terça-feira, 15 de julho de 2008

Relatório da PF, o vazamento final

Leitura boa para um final de tarde. O site Consultor Jurídico disponibilizou o relatório completo da Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Desse modo, o site democratizou o vazamento que até o momento vinha sendo feito por partes e tornou a tarde brasileira de hoje bastante quente. Em várias partes do País teve gente lendo com lupa o relatório ou em busca do próprio nome ou do nome de adversários. Ou então procurando encontrar evidências ou até mesmo simples insinuações para atingir adversários.

A operação da Polícia Federal, que levou à prisão do banqueiro do Opportunity, Daniel Dantas, do megaespeculador Naji Nahas e do ex-prefeito Celso Pitta, além do comando do grupo financeiro de Dantas, deflagrou uma guerra política e também uma guerra jornalística que envolve jornais, revistas e blogueiros.

Políticos e jornalistas são citados em conversas grampeadas que fazem parte do relatório e a Polícia Federal acredita que Dantas dispunha de uma rede de apoio na mídia, com jornalistas que seriam pagos por ele para difundir notícias de seu interesse.
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POR José Pires

A trinca de ouro de Dantas

O relatório de 210 páginas tem que ser analisado à moda do Dr. Frankenstein: por partes. Um trecho interessante trata do que a polícia chama de “equipe de apoio” de Daniel Dantas. Composta por Guilherme Henrique Sodré Martins, Humberto Braz e o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh, a trinca tinha um papel de muita importância.

Foi para proteger o assecla Braz que Greenhalgh telefonou para o chefe-de-gabinete da Presidência da República para pedir que ele buscasse informações junto ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. E Carvalho fez o serviço para Greenhalg, que advoga para o banqueiro do Opportunity. E ainda quer convencer que isto não é tráfico de inlfuência.

O relatório da PF diz que essas pessoas foram contratadas por Dantas para “obter informações de interesse do grupo, realizar contatos com pessoas importantes, inclusive políticos (deputados federais e senadores) e Ministros de Estado, e com a mídia, objetivando sua manipulação, e principalmente, influenciar decisões de autoridades relacionadas a assuntos do grupo”.

Segundo a polícia, os três tinham relações diretas com Dantas, mas Braz era o contato mais freqüente e quem distribuía os trabalhos ordenados pelo banqueiro. As tarefas, sempre segundo o documento, eram relacionadas a todo o tipo de ilícito, desde corrupção até espionagem.
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POR José Pires

Trinca chegava perto de Lula

Com a atividade dos três a rede de contatos chegava até a ante-sala do presidente da República e atingia também o Congresso Nacional e partidos políticos, com "contatos amistosos" na cúpula do Judiciário Federal, em especial o STJ e o STF.

Luiz Eduardo Greenhalgh, diz o relatório, era chamado de Gomes ou LEG, e os serviços prestados a Dantas “passavam longe da assessoria jurídica”. Para isso o banqueiro tinha outras pessoas. A PF diz que Gomes, ou LEG ou, como é mais conhecido, Greenhalgh, usava seu “trânsito fácil” nos gabinetes de ministros do STF e STJ para buscar decisões favoráveis ao grupo.

Usando sua condição de ex-deputado federal e membro poderoso do Partido dos Trabalhadores, fazendo parte do Diretório Nacional, Greenhalgh tinha acesso ao Palácio do Planalto. O relatório afirma que ele freqüentava a ante-sala do presidente Lula e “buscava apoio para negócios ilícitos do grupo notadamente no gabinete da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef”. Segundo o texto, isso também era feito com Gilberto Carvalho. Greenhalgh ainda seria “intimamente próximo ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu”.

Conforme o relatório, o trabalho do grupo em que Greenhalgh tinha papel destacado foi fundamental na negociação da venda da Brasil Telecom para a Oi. Atualmente os três agiam para dificultar o trabalho da as investigações sobre Dantas e tinham o intuito de paralisar o trabalho da polícia.
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POR José Pires

A briga perdida de Obama

Barack Obama está fazendo o que de pior um político pode fazer. Não estou falando de roubo, coisa comum em política. A questão é outra. O candidato democrata a presidência dos Estados Unidos está brigando com a piada.

