hoje nenhum brasileiro que tenha tido tanto poder quanto Sarney para mudar este dramático quadro social não só do Maranhão como também também do Brasil por inteiro. Desde a ditadura militar o senador frequenta o poder em nosso país e mesmo hoje, no governo Dilma, ele é uma das figuras mais determinantes, com uma capacidade de mando que exerceu também nos dois governos de Lula e também anteriormente nos dois mandatos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Além disso, Sarney foi presidente da República por cinco anos, antes das eleições diretas.
Ele teve a chance por esse anos todos de mudar o quadro de miserabilidade que aí está e que atinge indistintamente a negros e pobres. Nas suas mãos estiveram também os instrumentos para melhorar a educação pública, de forma que todo estudante pudesse concorrer em igualdade de condições a uma vaga no ensino superior.
Mas Sarney fez exatamente o contrário disso, num processo que não partiu de nenhuma dificuldade pessoal para encaminhar ao menos a criação de um sistema educacional de qualidade e uma realidade com maior justiça social. Sarney não errou de forma alguma. Foi um projeto muito bem executado. A pobreza acompanhada da falta de educação e de cultura são essenciais para manter um eleitorado dócil ao interesse da oligarquia representada por ele.
O fecho que as cotas dão a este projeto político de submissão de todo um povo é o de trazer uma suposta solução para males que Sarney e seus colegas vêm desenvolvendo há tantos anos. É o crime perfeito, de um político que se gaba de um remédio para a doença que ele mesmo criou.
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POR José Pires
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