
Até porque não quero discussões bestas, repito o que disse no início sobre o respeito à dor de quem tinha intimidade com a vítima, mas como a declaração é pública e este argumento racial vem sendo colocado por várias pessoas, tenho que discordar. Não só porque este componente racial não faz sentido, como pode estimular uma visão perigosa e dispensável sobre os problemas brasileiros. Os brasileiros de bom senso precisam conter esse discurso racial sobre vários problemas brasileiros, que não é de agora que vem sendo colocado pela esquerda. Essa acusação acostuma ser apontada para a ação da polícia, mas qualquer um que resolva apenas ponderar sobre a questão logo também é tachado como racista.
Ora, isso não é verdade. Não existem evidências, provas muito menos, de que tenhamos uma polícia que sai às ruas com a missão de assassinar negros. Tampouco existem no Brasil grupos organizados que matam motivados pela cor da pele. E creio que passa do absurdo que existam grupos com a meta de atirar em mulheres negras. No caso da polícia do Rio, atingida bastante por acusações de racismo, o absurdo dessa hipótese pode ser comprovado até com uma passada de olhos em fotografias de equipes de policiais, onde grande parte deles — quando não a maioria — é composta de negros e mulatos. Esse componente racial na violência também não existe em outros estados brasileiros, mesmo naqueles onde a maioria da população tem a pele branca.
Conheço bem a esquerda e sei muito bem que essa questão racial é simplesmente de uso político. A leviandade é a mesma com a sexualidade e do mesmo modo com questões de classe social ou então na seleção de juízes ou jornalistas para servir de alvo de ataques. Este racialismo teve início em campanhas eleitorais e foi mantido depois, no poder, com a costumeira irresponsabilidade. Foram até explícitos, falando de “elite de olhos azuis”. O problema é que o discurso racial pode crescer e contaminar o país, afetando com essa agressividade a tolerância racial, aliás muito atacada pela militância, quando na verdade é uma virtude dos brasileiros. Em vários lugares fala-se até em “genocídio racial”, um dos usos mais abusivos que já teve a palavra “genocídio”. A violência no Brasil não é uma questão da cor da pele. E este argumento falso pode tornar ainda mais difícil encontrarmos um caminho para solução deste grave problema que atinge a todos os brasileiros.
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POR José Pires
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