Obama ficou indignado com a capa da edição desta semana da revista The New Yorker que traz uma caricatura dele com sua mulher, Michelle, vestidos como muçulmanos fundamentalistas. No desenho, os dois estão em uma sala da Casa Branca enfeitada com um retrato de Osama Bin-Laden. Michele está vestida como uma guerrilheira e porta uma metralhadora.

A publicação é uma das mais antigas dos Estados Unidos, foi fundada em 1925, e tem sua história colada à esquerda norte-americano e ao pensamento liberal naquele país.

O porta-voz da campanha de Obama, Bill Bustron, disse que a capa é “de mau gosto e ofensiva”. O editor da revista, David Remnick, replica que o desenho apenas ilustra o tema principal da edição, que critica a “campanha de medo” que tem sido feita pelos adversários na tentativa de grudar no candidato a imagem de simpático aos fundamentalistas islâmicos e ligado à militância negra radical.

A justificativa de Remnick parece justa, tanto que a revista traz um texto escrito por Obama, onde ele relata o início de sua carreira. A edição traz também um artigo sobre as mudanças de postura do democrata, que não tem mostrado coerência e firmeza em opiniões sobre importantes temas políticos.

Mas seja de quem for a razão, o estrago foi feito e já está criado o problema habitual que acontece quando se briga com a piada: não há como ganhar. A capa ganhou mais audiência do que aconteceria naturalmente e colocou em foco a real ambigüidade de Obama em relação ao racismo expressado por radicais do movimento negro e as suspeitas de falta de firmeza do candidato com os terroristas islâmicos.

A crítica da campanha de Obama toca em um valor muito especial na formação dos Estados Unidos: a liberdade de expressão. A reação à capa da The New Yorker mostrou-se tão desastrada que em seu repúdio Obama recebeu até a solidariedade do candidato John McCain. O porta-voz do candidato republicano, Tucker Bounds, criticou a revista nos mesmo termos dos assessores equipe do democrata. Para quem precisa dos votos do eleitorado liberal, é uma companhia pior do que sair mal em qualquer capa.
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POR José Pires

O compadre dos rolos

E o compadre do Lula, o Roberto Teixeira, aquele que cedeu uma casa para ele morar de graça durante quase dez anos, também está no rolo do Daniel Dantas.

Documentos da auditoria interna da Brasil Telecom de 2005, quando o banqueiro do Opportunity detinha o controle da companhia telefônica revelam pagamentos de R$ 1,2 milhão para Teixeira.

E a auditoria não localizou nenhuma comprovação de prestação de serviços advocatícios do generoso compadre. Mas isso não importa. O que importa mesmo é que o compadre Lula já era presidente da República. Será que disso ele sabia?
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POR José Pires

A pátria de maiô

Para não dizerem que sou contra o Estado de Direito e um sem coração que se delicia com a Polícia Federal botando algemas no Daniel Dantas, vamos mudar de assunto.

Um refresco nas intempéries de Hugo Chávez: a venezuelana Dayana Mendoza, venceu no domingo o concurso de Miss Universo no Vietnã. A representante da Colômbia, sei lá o nome que é, ficou em segundo lugar.

Uma prova de que, a exemplo dos esportes, o Miss Universo também aproxima povos e países foi que as representantes da Venezuela e Colômbia enfrentaram a competição de mãozinhas dadas. "Nós duas nos demos as mãos e rezamos juntas (...) nossos países são vizinhos, somos todos irmãos", disse uma delas, dando um exemplo para Chávez e Álvaro Uribe também enfrentarem as adversidades de mãos dadas.

O problema foi com o Brasil, cuja representante, Natália Anderle, nem chegou a se classificar entre as 15 finalistas do concurso. Não pegamos nem o Miss Simpatia ou o prêmio de melhor traje típico, fatos que naturalmente não impedem a Playboy de tirar a roupa da moça para a brava gente brasileira, longe vá temor servil, conferir o material. Se a pátria decidir, acredito que Lula pode recorrer às cortes internacionais. Ou ligar para o Bush.
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POR José Pires

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Um puro na ante-sala

A Polícia Federal mostra em seu relatório da Operação Satiagraha que Gilberto Carvalho, chefe-de-gabinete de Lula e seu amigo pessoa,l conferiu junto ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República se havia alguma ação contra Humberto Braz, assessor de Daniel Dantas. Fez isso a pedido do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh, seu colega de partido.

