Os dois são brilhantes escritores. É bobagem buscar nas ideias políticas de cada um algo para diminuir a grande contribuição que tanto o peruano Vargas Llosa quanto o colombiano García Márquez deram à cultura do nosso continente. Em política estou com Vargas Llosa e tenho por García Márquez até uma antipatia pessoal pela sua ligação inclusive íntima demais com ditadores, além da negativa que ele sempre teve de sequer se permitir a discutir criticamente o papel da esquerda na América Latina. Porém, o que saiu da sua cabeça em literatura é tão maravilhoso quando os belos livros feitos por Vargas Llosa.
Cada um com sua visão de mundo, são personalidades de admirável capacidade que expressaram na política e na arte questões essenciais do século vinte e desse comecinho do terceiro milênio. Os dois também são representativos de uma importante discussão política, que prossegue com Vargas Llosa, agora sem a presença de seu mais destacado adversário. E quanto ao soco que Vargas Llosa deu com gosto na cara dele, isso nada teve a ver com política. Foi coisa de rabo de saia, uma reação do peruano ao saber de alguma coisa ocorrida entre García Márquez e sua mulher.
Numa entrevista à revista Esquire há alguns anos o próprio Gárcia Márquez explicou porque ficou de olho roxo. O incidente aconteceu na Cidade do México, em 1976. E o colombiano deu esta versão: “Foi tudo por um mal entendido que tivemos quando vivíamos em Paris, quando Mario [Vargas Llosa] e eu ainda éramos amigos. Coisa de casais. Nos cruzamos na entrada do cinema e sem rodeios ele me deu um soco no olho. E acho que me disse: “Isto é pelo que fizeste com Patrícia” [a mulher de Vargas Llosa]. E nunca soube bem se ele disse “fizeste” ou “disseste”.
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Por José Pires
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