
Nesta sexta-feira, Delfim foi alvo da Operação Buona Fortuna, 49.ª fase da Lava Jato. O ex-ministro da ditadura militar recebeu 15 milhões de reais no esquema da Usina de Belo Monte. Esta é a quantia identificada até agora após a quebra de sigilo fiscal e bancário das empresas de Delfim Netto e de seu sobrinho Luiz Appolonio, mas a investigação prossegue. Em coletiva da Lava Jato nesta manhã foi informado que “não se descarta a possibilidade de maiores valores”.
É interessante que o ex-ministro tenha sido pego em negociatas com hidrelétrica, pois é exatamente neste ramo que desde a ditadura rola uma história de corrupção pesada quando ele foi embaixador em Paris, de 1975 a 1978, nomeado pelo general Ernesto Geisel. Sim senhores, exatamente Geisel, um dos ditadores do ciclo militar, falsamente tido como um exemplo de ética administrativa. A embaixada era conhecida na França como “embaixada dos 10 por cento”, mas nada podia ser publicado no país. Durante a ditadura a imprensa esteve sob pressão permanente e nesta época das reinações francesas de Delfim havia até censura prévia em alguns jornais.
A acusação de corrupção a Delfim Netto na ditadura apareceu com o chamado “Relatório Saraiva”, feito pelo coronel Raymundo Saraiva Martins, adido militar na embaixada brasileira em Paris. No documento, Delfim era acusado de cobrar propina de US$ 6 milhões de fornecedores estrangeiros de equipamentos também para hidrelétrica. O esquema seria com o irmão de Giscard d’Estaing, então presidente da França. Delfim mantinha boas relações com o então presidente francês, que era um tremendo corrupto. Recebeu diamantes do ditador africano Jean-Bédel Bokassa e por causa do escândalo perdeu as eleições em 1981.
O coronel Saraiva Martins morreu em 2008, com 84 anos. O ex-ministro da ditadura jamais foi acionado pela Justiça por este caso. Ao contrário do que alguns desavisados podem pensar, são inúmeros os casos de corrupção durante a ditadura militar. O que ocorria então é que aliados do governo não eram investigados. E notícias sobre corrupção eram abafadas por pressão política e econômica do governo sobre as empresas de comunicação ou então pela pressão policial. Jornalistas também podiam sofrer represálias ou até coisa pior, jornais e revistas eram recolhidos pela polícia política nas bancas, dando um imenso prejuízo para quem se arriscasse a imprimir o que o regime não queria ver publicado.
Delfim foi também conselheiro político de Lula durante seus dois mandatos e sempre apoiou o governo do PT, interpretando o papel de economista descompromissado politicamente — como muita gente fez durante o ciclo petista. Até que, ao contrário do que eles garantiam que não iria acontecer, o Brasil passou a viver sua pior crise a partir da metade do primeiro mandato de Dilma Rousseff.
Delfim interpretava este papel com facilidade, por meio de artigos e entrevistas na mídia, onde aparecia como se fosse um acadêmico apresentando com boa vontade e sem compromisso suas ideias para o país. Boa parte da imprensa permitiu ou se acumpliciou com essa forma fraudulenta de jornalismo, enquanto Lula e o PT montavam uma estrutura de poder perigosíssima para a democracia brasileira. No aspecto público, a excelente relação entre Delfim e o governo do PT foi sempre algo bizarro das duas partes, pelo menos no sentido, digamos, ideológico de cada lado. Eram para ser como água e azeite, mas, como se sabe, no Brasil dinheiro ganho com facilidade e de forma desonesta tem um poder extraordinário na eliminação de contrariedades.
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POR José Pires
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Imagem- Apoiadores do governo do PT posam para foto em 2013, durante o fórum “A crise econômica e o futuro
do mundo”, promovido pela revista governista Carta Capital. Estavam animados com o futuro do Brasil em mãos
petistas. No clima cordial do encontro, observe que o senador Roberto Requião está de modo fraterno com o braço
sobre o ombro de Delfim Netto
do mundo”, promovido pela revista governista Carta Capital. Estavam animados com o futuro do Brasil em mãos
petistas. No clima cordial do encontro, observe que o senador Roberto Requião está de modo fraterno com o braço
sobre o ombro de Delfim Netto
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