Em nota, Gilberto Carvalho confirmou ter feito a checagem, mas nega ter feito tráfico de influência.

Agora no final da tarde Gilberto Carvalho lançou uma nota explicando o ocorrido. Leiam e sintam a pureza do faz-tudo de Lula:

"No dia 28 de maio, o Dr. Luiz Eduardo Greenhalgh informou-me que um cliente seu, Humberto Braz, cuja identidade até então eu desconhecia, fora seguido no Rio de Janeiro, após deixar os filhos na escola, e que, interceptado pela Polícia do Rio, o condutor do carro que pretensamente lhe fazia a perseguição se apresentou como Tenente da Polícia Militar de Minas Gerais exibindo documentos que diziam estar a serviço da Presidência da República. Dr. Greenhalgh me indagou se procedia esta informação, uma vez que poderia se tratar de tentativa de seqüestro comum, com uso de documentação falsa.

Procurei o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência. Fui informado de que o referido Tenente estava credenciado pelo GSI, mas o trabalho que realizava nada tinha a ver com o cidadão citado. Repassei pelo telefone esta informação ao Dr. Greenghalg, que na ocasião, pediu que eu obtivesse mais informações junto à Polícia Federal. Como já havia dado a informação essencial ao Advogado no que dizia respeito à segurança pessoal de seu cliente, não fiz contato algum nem com o Ministério da Justiça e nem com a direção ou qualquer integrante da Polícia Federal, conforme já declarado pelas respectivas Autoridades.

Gilberto Carvalho

Chefe do Gabinete Pessoal do Presidente da República"


Agora comecei mesmo a ficar preocupado com o Lula e, mais que isso, com o País. O presidente da República tem um chefe-de-gabinete ingênuo demais. Isso é um perigo para a Nação!
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POR José Pires

sexta-feira, 11 de julho de 2008

E disso Lula sabia?

Vamos lá. Leia a transcrição da conversa entre o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalg e o chefe-de-gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, gravada em um grampo da Polícia Federal. Abre aspas:

"Greenhalgh: Alô...

MNI: Luiz Eduardo Greenhalgh?

Greenhalgh: Sim...

MNI: É o Senhor Gilberto só um momento.

Gilberto: Luiz?

Greenhalgh: Oi...

Gilberto: O general me deu o retorno agora... é o seguinte não há nenhuma pessoa designada na Presidência...na Abin...com esse nome, a placa do carro não existe é fria, tá? Eles aqui acham que a única alternativa é que tenha sido caso de falsificarem documento...eles não consideram possível que seja da Abin, eu não falei com o Luiz Fernando ainda, mas não tem jeito... a polícia federal não usa a PM, eles não se misturam de jeito nenhum, ta... então eu acho que o mais provável é que o cara tava armando mesmo alguma coisa... mas com documento falso que também no Rio é muito comum, porque daqui não tem, eu pedi, insisti, fiz com o máximo cuidado tal.

Greenhalgh: Deixa eu te falar uma coisa. Tá ouvindo o grito da menina?

Gilberto: O grito da vida.

Greenhalgh: Isso é o grito da vida realmente, linda, mas deixa eu te falar seria bom dar um toque no Luiz Fernando também hein?

Gilberto: Eu vou dá, eu vou dá, amanhã cedo eu tenho que
falar com ele vou levantar isso dai também.

Greenhalgh: Tem um delegado chamado Protogenes Queiroz que parece que é um cara meio descontrolado.

Gilberto: Ele tá onde o Protogenes agora?

Greenhalgh: Ai, tá ai em Brasília.

Gilberto: Ah aqui em Brasília.

Greenhalgh: É o que saiu na Folha na matéria da Andrea

Michael. Mas eu tô indo amanhã pra a reunião do diretório.

Gilberto: Eu te vejo lá, eu to indo no diretório também.

Greenhalgh: Legal...

Gilberto: Que hora que tá marcada mesmo a reunião?

Greenhalgh: Nove horas.

Gilberto: Tá. Eu vejo você lá.

