quarta-feira, 3 de julho de 2019

A esquerda surta com Sérgio Moro

O deputado Glauber Braga, do Psol, cometeu uma grosseria histórica com o ministro Sérgio Moro e correu para o Twitter para se gabar do que fez. Com agressividade, Braga simplesmente chamou de ladrão um convidado, que espontaneamente dava explicações aos deputados e sobre o qual jamais houve qualquer acusação formal nesse sentido. O insulto do deputado foi apenas o fecho da atuação em bloco dos políticos da esquerda nesta reunião marcada para esclarecer um assunto definido em pauta, mas que virou uma sessão de insultos, numa devassa leviana sobre toda a vida de Moro. Até sua esposa foi atacada.

Este político do Psol é aquele que ao dar o voto contra o impeachment de Dilma Rousseff, fez uma homenagem a Carlos Marighella, gritando seu nome no plenário da Câmara, ecoando na História como uma cínica ironia. Se Marighella tivesse obtido sucesso em sua aventura guerrilheira dos anos 60 o país teria se transformado em uma ditadura pior que a de 1964, dominada por um único partido. Para evitar comentários indevidos, esclareço que penso que o sucesso de Brilhante Ustra também resultaria em uma ditadura feroz, mas acontece que vivemos hoje em dia uma situação até cômica: a esquerda grita “fascista” o tempo todo, enquanto se atira com espírito autoritário contra os outros.

O plano da esquerda neste depoimento do ex-juiz da Lava Jato em audiência promovida por três comissões da Câmara era o de forçar o depoente a reagir de modo a criar uma situação favorável à pretensão de desmoralizá-lo. Não é de hoje que esquerdistas atuam dessa forma. A grosseria organizada tampouco se dá apenas no Congresso Nacional. A tática é aplicada em qualquer situação em que a esquerda quer tomar o controle, forçando um resultado que favoreça seu interesse. O problema é que encontram em Moro um homem de nervos de aço. Ele não se rende à provocações. Então é a esquerda que vai surtando, abusando cada vez mais da retórica violenta.

É uma irresponsabilidade que lideranças políticas ajam desse jeito na condição atual do país, com a violência argumentativa e o desrespeito dificultando o debate de qualquer questão, impedindo a compreensão dos problemas nacionais, deformando na juventude sua formação social. Ocorre, porém, que os ânimos exaltados de toda uma nação vêm exatamente dessa louca estratégia, aplicada pelo partido de esquerda que enquanto esteve no poder tinha como política de comunicação atazanar os adversários e impedir o debate público. É um método antigo da esquerda para estabelecer um discurso único, fazendo parecer que está havendo um rigor no debate político.

O hábito do desrespeito vem de longe. Foi um método que o ídolo exaltado pelo deputado do Psol levou à risca nos anos 60, em uma aventura militarista forçada por uma minoria na esquerda, condenada pelas forças democráticas de então, inclusive pelo partido onde Marighella esteve toda a vida até pegar em armas. Marighella foi o líder de uma das guerrilhas mais desastradas da América, treinada e controlada do exterior pela ditadura de Cuba. Ele rompeu com o mais forte partido de esquerda da época, o PCB, exatamente para liderar um bando violento, que teve como resultado o fortalecimento da corrente de linha dura da ditadura militar. Atrapalharam a oposição democrática, que atuava com métodos pacíficos.

Como o deputado Braga grita alto até hoje o nome de Marighella é evidente que seria perda de tempo exigir dele inteligência e conhecimento para compreender a necessidade do respeito a seus pares para levar adiante com qualidade qualquer tarefa, ainda mais em um local que existe exatamente para a convivência entre contrários. Não cabe também apontar efeitos negativos dessa beligerância idiota, não só no fortalecimento da direita, como no entrave à participação de brasileiros sensatos que teriam muito a contribuir para o país, gente qualificada que foge da perda de tempo dos debates vazios de conteúdo e de resultado prático de qualidade.

O Psol anda animado com sua bancada desta Legislatura — eleita principalmente com gritaria e vitimização —, de modo que não vai tomar consciência de que foi este clima que alimentou o crescimento da direita brasileira e sua vitória sem precedentes em nossa história. A esquerda pouco se importa também com a atmosfera política que vai ficando cada vez mais perigosa para a nossa democracia. Não valeu a experiência mais antiga, de 1964 e 1968 principalmente. Por isso não será agora que tomarão consciência da necessidade de equilíbrio e respeito ao próximo para todo trabalho em conjunto, claro que tendo como foco o interesse nacional e não o domínio político absoluto.

O comportamento de toda a esquerda com o ministro Sergio Moro nesta terça-feira na Câmara mostra que é impossível contar com eles para atuar sobre os problemas nacionais. A índole autoritária que vem do legado político e filosófico do marxismo dificulta mesmo a convivência mais básica de esquerdistas com os adversários, um impedimento que é mantido mesmo depois das recentes quebradas feias de cabeça. Usa-se muito a imagem do apego eterno ao Muro de Berlim para exemplificar esta desconformidade da esquerda com o respeito ao pensamento contrário, mas na verdade os muros são internos, um problema na mente e nos corações. E parece que a barreira é intransponível.
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POR José Pires

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