Mas obviamente não é só a violência que faz da Venezuela um péssimo parceiro de negócios. Os conflitos são consequência da irremediável falência da fraude que sempre foi o chamado “bolivarianismo”, uma palavra vazia que servia apenas como moldura política para mais um caudilho latinoamericano. Em um país rico não davam conta nem de produzir papel higiênico. Chávez nunca teve um projeto definido para seu país, tanto é que hoje com sua ausência o que sobrou foi o caos.
A única base real do regime chavista é o autoritarismo. Mas acontece que mesmo esta dominação pela força era centrada na figura do caudilho. Com sua morte o esquema vital de sustentação do poder se fragmenta, com o risco de alguns desses braços armados irem adquirindo vida própria.
O regime chavista tem um controle sobre a população por meio de grupos armados, os chamados “coletivos”, que estão barbarizando durante estas manifestações. Eles funcionam como uma força repressiva informal, o que os torna ainda mais perigosos que as forças de segurança do Estado, as temidas Policía Nacional Bolivariana e a Guarda Nacional.
Esses “coletivos” são compostos de pessoas que atuam como promotores culturais ou esportivos nas bairros pobres de Caracas. É uma forma do governo mantê-los próximos da população mais pobre e também de proporcionar-lhes sustentação financeira. Já viram algo parecido em outro país? Pois é, mas em situações de tensão entre os venezuelanos os “coletivos” atuam como força de choque para agredir e intimidar.
Com a morte de Chávez o regime chavista perdeu seu centro de poder. E um dos piores efeitos desta fragmentação é a falta de controle sobre esses grupos paramilitares. O jornal espanhol El País diz numa matéria nesta quinta-feira que Nicolás Maduro está perdendo o controle sobre a militância armada. Não é difícil, portanto, que os conflitos na Venezuela se desenvolvam também entre os próprios chavistas, numa luta interna pelo poder.
É lamentável a violência que acontece na Venezuela, mas ao menos para os brasileiros isso pode servir de alerta. Tivemos aqui lideranças políticas muito animadas com a proposta autoritária do regime chavista. Entre os mais excitados estava o ex-presidente Lula. Nos conflitos que acontecem agora naquele país podemos assistir por antecipação ao “efeito Orloff”, aquele do “eu sou você amanhã”. Sei que ainda tem os que podem querer algo parecido na nossa terra, mas os brasileiros já tem o exemplo real de como é alto o custo dessa loucura.
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Por José Pires
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Imagem - Entre os mortos pelo chavismo, a jovem Génesis Carmona, a miss baleada em um protesto antigoverno.
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