Greenhalgh: Grande abraço.

Gilberto: Valeu Luiz...

Greenhalgh: Obrigado."

Papo interessante, não? E o cenário político dá uma boa mudada. Os petistas, que estavam bastante animados com a ação da Polícia Federal, agora estão vendo a coisa bem diferente. Acabou a animação e começa a preocupação. O grampo mostra o assessor mais próximo do presidente, além de seu amigo pessoal, agindo em favor de Daniel Dantas. Começam a aparecer elos fortes entre o banqueiro do Opportunity e o Planalto (veja aqui uma interessante matéria do Valor Econômico sobre o assunto).

Se ainda não chegou exatamente ao presidente da República, a crise já está na sala ao lado, bem próximo dos olhos de Lula. É tão perto que mesmo alguém ceguinho como o petista é capaz de ter visto alguma coisa.
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POR José Pires

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Por antecipação


Isso é que é acertar uma manchete. Vivemos em um país com a síndrome do comentarista de futebol, todo mundo buscando influir na opinião do vizinho, do companheiro de boteco ou então na opinião pública. Até aí tudo bem, é desse modo mesmo devem ser exercidas as relações em sociedade, ainda que saibamos que gritar da sala de casa com o beque ou o goleiro na TV não influencia em nada no resultado da partida.

Mas até juiz de um tribunal superior dando pitaco em uma questão relativa à decisões sob seu poder? Só no país da jabuticaba. Ou, como soubemos agora com a prisão de Daniel Dantas, país também do Jabuticaba, apelido de seu companheiro de cela, o notório Celso Pitta.
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POR José Pires

Festa antecipada

Hoje, dia 10 de julho, é o Dia da Pizza.
Mas pelo jeito resolveram comemorar ontem.
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POR José Pires

Inédito: sinceridade de um político

Só mesmo por vias tortas é possível colher sinceridade na fala de um político. O jornal O Globo fez uma matéria com a declaração de renda do candidato à Justiça Eleitoral do prefeito do Rio Marcelo Crivella, da Igreja Universal e senador desde 2003.

O senador não tem imóvel próprio. Isso mesmo, nenhum. Mora em apartamento alugado. Crivella declarou à Justiça Eleitoral ter em seu nome dois carros — um Polo 1.6, modelo 2007, no valor de R$ 45 mil, e um Nissan Sentra 2.0, modelo 2007, no valor de R$ 55.900 — além de uma conta bancária de R$ 180.900.

Mas não é aí evidentemente que ele mostrou franqueza. A sinceridade involuntária está numa resposta dele sobre uma empresa na qual tinha participação, a Canaã Produções Artísticas, que acabou fechando.

“Fundei a gravadora para que o dinheiro fosse doado às crianças, mas ela só durou até eu ser eleito senador”, disse Crivella. E mais não disse. E nem precisa.
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POR José Pires

Na surdina, senadores criam mais gastos pessoais

Não é que eu ache que haja combinação, mas o que aconteceu ontem no Senado é bastante simbólico do estado a que chegamos. Ou Estado a que chegamos.

Enquanto alguns senadores protestavam contra o fato de policiais colocarem algemas em maiorais do mercado financeiro, o Senado aprovava na surdina a criação de mais um cargo de confiança para os 81 senadores.

Bem rápido, numa reunião às escondidas, a Mesa Diretora decidiu pela contratação de mais um “assessor técnico” para cada senador. O salário é de R$ 9.979,24, que somado aos gastos que cada senador já tem com pessoal, mais os das lideranças partidárias e membros da mesa, vai dar em R$ 900 mil mensais. Por ano a despesa vai para cerca de R$ 11,7 milhões.

E todo esse novo gasto milionário, que nós pagamos, foi resolvido ligeiro e à portas fechadas. Dá para entender a razão de os senadores ficarem nervosos com as cenas de ricos e poderosos sendo algemados pela Polícia Federal.
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POR José Pires

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Cana suave

Pronto, o Supremo Tribunal Federal mandou soltar Daniel Dantas, o banqueiro do Opportunity. A decisão, que aconteceu agora há pouco, foi do presidente do tribunal, Gilmar Mendes, e atinge todo o alto-comando da empresa que havia sido preso junto com Dantas.

Na terça-feira de manhã, quando aconteceram as prisões, eu disse o seguinte: "Quanto tempo ficarão presos? Com certeza na casa dos três a rotina, inclusive a doméstica, nada muda. A probabilidade de que ainda hoje jantem em casa é mais ou menos do tamanho de suas contas bancárias".

Os três de que falo são Dantas, o ex-prefeito Celso Pitta e o especulador Naji Nahas. Errei por pouco a soltura de Dantas. Os outros dois certamente logo mais também estarão em casa.
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POR José Pires

Algemas só para pobre

Como se não bastassem os ganhos políticos que o governo Lula já está tendo com a prisão do banqueiro do Opportunity, do megaespeculador Naji Nahas e do ex-prefeito Celso Pitta, os senadores da oposição ainda resolveram dar uma mãozinha nesta tarde.

O Brasil nunca tinha visto políticos pedirem publicamente tratamento privilegiado para criminosos de colarinho branco e foi o que senadores tucanos fizeram em plenário. Sérgio Guerra, presidente do PSDB e Tasso Jereissati, maioral histórico do partido, reclamaram do que julgam ser atitudes “policialescas” da PF. Parece que querem mais educação por parte da polícia na prisão de bacanas.

Segundo o blog de Ricardo Noblat, o único que se insurgiu contra a defesa dos tubarões foi o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que disse o seguinte: “O que a gente sente é a sociedade, hoje, revoltada, no sentido de que uma elite não é atingida nunca e o povão só conhece a cadeia. A Polícia Federal está agindo”.

O líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio, chegou a interromper Simon de forma agressiva e contra as normas regimentais. Teve que sair do microfone a pedido do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN. A prisão de Daniel Dantas tem deixado mesmo muita gente nervosa. Tanto que até se descuidam das péssimas conseqüências políticas e eleitorais que certas atitudes podem causar.

Em um país em que até mesmo com provas em contrário pobre é tratado como culpado pela polícia, os senadores tucanos querem abolir o uso de algemas na prisão de gente rica e poderosa. E estão dando esse espetáculo há menos de três meses de uma eleição municipal e com cerca de dois anos para a outra, a principal, para presidente da República.

Dá a impressão de que os tucanos se cansaram definitivamente de esperar o Lula sangrar em praça pública. E resolveram cortar os próprios pulsos.
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POR José Pires

Justiça afinal

Os senadores podem então fazer uma lei protegendo gente bacana da grosseria da polícia. Mas como é que o policial vai saber qual é o elemento que fica dispensado?

Vou ajudar. Se é para aperfeiçoar nossa Justiça, eu dou, opa, uma mão. É muito simples, é só combinar com o pessoal do colarinho branco. Quem estiver usando relógio Rolex − legítimo, não vale para falsificações − fica livre de algemas.
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POR José Pires

Inovação na corrupção

Tem uma novidade interessante no esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal na Operação Satiagraha. Além de laranjas, o esquema tem até jabuticaba. É o ex-prefeito Celso Pitta, conhecido pelos companheiros como Jabuticaba.
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POR José Pires

Jabátman está com tudo

Só dá o filme "Batman - O Cavaleiro das Trevas" em todo lugar. No domingo, como já previsto, os jornais trouxeram matérias sobre o assunto. A Folha de S. Paulo trouxe o filme na capa do caderno de cultura em página inteira. Na abertura, em letras grande, dizem que "Heat Ledger cria um Coringa definitivo: punk, sinistro, sadomasoquista e completamente fora de controle".

Uau! Porém, com as menores letras da página, abaixo do texto, está o aviso: O repórter viajou a convite da Warner Brothers". A convite? Não deviam dizer que foi com tudo pago?

Mas, deixa pra lá. Nada disso é novidade, claro. O Jabátman já é coisa natural na mídia brasileira.
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POR José Pires

Fruta nativa

Os grampos feitos pela Polícia Federal em telefonemas das pessoas investigadas na Operação Satiagraha revelam que o o ex-prefeito Celso Pitta, um dos que foram presos ontem, é chamado nas conversas de “Jabuticaba”. Até o momento nenhum grupo anti-racista se manifestou.
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POR José Pires

Jogo de azar

A credibilidade da Justiça no Brasil é tamanha que já tem blog da internet fazendo enquete perguntando quando Daniel Dantas será solto. E tem até sorteio de Ipod entre os que acertarem.

Mais um pouco e criam o bolão da prisão de Dantas.
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POR José Pires

terça-feira, 8 de julho de 2008

Prisão murcha uns e anima outros

Estranho silêncio no blog do blogueiro mais visível da revista Veja e também seu mais agressivo jornalista. Reinaldo Azevedo passou a manhã sem dar um pio, o que é estranho em um profissional prolífico e que age com rapidez quando o assunto lhe interessa. Até o momento, duas da tarde, Azevedo, que mantêm um blog no portal da revista, nada publicou sobre as prisões feitas pela Polícia Federal.

O silêncio e falta de atividade contrasta com a ligeireza de Luís Nassif que, às 09:13, já noticiava a prisão de Daniel Dantas. Logo depois, próximo das dez da manhã, Nassif aproveitou para desencavar de seus arquivos a série que escreve sobre a Veja, com várias e graves acusações de manipulação de informações contra a revista.

Nassif trouxe de volta capítulos em que acusa Diogo Mainardi, colunista da revista, de fazer lobby para Daniel Dantas na mídia com a intenção, segundo ele, de “intimidar críticos e influenciar o Judiciário”.

A polêmica entre Nassif de um lado e Azevedo e Mainardi do outro, na qual Dantas exerce um papel de destaque, tem sido feroz, inclusive com ataques pessoais de ambas as partes.

Aparentemente a prisão de Daniel Dantas complica a situação para Mainardi e Azevedo, o que deixa Nassif bastante animado. E o silêncio de Azevedo em seu blog faz parecer que o golpe foi bastante sentido.
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POR José Pires

Tempo ruim em Brasília

As prisões feitas pela Polícia Federal nesta manhã levaram inquietação à Brasília. As capturas começaram às seis da manhã, com 24 mandados de prisão, além de 56 ordens de busca e apreensão. O nervosismo em Brasília é menos pelos figurões presos e mais pelo temor sobre o que a PF descobriu até agora na chamada Operação Satiagraha.

As investigações têm relação com o caso do “Mensalão” que, sempre é bom recordar, envolveu lideranças importantes do primeiro escalão do governo Lula e de seu partido, o PT, no pagamento de propinas à base aliada do governo. O inquérito corre no Supremo Tribunal Federal tendo como acusado, entre outros o ex-ministro da Casa Civil de Lula, José Dirceu, figura extremamente importante na carreira política do presidente da República.

Em agosto de 2005, o STF deu início ao julgamento de 40 acusados, entre eles a cúpula do PT na época, incluindo lideranças petistas no Congresso Nacional e representantes da base aliada e ex-ministros de Lula. Dirceu, o homem mais importante do governo petista depois de Lula, definido no inquérito como o “chefe do organograma delituoso”, responde como réu por corrupção ativa.
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POR José Pires

Voltam vários casos vergonhosos

Hoje foram presos, em ações da PF nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e em Brasília, o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, o especulador Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Do grupo Opportunity foram presos também a irmã de Dantas, Verônica e seu ex-cunhado e dirigente, Carlos Rodenburg, o também diretor Arthur de Carvalho, e o presidente do grupo, Dório Ferman. Maria Alice de Carvalho Dantas, mulher de Dantas, também foi presa.

Entres os crimes que ocasionaram as prisões estão formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

Daniel Dantas é certamente o mais graúdo entre os capturados. E pode ser um elemento de ligação não só com o “Mensalão”, mas também com outros conhecidos escândalos.

Com negócios que envolvem somas altíssimas − recentemente vendeu suas participações da Brasil Telecom e Telemar/OI por cerca de 1 bilhão de dólares −, o banqueiro tem uma carreira cercada de complicações e que atravessou pelo menos dois governos, o de Fernando Henrique Cardoso e Lula.

A investigação da PF também abrange um amplo número de denúncias de corrupção. Está na mira até o caso Banestado, escândalo de desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro e evasão de divisas para paraísos fiscais entre 1996 e 2002, que envolveu o extinto banco estatal do Paraná e que incomoda muitos governos. O caso foi inclusive objeto de uma CPI da Câmra dos Deputados. Mais de US$ 84 bilhões foram retirados indevidamente do país.

Para ser ter uma idéia da importância do Caso Banestado, sua divulgação na época foi inclusive uma das razões da pressão que levou à demissão de Boris Casoy na TV Record, onde comandava um prestigiado noticiário. O apresentador criou dois jargões famosos sobre a corrupção: "passar o Brasil a limpo" e "isto é vergonha".

A demissão de Casoy aconteceu após pressões do Gabinete da Casa Civil de Lula, na época comandado por José Dirceu. O governo teria até ameaçado retirar da emissora toda a publicidade do governo. O jornalista disse que o governo Lula não queria que ele tocasse em três assuntos: as denúncias contra o compadre de Lula, Roberto Teixeira, o assassinato do prefeito Celso Daniel e o Caso Banestado.
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POR José Pires

A melhor fonte

Quem tem seguido muito bem até agora a história de Dantas é o jornalista Bob Fernandes, primeiro na revista Carta Capital, editada por Mino Carta e onde ele foi redator-chefe até 2004, e agora na página da internet Terra Magazine, abrigada no portal Terra.

Outro jornalista também muito bem informado sobre a carreira do dono do Oportunitty é Samuel Possebon, editor da revista Teletime, especializada no mercado de telecomunicações. Os dois acompanham os movimentos de Dantas desde a privatização da Telepar, em 1998, no govero tucano.

Desde o início da manhã o Terra Magazine tem publicado o melhor material sobre as prisões deste 8 de julho, muito bem definidas por Bob Fernandes como “o mais profundo mergulho nos intestinos do Brasil”, e promete boas informações no seguimento desta ação que, com certeza, vai remexer bastante nas entranhas da política e do mercado financeiro.

Comece lendo o perfil de Daniel Dantas, escrito por Bob Fernandes e Samuel Possebon, clicando aqui, e depois coloque o Terra Magazine nos seus favoritos. Este é um assunto que tão cedo não morre e sobre isso a página editada por Fernandes é a melhor fonte de informações até o momento.
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POR José Pires

Enigma paulista

Coisas estranhas acontecem na política. Entro no portal do governo do estado de São Paulo e encontro essa imagem no lugar da foto do governador. Quem é essa simpatia?
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POR José Pires

Novas prisões no rastro do Mensalão

A Polícia Federal prendeu nesta manhã de terça-feira o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, o empresário Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity. Os três foram presos na operação denominada Satiagraha, que combate um esquema de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro.

As investigações estão relacionadas ao caso “Mensalão”. Segundo o site do jornal Folha de S. Paulo, com base em informações colhidas a partir de documentos do inquérito que corre no Supremo Tribunal Federal e em documentos colhidos em outras investigações da PF, “foi descoberta uma organização criminosa comandada pelo banqueiro Daniel Dantas”. Ainda conforme o site, para a prática dos delitos, principalmente desvio de verbas públicas, o grupo chefiado por Dantas possuía várias empresas de fachada”.

A polícia também descobriu uma segunda organização, que atuava no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. Este segundo grupo, noticia o site, era comandado pelo investidor Naji Nahas.

O grupo agia em fraudes no mercado financeiro e recebia informações privilegiadas, inclusive com indícios de que recebia informações priilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve, o Banco Central norte-americano.

Esta última informação, que envolve os Estados Unidos, indica que podem ter forças mais poderosas nesta investigação, além da nossa Polícia Federal.
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POR José Pires

O chefe já volta

Celso Pitta, Naji Nahas e Daniel Dantas presos? Espero que estejam presos juntos. Como provavelmente logo serão soltos e dificilmente serão condenados por algum delito, mantê-los juntos numa cela seria uma compensação pelo que eles nunca sofrerão.

Quanto tempo ficarão presos? Com certeza na casa dos três a rotina, inclusive a doméstica, nada muda. A probabilidade de que ainda hoje jantem em casa é mais ou menos do tamanho de suas contas bancárias.
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POR José Pires

Nècessaire

Rico quando vai preso não leva nem a escova de dentes.
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POR José Pires